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Preço do crack está mais baixo para traficantes cariocas  Notícias sobre drogas e alcool - Site Antidrogas


O Dia
Com proibição da venda no Jacarezinho, fornecedores que trazem crack de SP cobram menos dos chefes do tráfico no Rio.

O anúncio feito em junho por traficantes da favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro, de que a venda do crack seria proibida fez baixar o preço da droga vendida por fornecedores que adquirem o produto em São Paulo. A comunidade era considerada a maior cracolândia da cidade.

Segundo informações que chegaram a um agente da Dcod (Delegacia de Combate às Drogas), no Rio de Janeiro, no atacado, o quilo do crack puro custava R$ 11 mil e com mistura R$ 9 mil. Após o anúncio de que a venda seria proibida, o preço teria caído para R$ 9 mil e R$ 7 mil, respectivamente.

A polícia disse que traficantes "intermediários" adquirem o quilo do crack em São Paulo por R$ 5 mil a R$ 7 mil. Quando repassam o produto para criminosos do Rio, vendem cada quilo com um "ágio" de R$ 1 mil se o pagamento for à vista ou R$ 2 mil, se for parcelado, como normalmente acontece. A droga chegaria em tabletes nas favelas.

De acordo a polícia, em favelas do Rio, para cada quilo vendido do crack nas bocas de fumo (varejo), seja ele puro ou misturado, os traficantes arrecadariam R$ 30 mil, tendo um lucro de quase R$ 20 mil. Nas bocas de fumo, a pedra mais barata de crack custaria R$ 5 e a mais cara, R$ 50.

A fonte da polícia disse ter informações de que, por mês, os traficantes venderiam cerca de meia tonelada de crack em favelas de todo o estado. Só o Jacarezinho e Manguinhos seriam responsáveis por, pelo menos, 100 kg.

Cartazes

A polêmica em torno da proibição da venda do crack começou na segunda quinzena de junho quando apareceram no Jacarezinho cartazes e placas anunciando que a comercialização seria proibida. Na ocasião, a ONG Rio de Paz, que descobriu os cartazes, revelou ter recebido informações de que a proibição se estenderia para as comunidades vizinhas da Mandela e de Manguinhos e que poderia se espalhar também por outros redutos da facção criminosa Comando Vermelho (CV).

Passado um mês do início da polêmica, o crack continua sendo apreendido no Jacarezinho e pessoas continuam sendo vistas consumindo a droga nos arredores da favela. A delegada Valéria Aragão, titular da Dcod, afirmou que a proibição da venda ainda não é algo totalmente confirmado e questiona se os traficantes vão cumprir o que anunciaram. Ela disse investigar se o crack que continua sendo apreendido na comunidade faria parte de algum estoque ou seria distribuído para outras favelas do CV.

Uma investigação recente feita pela 81ª DP (Itaipu, Niterói) captou uma conversa entre um traficante do Jacarezinho e um comparsa em que o primeiro fala sobre a proibição da venda do crack na comunidade e o plano de se tornar abastecedor da droga para outras favelas.

De acordo com o agente da Dcod ouvido, o anúncio para a proibição teria chegado também ao morro da Mangueira, na Zona Norte, que está ocupado por uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), em comunidades da Tijuca e em favelas da Zona Sul, inclusive da facção Amigos dos Amigos (ADA), rival do CV. Afirmou ainda que as pessoas que ainda consomem a droga nos arredores do Jacarezinho, comprariam o crack em Manguinhos, que estaria no estoque final.

Estratégia

Para a delegada Valéria Aragão, o anúncio da proibição da venda do crack pode ser uma estratégia do tráfico para diminuir o número de operações policiais nas favelas como também evitar transtornos que os usuários do crack provocariam aos traficantes. Segundo ela, os consumidores furtam até armas dos bandidos para vender e conseguir dinheiro para comprar droga

"O crack dá muito lucro aos traficantes. Na favela, não existe cocainolândia, mas existe cracolândia porque o usuário consome muito mais droga. E isso traz muito mais visibilidade ao local, pois vira alvo de ações para acolhimento dos usuários sempre acompanhadas de aparato policial. E com a presença da polícia na comunidade, os consumidores de outras drogas podem deixar de ir comprar", afirmou a delegada.

Um representante da Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, que pediu para não ser identificado, disse que moradores do Jacarezinho procuraram os traficantes para reclamar sobre problemas que estariam sendo causados por usuários de crack. Segundo ele, antes do anúncio da proibição, os traficantes teriam prometido aos moradores vender o crack somente em determinados horários.

Recolhimento

A Secretaria Municipal de Assistência Social, que vem realizando um trabalho de recolhimento de usuários de crack, tem um mapeamento informal sobre as cracolândias na cidade. Segundo a pasta, além do Jacarezinho e de Manguinhos, existiriam pontos de consumo nas comunidades Parque União (Complexo da Maré), Cajueiro e Patolinha (Madureira, Zona Norte), e nos bairros da Ilha do Governador, Tijuca, Vila Isabel e Lins de Vasconcelos, na Zona Norte, Catete, na Zona Sul, e Lapa, na região central da capital.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)







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