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Relatos do desespero  Notícias sobre drogas e alcool - Site Antidrogas


Pradópolis (SP) - Craques como o ex-jogador Paulo Egidio e o atual lateral do Roma, Cicinho, além de outros garotos que foram para times menores no exterior, inspiram os meninos de Pradópolis, cidade do interior de São Paulo com 15 mil habitantes, a buscarem a fama nos gramados. Eduardo Mortarelli perseguiu o mesmo sonho dos conterrâneos, apoiado pelo pai, Sílvio, e a mãe, Ritamar. Os anos fora de casa, jogando em diversas cidades brasileiras e até em Portugal, hoje são motivo de lamento do casal. O filho se viciou em crack. Quando voltou a morar com a família, roubou quase tudo que havia dentro de casa. Foi internado duas vezes, na primeira acabou expulso por conseguir que a droga entrasse na clínica. Na última tentativa de tratamento, fugiu.

"É difícil aceitar que coloquei um filho saudável no mundo, idealizei um futuro brilhante para ele, e ele chega a esse ponto", desabafa o pai, Sílvio. Ritamar, de olhos marejados, é a imagem das mães assoladas pelo vício dos filhos. "Nas crises, ele usa e some por dias. Já fui atrás dele em tudo quanto é boca, no cemitério, em meio de matagal", conta. Drama igual passam famílias da mesma cidade dos Mortarelli, só que com condições financeiras menos favoráveis e pouco esclarecimento. Antonio da Silva, baiano de Catolé, 25 dos 43 anos de idade passados na lavoura da cana, perdeu as contas de quantas vezes foi chamado no juizado por conta dos problemas do filho com o crack.

Com 16 anos, Bruno*, filho de Antonio, trabalha para o tráfico em Pradópolis. De cada cinco pedras vendidas, ganha uma. "Ele emagreceu muito, não come mais, deixou de ir na escola. Agora estou tentando uma vaga de tratamento para ele. Mas disseram que custa R$ 500 por mês", conta Antonio, que ganha como servente de lavoura de R$ 600 a R$ 800, dependendo da produtividade. Pedro* e Vanda* passam por calvário parecido. Conseguiram a vaga para Igor*, de 15 anos, numa clínica em Minas Gerais, mas temem não conseguir honrar os R$ 550 da mensalidade. "Nós pagamos uma parte e a prefeitura completa a outra metade. É difícil, porque meu marido recebe aposentadoria e não temos outra renda", desabafa Vanda.

Afastado do trabalho depois que um guindaste capaz de suspender 18 toneladas de cana caiu em suas costas, Pedro segue para a 37a cirurgia. Mas antes quer ver o filho, internado há cerca de dois meses. "Não tenho medo de operação, era para eu estar morto por causa do acidente, mas parece que ficarei mais tranquilo se for visitar o Igor logo", explica. O homem de 66 anos, ao lado da esposa de 37, tenta acostumarse com a idéia de, pela primeira vez nos últimos 15 anos, passar um Natal longe do menino. "Mas sei que é para o bem dele, e nosso também. Eu tenho fé que ele será um grande homem quando crescer", afirma a mãe.

Nos cálculos da família, Igor começou a usar crack dois anos atrás. A mãe ficou apavorada quando o menino apanhou por conta de débitos com os traficantes. Dos R$ 700 que o garoto devia, ela já conseguiu pagar quase tudo. "Juntei com minhas irmãs e demos uma boa parte. Agora só faltam R$ 150", conta Vanda, que no início procurou ajuda de outras mães que passam pelo mesmo problema para identificar o que estava ocorrendo em sua casa. Sílvio e Ritamar também buscaram apoio num grupo de terapia, chamado Amor Exigente. A internet virou outra aliada do casal. "Já baixei vídeo no Youtube, pesquisei em diversos sites sobre dependência química. Não sei de onde tirar, mas temos de ter esperanças", desabafa o pai.

A mãe, Ritamar, ressente-se da falta de apoio do governo no sentido de abrir mais clínicas, atender os pais. "O sentimento de abandono, de não ter a quem apelar, é total", diz. Ciente das artimanhas do filho, que chegou a inventar mentiras com o nome da família na rua para conseguir dinheiro de conhecidos, ela condena a prática comum no Brasil de dar esmolas. "A sociedade muitas vezes faz sem saber", diz. Num misto de raiva e sofrimento, Ritamar lembra do quanto foi roubada em sua casa. "Relógios, seis bicicletas, tênis, roupas. Chegamos ao ponto de por a polícia no meio, mas parece que eles não têm medo de nada", conta, chorosa.

*Nomes fictício

Tragédias familiares
Confira casos violentos envolvendo o crack:

Porto Alegre, 12 de abril de 2009
No meio de uma discussão no domingo de Páscoa, a aposentada Flávia Costa Hahn, 60 anos, mata com um tiro no pescoço o único filho,Tobias Lee Manfred Hahn, 24 anos, usuário de crack.Presa em flagrante,Flávia afirma que o filho já tinha ameaçado matar a família várias vezes. O tiro teria sido acidental.

Salvador, 13 de julho de 2009
Viciado em crack desde os 14 anos, Diogo Bispo de Jesus, de 23, mata os pais com 60 facadas.Diógenes Bispo de Jesus, de 60 anos, e Solange Bispo de Jesus, de 42, são assassinados no apartamento em que os três viviam.O crime e os corpos , largados em cima da cama, só são descobertos dias depois.

Salvador, 16 de julho de 2009
O pavor leva a viúva Ana Maria de Cerqueira, 49 anos, denunciar a filha, viciada em crack, para a polícia, depois que traficantes invadiram sua casa, na Boa Vista de São Caetano, para receber dívida de R$180 contraída pela jovem, Ana Luzia, 21 anos, em uma boca-defumo do bairro.

Rio de Janeiro, 24 de outubro de 2009
Bruno Kligierman de Melo, de 26 anos, viciado em crack desde os 20, estrangula a estudante Bárbara Chamun Calazans Laino, de 18 anos, que era sua amiga.O pai do rapaz, o produtor cultural Luiz Fernando Prôa Melo, chama a polícia depois de receber um telefonema desesperado do filho,que morava sozinho.
Fonte:Correio Braziliense / ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)







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