As anfetaminas são drogas
estimulantes da atividade do sistema nervoso central,
isto é, fazem o cérebro trabalhar mais depressa, deixando as
pessoas mais “acesas”, “ligadas”, com “menos sono”, “elétricas”
etc.
São chamadas de “rebite”,
principalmente entre os motoristas que precisam dirigir durante
várias horas seguidas sem descanso, a fim de cumprir prazos
predeterminados. Também são conhecidas como “bola” por
estudantes que passam noites inteiras estudando, ou por pessoas
que costumam fazer regimes de emagrecimento sem acompanhamento
médico.
Nos Estados Unidos, a
metanfetamina (uma anfetamina) tem sido muito consumida na forma
fumada em cachimbos, recebendo o nome de “ICE” (gelo).
Outra anfetamina,
metilenodioximetanfetamina (MDMA), também conhecida pelo nome de
“êxtase”, tem sido uma das drogas com maior aceitação pela
juventude inglesa e agora, também, apresenta um consumo
crescente nos Estados Unidos.
As anfetaminas, são drogas sintéticas, fabricadas em
laboratório. Não são, portanto, produtos naturais. Existem
várias drogas sintéticas que pertencem ao grupo das anfetaminas,
e como cada uma delas pode ser comercializada sob a forma de
remédio, por vários laboratórios e com diferentes nomes
comerciais, temos um grande número desses medicamentos,
conforme mostra a tabela a seguir.
Nomes comerciais de
alguns medicamentos à base de drogas tipo anfetamina, vendidos
no Brasil.
Dados obtidos do
Dicionário de Especialidades Farmacêuticas – DEF – 2002/2003.
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Anfetamina
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Produtos (nomes
comerciais) vendidos em farmácias |
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Dietilpropiona ou
Anfepramona |
Dualid S®; Hipofagin S®;
Inibex S®; Moderine® |
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Fenproporex |
Desobesil-M® |
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Mazindol |
Fagolipo®; Absten-Plus® |
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Metanfetamina |
Pervitin®* |
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Metilfenidato |
Ritalin |
* Retirado do
mercado brasileiro, mas encontrado no Brasil graças à importação
ilegal de outros países sul-americanos. Nos Estados Unidos é
cada vez mais usado sob o nome de ICE.
Efeitos no cérebro:
As anfetaminas agem de
maneira ampla afetando vários comportamentos do ser humano. A
pessoa sob sua ação tem insônia (isto é, fica com menos sono),
inapetência (perde o apetite), sente-se cheia de energia e fala
mais rápido, ficando “ligada”.
Assim, o motorista que toma o
“rebite” para não dormir, o estudante que ingere “bola” para
varar a noite estudando, um gordinho que as engole regularmente
para emagrecer ou, ainda, uma pessoa que se injeta com uma
ampola de Pervitin® ou com comprimidos dissolvidos em água para
ficar “ligadão” ou ter um “baque” estão na realidade tomando
drogas anfetamínicas.
A pessoa que toma
anfetaminas é capaz de executar uma atividade qualquer por mais
tempo, sentindo menos cansaço. Este só aparece horas mais tarde,
quando a droga já se foi do organismo; se nova dose for tomada
as energias voltam, embora com menos intensidade. De qualquer
maneira, as anfetaminas fazem com que o organismo reaja acima de
suas capacidades, esforços excessivos, o que logicamente é
prejudicial para a saúde. E, o pior é que a pessoa ao parar de
tomar sente uma grande falta de energia (astenia), ficando
bastante deprimida, o que também é prejudicial, pois nem
consegue realizar as tarefas que normalmente fazia anteriormente
ao uso dessas drogas.
Efeitos sobre outras partes do
Corpo:
As anfetaminas não exercem
somente efeitos no cérebro. Assim, agem na pupila dos olhos
produzindo dilatação (midríase); esse efeito é prejudicial para
os motoristas, pois à noite ficam mais ofuscados pelos faróis
dos carros em direção contrária. Elas também causam aumento do
número de batimentos do coração (taquicardia) e da
pressão sangüínea. Também pode haver sérios prejuízos à saúde
das pessoas que já têm problemas cardíacos ou de pressão, que
façam uso prolongado dessas drogas sem acompanhamento médico, ou
ainda que se utilizam de doses excessivas.
Efeitos Tóxicos:
Se uma pessoa exagera na
dose (toma vários comprimidos de uma só vez), todos os efeitos
anteriormente descritos ficam mais acentuados e podem surgir
comportamentos diferentes do normal: fica mais agressiva,
irritadiça, começa a suspeitar de que outros estão tramando
contra ela – é o chamado delírio persecutório Dependendo
do excesso da dose e da sensibilidade da pessoa, pode ocorrer um
verdadeiro estado de paranóia e até alucinações. É a psicose
anfetamínica. Os sinais físicos ficam também muito
evidentes: midríase acentuada, pele pálida (devido à contração
dos vasos sangüíneos) e taquicardia. Essas intoxicações são
graves, e a pessoa geralmente precisa ser internada até a
desintoxicação completa. Às vezes, durante a intoxicação, a
temperatura aumenta muito e isso é bastante perigoso, pois pode
levar a convulsões.
Finalmente, trabalhos
recentes em animais de laboratório mostram que o uso continuado
de anfetaminas pode levar à degeneração de determinadas células
do cérebro. Esse achado indica a possibilidade de o uso crônico
de anfetaminas produzir lesões irreversíveis em pessoas que
abusam dessas drogas.
Aspectos Gerais:
Quando uma anfetamina é
continuamente tomada por uma pessoa, esta começa a perceber, com
o tempo, que a cada dia a droga produz menos efeito; assim, para
obter o que deseja, precisa tomar a cada dia doses maiores. Há
até casos que de 1 a 2 comprimidos a pessoa passou a tomar até
40 a 60 comprimidos diariamente. Esse é o fenômeno de
tolerância, ou seja, o organismo acaba por se acostumar ou ficar
tolerante à droga. Por outro lado, o tempo prolongado de uso
também pode trazer uma sensibilização do organismo aos efeitos
desagradáveis (paranóia, agressividade etc.), ou seja, com
pequenas doses o indivíduo já manifesta esses sintomas.
Discute-se até hoje se uma
pessoa que vinha tomando anfetamina há tempos e pára de tomar
apresentaria sinais dessa interrupção da droga, ou seja, se
teria uma síndrome de abstinência. Ao que se sabe, algumas podem
ficar nessas condições em um estado de grande depressão, difícil
de ser suportada; entretanto, não é regra geral.
Informações sobre consumo:
O consumo dessas drogas no
Brasil chega a ser alarmante, tanto que até a Organização das
Nações Unidas vem alertando o Governo brasileiro a respeito. Por
exemplo, entre estudantes brasileiros do ensino fundamental e do
ensino médio das dez maiores capitais do País, 4,4% revelaram já
ter experimentado pelo menos uma vez na vida uma droga tipo
anfetamina. O uso freqüente (6 ou mais vezes no mês) foi
relatado por 0,7% dos estudantes, sendo mais comum entre as
meninas.
Outro dado preocupante diz
respeito ao total consumido no Brasil: em 1995atingiu mais de 20
toneladas, o que significa muitos milhões de doses.
Fonte:
CEBRID - Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas
Psicotrópicas
Livreto Informativo Sobre Drogas
Psicotrópicas - Anfetaminas