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Representações sociais da cocaína  Notícias sobre drogas e alcool - Site Antidrogas

A Teoria das Representações Sociais pressupõe que a representação social é uma construção, uma expressão do indivíduo ou de um grupo, embasada em valores, saberes, atitudes e opiniões; o que faz com que haja o estabelecimento de significados, por meio da simbolização e da interpretação, definindo o objeto representado.

Em relação ao consumo de drogas, faz-se necessário investigar a representação social de estudantes universitários da área de saúde e do direito acerca desse consumo, em especial ao da cocaína. Principalmente, por ser este consumo determinante nas práticas profissionais futuras destes profissionais. Pois existe uma expectativa que suas ações vindouras sejam direcionadas a uma intervenção multidisciplinar, que contribua com a promoção e a prevenção da saúde. Além disso, também é importante investigar os efeitos adversos dessa substância, suas conseqüências e o uso por essa população de estudo.

O artigo publicado pela Revista Estudos de Psicologia (Campinas), em 2007, buscou averiguar as representações sociais do consumo de cocaína por estudantes, em final de curso, da área de ciências da saúde e jurídica da Universidade Federal da Paraíba.

A população de estudo contou com 100 estudantes, a maioria do sexo feminino, com média de idade de 27 anos. Para a coleta de dados, foi utilizada uma entrevista semi-estruturada, aplicada individualmente e gravada.

Os resultados explicitaram que em relação às representações sociais dos estudantes de ciências da saúde, 36% disseram que a cocaína era um estimulante do sistema nervoso central, seguido de 32% que afirmaram tratar-se de um alucinógeno e 13% ser uma base de anestésicos. Quanto aos estudantes de direito, 55% disseram tratar-se de uma droga, 16% de um derivado da folha de coca e 28% de um alucinógeno.

As causas mais comuns para o consumo de acordo com os estudantes da área da saúde são: 44% para fuga dos problemas, 28% utilizavam para obtenção de prazer, 15% por curiosidade e 13% sob a influência de amigos. Já os da área jurídica, 41% disseram que a causa é a fuga dos problemas, 28% para o prazer, 13% por curiosidade e 18% por influência dos amigos.

Em relação às incidências das conseqüências do consumo, 37% dos universitários da área de saúde destacaram problemas na esfera familiar, 14% social e 49% profissional. Entre os estudantes de direito, na esfera social foi 61%, na familiar 25% e 14% na área profissional.

Dentre os tipos de tratamento para os usuários, foram apontados pelos estudantes de saúde: 26% tratamento médico, 25% tratamento psicossocial, 37% tratamento não-especificado e 12% grupos de apoio. Já entre os universitários de direito, 17% apontaram o tratamento médico, 41% tratamento psicossocial e 29% grupos de apoio.

Os autores concluíram que as representações sociais dos estudantes de saúde eram norteadas pelo modelo biomédico tradicional, haja vista a ênfase nos aspectos físicos e orgânicos. Em relação aos estudantes de direito, o escopo de suas representações sociais embasava-se em questões éticas, de cunho legal e moral, estabelecendo o uso de drogas como um ato transgressor.

Evidenciou-se também a necessidade de pôr em prática estratégias que subsidiem a formação de profissionais, principalmente das suas práticas futuras de intervenção de acordo com a necessidade dos dependentes e seus familiares, assim como a promoção em saúde. A pesquisa sugere ainda que sejam feitos outros estudos para uma melhor compreensão do tema abordado.

Texto resumido pelo OBID a partir do original publicado pela Revista Estudos de psicologia (Campinas), São Paulo, 24(3): 315-323, 2007. ISSN 0103-166X. Editada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Título Original: Representações sociais da cocaína: estudo comparativo entre universitários das áreas de saúde e jurídica.

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OBID Fonte: AUTORES: ARAUJO, L. F.; GONTIES, B.; NUNES JUNIOR, J.





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