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Síndrome psicótica relacionada ao uso de êxtase   Notícias sobre drogas e alcool - Site Antidrogas


O êxtase é uma droga sintética, neurotóxica, que associa efeitos alucinógenos (mudança na percepção da realidade) com efeitos estimulantes e pode acarretar o surgimento súbito de psicose secundária, induzida pelo uso de substâncias, como drogas estimulantes e alucinógenas, medicamentos e/ou por outras patologias.

A despeito da indefinição da freqüência de sintomas e surtos psicóticos causados pelo uso de êxtase, existem inúmeros relatos de casos na literatura contemporânea que confirmam tal correlação. Geralmente, os indivíduos mais propensos a desencadearem síndromes psicóticas são os usuários crônicos, porém aqueles que usam a substância de maneira recreacional ou uma única vez, ou o fazem esporadicamente também estão sujeitos.

Artigo publicado pelo Jornal Brasileiro de Psiquiatria, em 2007, buscou verificar, por meio de um relato de caso, a correlação entre o uso periódico de êxtase e o desencadeamento de uma síndrome psicótica chamada síndrome de Cotard.

A síndrome de Cotard ou delírio de negação de órgãos, é a crença delirante de estar morto ou de que seus órgãos inexistam ou estejam paralisados ou podres. O artigo relata o caso de um homem de 23 anos que apresentou transtorno delirante com predomínio de delírios hipocondríacos e alucinações olfativas – característicos do delírio de Cotard – após exposição crônica ao MDMA (droga sintética conhecida como êxtase).

O rapaz foi levado ao serviço psiquiátrico pelos pais, que relataram que há dois meses ele havia mudado o seu comportamento. Abandonou o trabalho, isolou-se no quarto exibindo higiene pessoal precária. Apresentava um discurso constante de que estava muito angustiado, pois seus órgãos intestinais estavam totalmente “paralisados e putrefatos” exalando um “intenso odor fétido” e que não mais se sentia a mesma pessoa.

O rapaz não relatava sintomas depressivos, como idéias de ruína, de culpa, sentimentos de tristeza, desesperança ou morte, o que corroborou para a hipótese de síndrome psicótica induzida por estimulantes e não funcional. Além do relato de estar consumindo êxtase, em média, uma vez por semana, há dois anos.

O diagnóstico estabelecido foi de transtorno psicótico predominantemente delirante, com sintomas de síndrome de Cotard, decorrentes do uso de estimulantes, no caso, o MDMA ou êxtase. O paciente foi orientado a manter a suspensão do êxtase, sendo introduzido o antipsicótico olanzapina na dose de 5 mg/dia com o intuito de remissão total dos sintomas e restabelecimento das atividades.

Após duas semanas do uso do medicamento, o rapaz estava mais sociável, com higiene cuidada, mas ainda reportando-se aos sintomas psicóticos; fato determinante para a elevação da dose de olanzapina para 10 mg/dia. Passados dois meses, o rapaz retornou com remissão completa dos delírios somáticos e alucinações, o que possibilitou a redução progressiva do antipsicótico até a suspensão, em seis meses, e o restabelecimento de suas atividades de trabalho.

Durante o acompanhamento de seis meses, o rapaz não apresentou nenhum sintoma, estava freqüentando o grupo de Narcóticos Anônimos e em abstinência.

Na conclusão do artigo, os autores enfatizaram que a MDMA pode desencadear vários transtornos psiquiátricos, sendo o mais patente a psicose secundária. Ressaltam, também, que o antipsicótico olanzapina pode ser uma opção eficaz no tratamento de psicoses induzidas por êxtase como foi evidenciado no seguinte relato de caso.
TÍTULO ORIGINAL: Síndrome de Cotard associada ao uso de ecstasy.
Fonte: NICOLATO, R.; PACHECO, J.; BOSON, L. et al. - OBID




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