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Cerca de 100 crianas so abandonadas a cada ano por mes dependentes de crack em SP  Artigos sobre drogas e alcool - Site Antidrogas



Sem condies financeiras e psicolgicas, mulheres deixam os filhos nos hospitais aps o parto e os bebs so levados para abrigos da cidade.

Cerca de 100 crianas so abandonadas por mes dependentes qumicas a cada ano em So Paulo, segundo aponta a juza da Primeira Vara da Infncia e Juventude do estado.

"Eu poderia dizer que ns temos em mdia umas duas crianas acolhidas nessa situao por semana. H semanas que ns temos mais bebs, h semanas que ns temos menos. Mas h uma constncia dessa situao, n? Que nem to recente uma situao que j vem de algum tempo. So mes que na maioria das vezes chegam j em trabalho de parto nos hospitais, muitas at sob efeitos de drogas ou que so atendidas na rua, que do luz na porta da maternidade, na praa, so levadas pela polcia militar, enfim, revela Cristina Ribeiro Leite Balbone Costa.

As histrias se repetem. Cristina j atendeu casos de mulheres com mais de dez filhos. A juza responsvel pelo servio da regio Central de So Paulo, que concentra a populao em situao de rua da cidade. Entre elas, usurias de drogas da Cracolndia, no bairro da Luz.

Muitas chegam at ns e no a primeira passagem. Ns temos a quinta, stima gestao, dcima. Chegamos a ter at uma dcima stima gestao. So mes que j so at conhecidas do nosso setor, afirma.

em situao precria que as mulheres engravidam e tm os filhos nos hospitais da regio, que acionam o poder judicirio. Sem condies financeiras e psicolgicas, com muita frequncia elas abandonam os filhos nos hospitais e os bebs so levados para abrigos. Ao todo, so 18 na regio central e 200 na capital paulista.

Quando nenhuma pessoa da famlia localizada, as crianas ficam disponveis para adoo. Uma espera que pode demorar meses, anos ou no acontecer.

Depois de dez meses a pediatra Mnica Bittencourt conseguiu adotar a filha que hoje tem pouco mais de dois anos. A concepo e a gestao da menina ocorreram nas ruas.

A gente encontrou uma criana muito bem cuidada no abrigo, nutricionalmente bem, adequada, uma criana bem estimulada, que estava dentro do desenvolvimento normal. E ela hoje uma criana de dois anos e cinco meses absolutamente normal.

Mnica voluntria no poder judicirio. Faz palestras para pais interessados em adotar e conhece muito bem a realidade desses bebs.

Algumas crianas de fato so filhas de me soropositivas, mas no se tornam soropositivas. O maior problema de filhas de me usurias de droga so a prematuridade, o baixo peso ao nascer, o que no quer dizer que para sempre vo ser desnutridas, vo estar abaixo. Isso com cuidado, alimentao adequada, cuidado peditrico de rotina, se torna normal, fica dentro dos parmetros de uma criana normal.

Com esse tipo de esclarecimento as restries para crianas filhas de mes usurias de drogas e alcolatras bem menor.
"O perfil dos pretendentes adoo de no encontrarmos esse preconceito. So casos isolados vamos dizer assim, porque eles j vem qdo vem fazer o curso j sabem a realidade, j tem essa informao, j sabem que a realidade dessa regio central, que a maioria dos casos que vamos acolher e vamos poder colocar em adoo so crianas nesse sentido.

Protegidos da vida nas ruas, recebendo alimento e afeto, os bebs se desenvolvem sem problemas mais graves, atesta Antnia Bello Todeschin, coordenadora de abrigo no Centro de SP, que atua h mais de dez anos no servio.

"[So] Crianas to fortes que j venceram a primeira batalha da vida ao nascer. Elas vm de uma situao muito difcil, que a gente olha para ele, to pequeno e pensa o que j aconteceu na vida deles. Ento a gente procura amenizar um pouco isso. A gente d muito carinho, muito colo, muito amor. E eles tm uma capacidade de se recuperar, eles so felizes.







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