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Viciados falam da dependência das drogas  Notícias sobre drogas e alcool - Site Antidrogas


Rede Bom Dia
O BOM DIA procurou usuários de crack que relataram algumas experiências de vidas mudadas pelo vício Evandro Enoshita
A primeira impressão é a de que se está em um set de filmagem de um filme de terror. Pequenos grupos de pessoas, olhares perdidos, passos errantes, tudo se reúne na rua Almeida Garrett, na Vila Guiomar, em Santo André. Mas a cena relatada acima faz parte da vida real. A via é um dos pontos de concentração de usuários de drogas na cidade.
Ao me aproximar, a primeira reação é de medo. Um temor misturado ao preconceito. Deixando de lado o politicamente correto, é difícil enxergar as pessoas que estão por trás do vício.

Mas o receio é recíproco. Quase ninguém quer dizer o seu nome. Fotos então, nem pensar. A justificativa é a vergonha de se estar na rua, de não ser um motivo de orgulho para os familiares e amigos de outrora, machucam. Para a decepção deles mesmos, a vergonha não é mais forte do que o vício em crack, cocaína, maconha.

Me aproximo aos poucos, e a conversa começa a fluir. A cada frase, desaba uma parte do muro de receio que havia em mim. E o fato deles serem viciados se torna secundário. A experiência é chocante. Saio de lá como se tivessem depositado um fardo de 1 mil quilos sobre as minhas costas. Uma tonelada de decepções e medos.

Histórias e trajetórias de vida ocultas, sob o caminho das pedras de crack, que você confere.

“Não tem um dia que eu não me arrependa”
O mecânico de caminhões Joaquim Rosa aparenta ter mais do que os 36 anos que diz ter. Há cinco anos, trocou a cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará, pelo ABCD. Por aqui, trabalhou como garçom e chapeiro em lanchonete. Até que conheceu as drogas.

“Foi por problemas na minha família”, se limita a dizer. Não se lembra de quanto tempo está nas ruas. “Eu não roubo para sustentar o meu vício. Faço uns bicos, peço dinheiro no sinal. Só fumo o mesclado [mistura de crack com maconha]”.

Joaquim conta que a sua maior vitória seria sair das ruas, largar o vício. “Se tivesse um lugar para ficar, um emprego eu com certeza sairia. Ainda quero poder voltar para cá e mostrar que eu consegui. E então, eu iria para poder ajudar os outros”.

A maior motivação para isso são as cenas que vê em seu cotidiano. “Já vi cara que veio na boca e vendeu carro de R$ 10 mil por R$ 500, só para sustentar o vício. Não tem um dia que eu não me arrependa de ter conhecido as drogas”.

“Na rua, tem gente melhor que muita gente”
Sob a chuva fraca do início da tarde da última sexta-feira (21), um homem negro, feições sofridas, olhava para o vazio. Cachimbo em mãos, e, junto dele, restos de uma revista em quadrinhos do Pato Donald. Ele não diz o seu nome. Fala só dos seus apelidos. Nego do Viaduto, Negro Bira.

Tem 47 anos. Mora na rua há oito. Trabalhava como mecânico de manutenção industrial. “Eu era alcoólatra, virei usuário de crack por más influências. Foi então que me separei. Saí de casa e fui morar dentro do meu carro. Eu tinha um carro, um Gol, ano 1994. Mas um dia levaram ele. Foi para o machado. Aí fui para a rua”, conta.

Bira conta que tem quatro filhos. Dois homens e duas mulheres. A mais velha tem 25 anos. Diz manter contato com eles, mas não pensa em voltar para casa. “Não tem como. Minha mulher não iria deixar. Se eu soubesse que iria ser assim, nunca teria usado drogas”.

A entrevista então é interrompida. Bira fica em silêncio, como se estivesse alerta, pronto para correr. Ouviu uma sirene. “A violência na rua é muito grande. Já apanhei de polícia, de GCM. Na rua, tem muita gente que é melhor que muita gente”, filosofa o ex-mecânico.

Então, ele pede licença, e acende o seu cachimbo de crack. Depois de alguns instantes, se levanta. Segue seu caminho com uma lata de inseticida nas mãos. “É para se alguém mexer comigo”, responde, lançando o veneno no ar.

Balada, cerveja e drogas

O ajudante-geral Robson (nome fictício), tem 33 anos. Mora na rua há 6 anos. Conta que ainda tem família, um filho maior de idade, mas que nunca o viu. E nem faz questão de ver. “Sei que é meu, que eu fiz, mas nem sei se está vivo. Não quero contato. Não desse jeito”
Sobre o vício, conta que foi por meio de amigos, em festas. “Ia para a balada, tomava uma cerveja, aí depois começaram a vir as drogas.

O ex-ajudante-geral relata que já se internou em clínicas em cinco ocasiões. Chegou a ficar quase três anos limpo. Saiu das ruas. Mas a vontade de mudar de vida não resistiu às decepções.
“Você não consegue emprego, aí briga com as pessoas. Quando você vai ver, já voltou para as drogas”.
Nos despedimos de Robson. Agradeço pela entrevista. Acho que ele vai me pedir dinheiro, como outros colegas seus. Mas ele não o faz. Pelo contrário.

Agradece a oportunidade de falar, e dispara. “As vezes é bom a gente ter uma conversa com alguém que ainda está são”.

“Só pego de quem não vai sentir falta”
“Diego (nome fictício), tem 29 anos. Branco, olhos claros. Vestia uma blusa de capuz vermelha, que lhe dava um aspecto ameaçador.
Parecendo decifrar o receio, ele responde. “Eu não roubo não. Só pego de quem não vai sentir falta. Por isso, pego as coisas no mercado”, garante.

Ele conta que morava com a mãe no Valparaíso (bairro de classe média) em Santo André. Conta que foi a separação dos pais, quando tinha 11 anos, que o levou para as drogas. “Comecei fumando maconha. Depois disso, fui para o crack”.

Questionado se já havia conseguido ficar ´limpo`, disse que sim. Que já foi até exemplo na clínica de dependentes. Mas não resistiu e voltou para as drogas e para as ruas.
Fonte:UNIAD - Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas







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