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Tipos

Cogumelos
Amanita
muscaria
Empregados
como alucinógenos há milhares de anos, os cogumelos
apresentam muitas variedades. O tipo Amanita muscaria,
também conhecido como "agário das moscas"
porque o seu sumo atordoa as moscas por ele atraídas, é
familiar à maioria das pessoas como cogumelo decorativo.
Ele possui um "chapéu" em forma de guarda-chuva
vermelho com bolinhas brancas e um caule branco com uma
base em forma de xícara. Dois alucinógenos muito
proximamente relacionados, o muscimol e o ácido ibotênico
são encontrados no Amanita muscaria; ambos estimulam os
receptores do neurotransmissor GABA no sistema nervoso
central. Os primeiros efeitos do cogumelo Amanita são
desorientação, falta de coordenação e sono, enquanto
que os efeitos posteriores incluem euforia intensa, distorção
da noção de tempo, alucinações visuais intensas e
alterações de humor que podem incluir fúria. No caso de
doses altas podem ocorrer efeitos tóxicos. O cogumelo A.muscaria
em si é menos tóxico do que outros do gênero Amanita,
que são altamente venenosos e até letais.
Psilocybe
cubensis
Dentro do grupo Amanita existem variedades venenosas, mas
raramente fatais por causa da toxina muscarina, de ação
imediata: ela estimula os receptores de acetilcolina,
situados no cérebro e nos sistema nervoso periférico.
Sua intoxicação provoca salivação, lacrimejamento,
perda de controle da urina e das fezes. Podem ainda
ocorrer contração pupilar, cólicas, naúseas, vômitos
e queda do ritmo cardíaco e da pressão arterial.
O genêro Psilosybe traz os alucinógenos psilosibin,
quimicamente semelhantes à serotonina e ao LSD. Podem
provocar euforia, náusea, sonolência, visão obscura,
pupilas dilatadas, aumento de percepção de cores, de
contornos, formas e imagens. Outras reações comuns são
forte ansiedade e angústia, com imagens extraordinárias
e assustadoras. Os efeitos podem passar em três horas,
mas cria-se rapidamente a tolerância.
( Fonte: Anjos Caídos, Içami Tiba. Editora Gente, 6ª
edição)
( Fonte: Como agem as drogas, Gesina L. Longenecker,PH.D.
Quark books. Ilustrações de Nelson W.Hee)
Complemento:
Os vegetais
alucinógenos que ocorrem no Brasil
O nosso país, principalmente através de sua imensa riqueza natural, tem
várias plantas alucinógenas. Os mais conhecidos estão citados a seguir.
Cogumelos
O uso de cogumelos ficou famoso no México, onde desde antes de Cristo já
era usado pelos nativos daquela região. Ainda hoje, sabe-se que o
"cogumelo sagrado" é usado por alguns pajés. Ele recebe o nome
científico Psilocybe mexicana e dele pode ser extraído uma substância de
poderosa alucinógena: a psilocibina. No Brasil, ocorrem pelo menos duas
espécies de cogumelos alucinógenos, em deles é o Psilocybe cubensis e o
outro é espécie do gênero Paneoulus.
Jurema
O vinho de Jurema, preparado à base de planta brasileira Mimosa hostilis,
chamado popularmente de Jurema, é usado pelos remanescentes índios e
caboclos do Brasil. Os efeitos do vinho são muito bem descritos por José
de Alencar no romance Iracema. Além de conhecido pelo interior do
Brasil, só é utilizado nas cidades em rituais de candomblé por ocasião
de passagem de ano, por exemplo. A Jurema sintetiza uma potente
substância alucinógena, a dimetiltriptamina ou DMT, responsável pelos
efeitos.
Mescal ou Peyolt
Trata-se de um cacto, também utilizado desde remotos tempos na América
Central, em rituais religiosos. Trata-se de um cacto que produz a
substância alucinógena mescalina. Não existe no Brasil.
Caapi e Chacrona
São duas plantas alucinógenas que são utilizadas conjuntamente sob forma
de uma bebida que é ingerida no ritual Santo Daime ou Culto da União
Vegetal e várias outras seitas. Este ritual está bastante difundido no
Brasil (existe nos Estados do Norte, São Paulo, Rio de Janeiro, etc.)
tendo o seu uso na nossa sociedade vindo dos índios da América do Sul.
No Peru a bebida preparada com as duas plantas é chamada pelos índios
quéchas de Ayahuasca que quer dizer "vinho da vida". As alucinações
produzidas pela bebida são chamadas de mirações e os guias desta
religião procuram "conduzi-las" para dimensões espirituais da vida.
Uma das substâncias sintetizadas pelas plantas é a DMT já comentada em
relação à Jurema.
Efeitos no cérebro
Já foi acentuado que os cogumelos e as plantas analisadas acima são
alucinógenas, isto é, induzem alucinações e delírios. É interessante
ressaltar que estes efeitos são muito maleáveis, isto é, dependem de
várias condições, como sensibilidade e personalidade do indivíduo,
expectativa que a pessoa tem sobre os efeitos, ambiente, presença de
outras pessoas, etc., como a bebida do Santo Daime.
As reações psíquicas são ricas e variáveis. Às vezes são agradáveis
("boa viagem") e a pessoa se sente recompensada pelos sons incomuns,
cores brilhantes e pelas alucinações. Em outras ocasiões os fenômenos
mentais são de natureza desagradável, visões terrificantes, sensações de
deformação do próprio corpo, certeza de morte iminente, etc. São as "más
viagens".
Tanto as "boas" como as "más" viagens podem ser conduzidas pelo
ambiente, pelas preocupações anteriores (o experimentador contumaz sabe
quando não está de "cabeça boa" para tomar o alucinógeno) ou por outra
pessoa. Esse é o papel do "guia" ou "sacerdote" nos vários rituais
religiosos folclóricos, que, juntamente com o ambiente do templo, os
cânticos, etc., são capazes de conduzir os efeitos mentais para o fim
desejado.
Efeitos no resto do corpo
Os sintomas físicos são poucos salientes, pois são alucinógenos
primários. Pode aparecer dilatação das pupilas, suor excessivo,
taquicardia e náuseas/vômitos, estes últimos mais comuns com a bebida do
Santo Daime.
Aspectos gerais
Como ocorre com quase todas as substâncias alucinógenas, praticamente
não há desenvolvimento de tolerância; também comumente não induzem
dependência e não ocorre síndrome de abstinência com o cessar de uso.
Assim, a repetição do uso dessas substâncias tem outras causas que não o
evitar os sintomas de abstinência. Um dos problemas preocupantes com o
uso desses alucinógenos é a possibilidade, felizmente rara, da pessoa
ser tomada de um delírio persecutório, delírio de grandeza ou acesso de
pânico e, em virtude disto, tomar atitudes prejudiciais a si e aos
outros.
Fonte: GREA - Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas
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