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Profissão Repórter e o crack: o lado bom que o programa não mostrou  Artigos sobre drogas e alcool - Site Antidrogas


Fernando Moraes – AI Grupo Viva
O programa Profissão Repórter, exibido pela TV Globo na última terça-feira (04), trouxe a público, mais uma vez, um assunto que tem tirado a paz de muitas famílias brasileiras: o crack.

O repórter Caco Barcelos e os estudantes de jornalismo deram continuidade às histórias de dependentes da substância, contadas em programa exibido no ano passado, mostrando agora sua situação atual. Certeira em levantar uma pauta tão importante, a produção, na visão de especialistas em dependência química, pecou no enfoque dado ao aspecto tratamento.

Ao falar dos personagens atendidos por entidades que atuam na área da dependência de drogas, a reportagem apresentou supostas clínicas de tratamento em que as pessoas internadas realizavam atividades como capinagem, faxina, trabalhos manuais ou com ferramentas.

Porém, o conceito de clínica é o de atividade médica que envolve o diagnóstico e o tratamento de doenças.

Diferentemente do que acontece em comunidades que trabalham com linhas filosóficas ligadas ao modelo de 12 passos, laborterapia (trabalho manual), grupos religiosos e grupos de ajuda.

“É importante destacar isso porque dá a impressão de que o dependente levado a uma clínica sempre vai recair, que o tratamento não adianta. Mas isso não é verdade. O fato é que, em muitos casos, a família é atraída por uma suposta ‘clínica’ para realizar o ‘tratamento’, quando na realidade nada disso acontece. E infelizmente, os meios de comunicação reproduzem este equívoco”, diz a psicóloga Cláudia de Oliveira Soares, diretora terapêutica da Clínica Viva. “Por isso sempre pedimos às famílias que pesquisem muito, para não correrem o risco de confiarem em um serviço inadequado”, complementa.

“Por se tratar de assunto de saúde pública, a dependência química necessita de profissionais qualificados, entre médicos, psiquiatras, psicólogos; com projetos terapêuticos definidos, para que sejam obtidos resultados efetivos no tratamento da doença”, salienta Cláudia Soares.

Recaída
Consequentemente, a reportagem leva desesperança para famílias, por mostrar usuários que iniciaram a recuperação, mas recaíram. O programa não falou sobre todos os aspectos da recaída, cujos riscos são grandes, mas que podem ser minimizados com um tratamento profissional, dentro de um projeto terapêutico eficaz.

De acordo com a psicóloga Luciana Yukiko Ambrósio, da Unidade de Atendimento Psicossocial da Clínica Viva em Votorantim, a dependência química é uma doença de cunho biológica, psíquica e social, o que explica a força terrível da crise de abstinência, que leva à recaída. “A pessoa tem sintomas físicos, dor de cabeça, febre, dores no corpo, mal-estar, ao mesmo tempo em que sofre com sintomas como a sensação de que a fissura nunca vai passar, que vai morrer, como disse um dos personagens na reportagem”.

Por outro lado, segundo o psiquiatra Eduardo Kalina, que já tratou personalidades como Diego Maradona, o uso contínuo do crack pode afetar funções importantes da parte frontal do cérebro, que é a região que permite ao ser humano ser civilizado. “Nós tratamos com medicamentos e fazemos trabalhos cognitivos para fazer a região voltar a funcionar.

Quando ela é atrofiada, a pessoa vira um gorila. Você precisa da parte frontal para pensar em Deus, ter espiritualidade, crenças, filosofia, ver o sentido da vida”, afirmou em entrevista ao Jornal Zero Hora, de Porto Alegre – RS.

Por isso, segundo a psicóloga Luciana, são necessárias intervenções médicas e psiquiátricas, com medicamentos para amenizar os sintomas durante estas crises de abstinência; além de intervenções psicoterapêuticas, que vão trabalhar com o paciente na questão desta abstinência.

Por serem características do dependente químico em abstinência, estas crises são trabalhadas no tratamento, por meio de ferramentas contidas no projeto terapêutico da Clínica Viva. “Orientamos para que ele saiba como lidar com situações que representem riscos de recaída, treinamos habilidades de enfrentamento destas situações, auxiliamos a descoberta de estratégias junto ao paciente para que tenha uma vida saudável”, explica Luciana.

O tratamento, contudo, não pode ter apenas como objetivo a abstinência. Há um período crítico de 2 anos em que os riscos de uma recaída são maiores. Portanto, um tratamento eficaz deve considerar este tempo e oferecer assistência médica e psicológica a este paciente.

Mas, segundo ela, é importante ressaltar que apenas uma equipe multidisciplinar da área da saúde está apta a realizar diagnósticos e intervenções deste nível. “Se a dependência química é uma doença, ser diagnosticada e tratada por não profissionais chega a ser até exercício ilegal da profissão”, alerta.

“O trabalho é complexo. Se para quem é profissional especializado, já é difícil tratar a dependência de crack e outras drogas, imagina para quem não é? Então é óbvio que as pessoas que recorrem a entidades onde não há um trabalho profissional fatalmente irão recair”, finaliza a psicóloga.
Fonte:Assessoria de Imprensa Grupo Viva







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