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Cafeína: efeitos no cérebro e no comportamento   Artigos sobre drogas e alcool - Site Antidrogas



Introdução

A cafeína é uma substância presente em bebidas e alimentos e vem sendo consumida pelo homem há milhares de anos. O chá é cultivado e consumido na China desde 350 d.C. e o cultivo do café se alastrou da Etiópia para a Arábia no século XV, tornando-se popular nos países de cultura árabe a partir do século XVI.
A Holanda importou a cafeína na forma de café dos países árabes em meados do século XVII e neste mesmo século, o consumo de café se alastrou por toda Europa. Na Inglaterra, o uso do café foi paulatinamente suplantado pelo consumo de chá, onde este se tornou a bebida de preferência na primeira metade do século XVIII.
Nos Estados Unidos, a troca do uso do chá pelo café aconteceu em 1773 quando os colonos lançaram sacos de chá ao mar no porto de Boston em protesto aos impostos britânicos. As repercussões deste evento continuam até os dias atuais visto que os Estados Unidos são atualmente o principal consumidor de café no mundo.
No final do século XIX a cafeína começou a aparecer na composição de vários tipos de refrigerantes e no século XX esta surge na composição de bebidas energéticas ou energy drinks.

Classificação diagnóstica

A Associação Americana de Psiquiatria incluiu, pela primeira vez, os “transtornos pelo uso da cafeína” na terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais – (DSM-III) em 1980.
Naquele momento, a intoxicação pela cafeína, foi incluída como um transtorno discreto e de critérios específicos. Em edições sucessivas do DSM, a intoxicação pela cafeína permaneceu, e apenas no apêndice da quarta edição (DSM-IV) foram incluídos critérios para abstinência de cafeína como uma “categoria proposta que requer estudo adicional”.
Atualmente, a quarta edição revisada do DSM (DSM-IV-TR) sugere que pesquisas adicionais são necessárias para se firmar a “abstinência de cafeína” como uma síndrome discreta. O DSM-IV-TR também incluiu os diagnósticos de “ansiedade induzida pela cafeína” e “cafeína induzindo distúrbio de sono” que são condições nas quais sintomas específicos (ansiedade, perturbação do sono) requerem atenção clínica. Abuso de cafeína e dependência de cafeína não são critérios diagnósticos incluídos no DSM-IV-TR, embora existam evidências de que alguns pacientes possam apresentar uma síndrome de dependência de cafeína.
A décima revisão da Classificação Internacional de Doenças e Problemas de Saúde Relacionados (CID-10) contém critérios para intoxicação de cafeína (“intoxicação aguda devido ao uso de outros estimulantes, inclusive cafeína”) e também inclui várias outras categorias diagnósticas que podem ser aplicadas à cafeína como “uso prejudicial," “dependência” , e "abstinência” de outros estimulantes, inclusive cafeína.
Assim, devemos considerar que o DSM tende a restringir os transtornos relacionados ao uso da cafeína enquanto que o CID-10 apresenta uma forma mais inclusiva de condições associadas ao uso da cafeína.

Consumo de cafeína e tabela de equivalência

A cafeína pode ser encontrada em bebidas (cafés, chás, refrigerantes), comidas (chocolate), e medicamentos, embora a maior parte da cafeína consumida seja derivada do café, chá, e refrigerantes.
As estimativas de consumo de cafeína requerem o conhecimento da quantidade de cafeína existente nas diferentes fontes desta substância. Também, pode haver uma variabilidade dentro da mesma categoria. Por exemplo, uma xícara de 180 ml de café pode conter de 20 mg a 150 mg de cafeína dependendo do modo de feitio. Igualmente, refrigerantes de diferentes marcas podem conter de 23 a 71 mg de cafeína por 360 ml. A tabela abaixo oferece uma lista da quantidade de cafeína presente em alguns produtos.

Quantidade de cafeína presente em alimentos e medicamentos



Farmacologia da Cafeína e Efeitos no Organismo

A cafeína é uma metilxantina, como a teofilina (tipicamente usada no tratamento da asma). Ela é bem absorvida do trato gastrointestinal, com pico de concentração plasmática de 1 hora após a ingestão. A cafeína é distribuída por todo o corpo e metabolizada pelo fígado. Embora existam várias vias metabólicas da cafeína, esta é principalmente metabolizada pelo sistema P450 1A2 e sua meia-vida (tempo que a substância leva para perder 50% de sua atividade), é de aproximadamente 5 horas. A taxa de eliminação de cafeína é aumentada pelo uso concomitante de tabaco, anticoncepcionais orais, cimetidina, e fluvoxamina.
Os efeitos da cafeína no organismo incluem: broncodilatação (o que explica o uso terapêutico da cafeína e teofilina no tratamento da asma); aumentos discretos na pressão sanguínea; aumento da produção de urina; aumentos da secreção ácida gástrica; e aumentos da adrenalina e noradrenalina, renina e ácidos graxos livres.
No Sistema Nervoso Central, a cafeína interfere nos níveis de vários neurotransmissores e funciona como um estimulante. Muitas evidências indicam um importante papel da dopamina na mediação dos efeitos comportamentais estimulantes da cafeína.

Doses recomendadas

O nível de cafeína recomendado com segurança para adultos saudáveis é de 400 a 450 mg/dia, em mulheres grávidas este valor cai para 300 mg/dia. A média diária de consumo de café para todas as idades nos Estados Unidos é de 2.79 mg/kg e o consumo diário de cafeína por consumidores adultos é de aproximadamente 280 mg por dia.

Cafeína e Gravidez

Um grupo de pesquisadores americanos analisou medições seriadas de paraxantina, o principal metabólito da cafeína, em gestantes participantes do estudo Collaborative Perinatal Project. Os autores compararam 487 mulheres com aborto espontâneo ocorrido antes da 20ª semana de gestação com 2.087 pacientes cuja gravidez teve curso normal entre 1959 e 1966. Os dados estatísticos mostraram que as concentrações de paraxantina foram maiores no grupo que sofreu aborto (725 ng/dl), em comparação com o grupo de controle (583 ng/dl) (p < 0,001). No entanto, o risco de aborto espontâneo só foi superior nas participantes com cifras de paraxantina acima de 1845 ng/dl, depois de ajustar dados segundo idade, tabagismo e raça. O consumo elevado de cafeína está associado a um risco aumentado de aborto espontâneo, lembrando-se que mulheres grávidas devem consumir até 300 mg/dia.

Fredholm BB, Battig K, Holmen J, Nehlig A, Zvartau EE: Actions of caffeine in the brain with special reference to factors that contribute to its widespread use. Pharmacol Rev. 2005;51:83.
Fonte: Site Álcool e Drogas sem Distorção (www.einstein.br/alcooledrogas)/Programa Álcool e Drogas (PAD) do Hospital Israelita Albert Einstein







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