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Drogas: LSD e Heroína  Notícias sobre drogas e alcool - Site Antidrogas

Um dos maiores ídolos do novo rock, o cantor inglês Pete Doherty, que era da banda Libertines, vai ter de se explicar à justiça britânica: ele responde a um processo por roubo e chantagem. Pete vive entrando e saindo da cadeia em estado de confusão mental, sempre metido em encrencas: é dependente grave de heroína. A heroína é um dos temas de hoje na série "Drogas, a onda química", com o doutor Jairo Bouer.

Só os químicos conhecem o nome completo Dietilamida do Acido Lisérgico, mas o apelido é bem mais simples: LSD, a droga das viagens lisérgicas, que o movimento hippie tornou popular.

"A primeira coisa que eu vi aparecer aqui foi o LSD, que começou a pintar no pedaço e as pessoas começaram a usar. Aí começou a pintar a música, Hendrix e Beatles, aí teve Lucy in the Sky with Diamonds...", conta Sérgio Dias, ex-guitarrista dos Mutantes.

"Lucy in the Sky with Diamonds", canção dos Beatles lançada em 1967, no auge da psicodelia. O nome da música traz as iniciais do LSD.

O LSD foi descoberto em 1943, pelo químico suíço Albert Hoffman. Ele estava pesquisando um fungo chamado ergot, que ataca o centeio. Acidentalmente, Hoffman ingeriu uma quantidade mínima da substância sintética produzida a partir do fungo, que estava retida nas pontas dos dedos dele.

O químico passou horas sob o efeito da droga. Em documentos oficiais ele conta que viu um "ininterrupto espectro de figuras fantásticas, formas extraordinárias com cores intensas e caleidoscópicas".

Na década de 60, o psicoterapeuta Thimothy Leary se tornou um dos principais responsáveis pela popularização do ácido entre jovens americanos. Ele indicava o LSD como forma de expandir a consciência e abrir as portas da percepção! Não é à toa que uma das principais bandas da época se chamava The Doors – as portas.

"O grande barato do LSD... Qual é o sonho de todo mundo? Viver no momento, viver no agora, não é esse o grande barato? Você perder a identidade, perder a consciência", diz Sérgio Dias.

Por que o LSD provoca essas viagens tão malucas?

"O LSD é uma droga sintética que atua em áreas relacionadas à senso-percepção. Ela distorce todas as percepções que a gente tem do mundo. Isso pode ser visual, auditivo, sensorial, até de achar que tem bichos andando pelo corpo", explica o psiquiatra da USP André Malbergier.

E por que os efeitos do LSD voltam de repente, do nada, meses depois que você tomou? Por que dá flash back?

"Na verdade a gente não sabe como isso funciona. Mas semelhante a isso pode ser, por exemplo, quando a gente passa por uma situação de stress intenso, uma ameaça à nossa vida, a gente pode ter uma lembrança fotográfica da situação por vários meses. Com a droga tem outro sentido, mas um efeito semelhante", esclarece Malbergier.

Qual é o risco do LSD?

"Quase todas as drogas estão associadas a um risco maior de desenvolver sintomas psicóticos", alerta o psiquiatra.

"Não dá pra brincar com o LSD, bicho. LSD não é brincadeira, é uma droga potentíssima, seriíssima. Você já tomou um chá com a morte? Já estava numa situação em que achava que ia morrer? É mais ou menos isso", compara Sérgio Dias.

Tem muita gente que você conheceu da geração de músicos dos anos 60 que acabou perdendo o rumo de casa por causa do ácido?

"Com certeza, dezenas... Jim Morrison, Jimmy Hendrix, Janis Joplin, esses caras morreram. Morreram, por quê? Por causa do ácido, da heroína, por causa de um monte de coisa, perderam o controle", conta Dias.

Heroína - a droga da viagem sem volta!

"Desde a década de 50, o uso da heroína contamina a música em todos os níveis. Se por um lado - do sonho, do efeito prazeroso imediato que os opiácios trazem - tem um apelo muito grande, principalmente no mundo pop, por outro lado, é quase uma herança maldita. Custou a vida de pessoas muito criativas", relata o psiquiatra da Unifesp Ronaldo Laranjeira.

A heroína é um opiáceo, ou seja, um derivado do ópio, um suco leitoso que sai da papoula do oriente. Com ópio se produz a morfina, poderoso anestésico. E a partir da morfina, se produz a heroína.

Heroína é tão perigosa assim?

A heroína mata e muito. A droga desliga a capacidade de respirar e isso pode levar à morte. Existem também os danos indiretos. Usuários de heroína costumam compartilhar seringas, o que aumenta a transmissão de doenças infecciosas, como Aids e hepatite.

"É uma droga com alto potencial de dependência, principalmente pela presença maciça de receptores dessa droga no cérebro", explica Malbergier.

Os recepetores são estruturas que existem nas células nervosas, os neurônios. Os receptores são fechaduras à espera de uma chave. A heroína é uma dessas chaves. No cérebro existem receptores específicos aos quais a heroína se liga: são os chamados receptores opióides. Quando chave e fechadura se unem, os efeitos começam.

"O efeito dos opiácios, no caso da heroína, é um efeito relaxante poderoso, prazeroso e imediato", descreve Laranjeira.

A banda inglesa Libertines vive de perto o drama da dependência de drogas. Pete Doherty, um dos vocalistas, tem só 25 anos e já se meteu em barras pesadíssimas por causa do crack e da heroína.

Antes de gravar o segundo CD, Pete ficou três semanas na cadeia porque invadiu a casa do amigo Carl para roubar computadores e instrumentos. Depois disso, fundou uma nova banda, namorou por duas semanas a modelo Kate Moss e continua afundado em drogas.

Numa entrevista, o baixista John Hassal e o baterista Gary Powell disseram como lidam com essa situação.

"Oferecendo apoio, estando lá para quando a pessoa precisar, mesmo que ela nem queira falar com você. E também tendo muita paciência. Eu também já tomei heroína. Tive muito apoio da minha família e dos meus amigos", conta Hassal.

"Para o Pete atingir o máximo do seu potencial, ele precisa colocar a cabeça no lugar", diz Powell.

Felizmente no Brasil a heroína é pouco consumida. "A cultura onde a heroína predominou é a cultura do hemisfério norte, isso desde a guerra do ópio em 1950. A produção e distribuição da heroína ficaram entre Europa, Estados Unidos e Austrália", explica Laranjeira.

Mas a situação está mudando. Nos últimos anos a Colômbia se tornou produtora da papoula, a matéria-prima da heroína, e o Brasil passou a fazer parte da rota para o tráfico de heroína.

"A Polícia Federal conseguiu apreender, somente no ano de 2004, 50 quilos de heroína. É um número preocupante, que fez com que nós redobrássemos nossas atenções nos aeroportos e outros pontos estratégicos no Brasil", declara Celso Darc, da Polícia Federal.

No próximo capítulo vamos falar do ecstasy, a pílula do amor, a droga que está nas baladas, nas festas eletrônicas, nas raves. E também de drogas novas que muita gente consome e não sabe o risco que está correndo!

Fonte: Fantástico




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