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Com atendimento preferencial, idosos se entregam ao crack em MG  Notícias sobre drogas e alcool - Site Antidrogas


R7
Muitos deles usam o dinheiro da aposentadoria para sustentar o vício no entorpecente.

Os quatro netos de um homem de 66 anos não podem visitá-lo em seu barracão, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. No imóvel, as crianças também não poderiam tomar nem sequer um leite quente. O fogão do avô foi vendido, assim como os móveis, as roupas e até o chuveiro elétrico. Ele trocou todos os pertences por algumas pedras e um cachimbo. O filho, de 36 diz que a casa do pai virou uma “verdadeira cracolândia”. Ele é o único da família que ainda frequenta a moradia, onde prostitutas, usuários e traficantes de drogas transitam diariamente. As informações são do Hoje em Dia.

A história deste idoso ilustra a chegada do crack à terceira idade. Especialistas dizem que os idosos têm recorrido à droga à procura de uma nova forma de prazer e para superar dificuldades típicas da velhice. Afirmam que a maioria custeia o vício com a aposentadoria e chega até a fazer empréstimos bancários para isso. Alertam também que as redes de saúde pública e privada não estão preparadas para identificar e tratar dependentes químicos com mais de 60 anos de idade.

O fenômeno é relativamente novo, mas já era mais do que esperado, diz a professora de Enfermagem Psiquiátrica da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto, Sandra Pillon.

No Brasil, vivem 21 milhões de idosos, o equivalente a 11% da população, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Não há estudos de saúde pública sobre a quantidade e o perfil dos usuários de crack sexagenários. Em Minas Gerais, por exemplo, o assunto é tratado como incipiente pela Subsecretaria Antidrogas do Estado. Por meio da assessoria de imprensa, a subsecretaria informou que não poderia se posicionar sobre o assunto por falta de informações.

Já o presidente do Conselho Estadual do Idoso, Felipe Willer, vê como alarmante o crescimento do número de dependentes químicos com 60 anos ou mais. Como não há estatística sobre o assunto no Brasil, Sandra Pillon se baseia em pesquisas internacionais para comprovar a chegada das pedras à terceira idade.

- Estima-se que os idosos representem até 20% dos dependentes químicos na sociedade mundial.

Sandra realizou uma pesquisa com 191 idosos que procuraram o Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e outras Drogas, entre 1996 e 2009, em Ribeirão Preto. O estudo, publicado em 2010, revelou que 86% deles são aposentados e que as drogas ilícitas de maior uso são, respectivamente, o crack, a cocaína e a maconha.

Fila com atendimento preferencial

Nas bocas de fumo de Belo Horizonte, idosos chegam a ter preferência na fila para a compra de crack. Como em hospitais e bancos, os mais velhos podem passar na frente para retirar o produto.

Um outro idoso, de 64 anos, conta chegou a passar 72 horas em claro por efeito da droga. Depois de passar seis meses em um centor de reabilitação, se livrou do vício, mas deve agora R$ 4.000.

Diferentemente dos jovens, os moradores de rua idosos não são os maiores consumidores de crack. A afirmação é do coordenador do Centro de Referência da População de Rua em Belo Horizonte, Luis Aloísio.

- Primeiro, porque a maioria não sobrevive até os 60 anos. E, segundo, porque eles não têm dinheiro para comprar.

Sistema de saúde deficiente

O sistema de saúde no Brasil é deficiente tanto na prevenção quanto no tratamento de idosos usuários de álcool e drogas, afirma a professora da USP Sandra Pillon.

A fragilidade dos registros durante uma simples triagem médica é uma das críticas da pesquisadora.

- Os profissionais costumam não questionar se o idoso é usuário ou não de drogas.

Para ela, o ideal seria que os funcionários fossem capacitados para detectar os hábitos de qualquer paciente, seja qual for a idade.
- Não pode existir esse pressuposto de que uma pessoa maior de 60 anos não usa crack ou cocaína.

Além dessa falha no primeiro contato com o dependente químico, são poucas as instituições que oferecem tratamento adequado para pessoas com mais de 60 anos. Quando procurou se internar, o funcionário público de 64 anos, não foi aceito em diversas unidades terapêuticas, inclusive particulares.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)







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