Notícias

ONGs lideram combate   Notícias sobre drogas e alcool - Site Antidrogas


A principal ajuda para quem tenta se livrar das drogas ou do álcool no Brasil vem de organizações não-governamentais. Cerca de 60% das ações de prevenção, tratamento e redução de danos para dependentes são realizadas por instituições sem vínculo direto com o governo. A maior parte leva em conta a concordância do paciente no tratamento e a participação da família na recuperação. O levantamento com o perfil das entidades que trabalham no combate ao uso abusivo de álcool e drogas será apresentado hoje pela Secretaria Nacional Antidrogas - Senad, durante o 1º Seminário Internacional da Rede de Pesquisa sobre Drogas, no Palácio do Planalto.

O Mapeamento das Instituições governamentais e não governamentais de atenção às questões relacionadas ao consumo de álcool e outras drogas no Brasil foi realizado pela Senad em parceria com a Universidade de Brasília - UnB. O trabalho catalogou 9.038 instituições, com ações que vão desde projetos de prevenção nas escolas a atendimentos em comunidades terapêuticas, com os mais variados tipos de tratamento. O estudo pretende ampliar parceria do estado com a sociedade civil no combate a dependência.

“Apesar de todo esforço governamental de criar instituições públicas para usuários de álcool e drogas, no Brasil prevalece o atendimento ao público alvo nas instituições não-governamentais”, afirma a assistente social Denise Bomtempo, coordenadora da pesquisa na Senad. Professora do Departamento de Serviço Social da UnB, Denise explica que o mapeamento vai permitir à Senad saber como as entidades funcionam, qual a rotina do atendimento e a qualificação dos profissionais, além da estrutura física e financeira.

“A maioria dos trabalhos é de voluntários”, avalia a pesquisadora. Denise analisou 1.642 entidades que responderam aos questionários da pesquisa e ressalta limitações como, por exemplo, a falta de transporte. “Das 574 que atuam na redução de danos, com atividades para diminuir o impacto das drogas e álcool entre os dependentes, 311 não possuem veículos. Ou seja, não têm como ir até os usuários. Esse tipo de atividade é realizado na própria sede da instituição”, explica. Apesar das dificuldades apontadas pela pesquisadora, a Senad não concluiu os dados para saber qual o percentual de instituições voluntárias de fato e das que cobram pelos serviços.

Articulação em vista

A secretária-adjunta da Senad, Paulina Duarte, observou, no entanto, que várias das entidades catalogadas devem receber apoio financeiro. “Os recursos podem vir do Ministério da Assistência Social e até das prefeituras”, exemplifica. Segundo Paulina, a partir do mapeamento, a Senad vai discutir com o Ministério da Saúde a possibilidade de articulação das comunidades terapêuticas com a rede básica de saúde do Sistema Único de Saúde - SUS, que faz o tratamento de usuários de bebidas alcoólicas e de drogas.

Terminado o levantamento de dados das instituições, a Senad pretende capacitar as instituições que fazem trabalho voluntariado, além de viabilizar formas de captação de recursos para os trabalhos tidos como exemplares. A terceira e última etapa vai avaliar se o atendimento oferecido está de acordo com a natureza do serviço prestado e com a eficácia do tratamento. A Senad pode, inclusive, levar ao conhecimento dos órgãos de fiscalização situações irregulares constatadas.

O trabalho vai contribuir para a atualização do banco de dados disponível no Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas – OBID, da Senad. O sistema vai ajudar o projeto Viva Voz a fornecer por meio de ligação telefônica informações sobre drogas e onde usuários podem buscar ajuda. “Talvez esse seja um dos mais importantes projetos no atual estágio da política sobre drogas no Brasil, porque vai nos dar uma idéia real da situação do país em relação a recursos comunitários que trabalham na área de drogas”, afirma Duarte.

Brasil e Portugal unidos

Pesquisadores brasileiros e portugueses estão em Brasília para trocar experiências sobre as políticas públicas em relação a álcool e outras drogas consumidas nos dois países. Reunidos desde ontem para o 1º Seminário Internacional da Rede de Pesquisa sobre Drogas, o grupo de cerca de 200 pessoas faz parte de uma ação integrada coordenada pela Secretaria Nacional Antidrogas - Senad.

O projeto do governo Federal em parceria com o governo português, por meio do Instituto da Droga e da Toxicodependência, reúne vários centros de pesquisa para trocar experiências e desenvolver atividades em conjunto, além de promover o conhecimento científico sobre trabalhos acadêmicos que abordam o uso abusivo de álcool e o consumo de drogas. Para o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix, a rede contribui para regionalizar as ações preventivas e retira a pesquisa acadêmica do eixo Sul e Sudeste, onde se concentra a maior produção do conhecimento científico na área. “Uma solução boa para São Paulo e Rio de Janeiro pode não servir para o Norte ou Nordeste”, diz. Segundo Félix, a rede pretende estender a parceria para a União Européia.

Durante a abertura do seminário ontem, seis pesquisadores receberam premiação por trabalhos científicos sobre o assunto. No total, os contemplados receberam R$ 38 mil reais em prêmios. “Tivemos 37 inscritos entre dissertações de mestrado e teses de doutorado”, afirma Duarte. A intenção da Senad é viabilizar a formação de recursos humanos em universidades onde hoje não existem pesquisas sobre drogas.

Entre os trabalhos premiados está uma tese de doutorado de um pesquisador da Universidade Federal de São Paulo: Políticas municipais relacionadas ao álcool — análise da lei de fechamento de bares e outras estratégias comunitárias em Diadema. “Na maioria das vezes, a violência, acompanhada de álcool, ocorre por motivos fúteis, como brigas de bar. Essa realidade deve existir no Brasil inteiro”, avalia Sérgio Dualibi, autor da pesquisa.

Segundo Dualibi, restrições como a lei seca podem, inclusive, atingir o tráfico. A pesquisa constatou que muitos bares e-ram utilizados por traficantes à noite para vender drogas. “A limitação de ponto de vendas - de drogas, também foi um fator que diminuiu a violência com a implantação da lei seca em Diadema”, avalia.
Fonte: Correio Braziliense - DF - OBID







Publicidade









Apoio



Copiadora Campos
Art & Design

Toldos Campos
Toldos - Paineis - Adesivos





Mauricar
Dando mais saúde à vida de seu veículo