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Por que meu irmo alcolatra escolheu a eutansia  Notcias sobre drogas e alcool - Site Antidrogas



Marcel Langedijk diz que seu irmo sofria muito por causa do vcio em lcool (Foto: BBC)

Aps ter tentado a reabilitao 21 vezes, homem de 41 anos obteve o direito de morrer na Holanda.
Por Anna Holligan, BBC

Um caso de eutansia na Holanda ganhou repercusso internacional nesta semana aps Marcel Langedijk, de 44 anos, escrever um artigo para uma revista holandesa sobre a escolha de seu irmo Mark, que quis encerrar sua vida por causa do alcoolismo.

Desde 2002, uma lei do pas autoriza a opo da eutansia para pessoas que vivem "um sofrimento insuportvel" sem nenhuma perspectiva de melhora.

A medida costuma ser utilizada principalmente em casos de doenas degenerativas, ou em estgio terminal. E justamente por isso a deciso que permitiu a morte de Mark atraiu tanto debate.

"A coisa que mais me abala agora que, para os outros, pode parecer que minha famlia e eu, e at meu irmo, fizemos isso apenas porque era conveniente. Deixa eu dizer algo pra vocs: isso no conveniente de nenhuma forma", disse Marcel BBC.

Emocionado, ele contou que o irmo lutava contra a doena havia oito anos. E que tentou frequentar lugares de reabilitao por 21 vezes antes de ver a eutansia como opo.

Com 41 anos, Mark j havia tentado de tudo: psiclogos, psiquiatras e todos os tipos de profissionais de sade que poderiam ajud-lo a deixar o vcio.

"Mas parecia que nada poderia ajud-lo a lidar com sua depresso e ansiedade, a no ser o lcool", disse Marcel.
Por causa disso, Mark decidiu fazer o pedido da eutansia. O procedimento, conforme descreveu Marcel, no to simples: preciso passar por diversas avaliaes mdicas para se obter legalmente o direito de morrer.

"No como se a gente no levasse isso a srio. No como se na Holanda ns sassemos por a matando alcolatras", afirmou.

" muito complicado e muito difcil. um passo enorme. Para mim, muito importante garantir que todos saibam que ns fizemos de tudo. Mas algumas pessoas so incurveis. Se voc no ajuda essas pessoas com isso, eles vo eventualmente fazer o pior, cometer suicdio."

Marcel contou que a famlia deu todo o apoio a Mark em todas as vezes que ele foi para a reabilitao. "Ns tentamos entender, tentamos nos colocar no lugar de um viciado para ver o que saa errado. O que acontecia com ele?", questionou em seu artigo na revista.

"Mas ns tambm ficvamos com raiva porque, depois que ele voltava da reabilitao, imediatamente voltava a beber."

"A eutansia era para pessoas com cncer, com dor insuportvel, para quem a morte realmente estava iminente. A eutansia certamente no era para alcoolatras."

Mark escolheu seu ltimo dia de vida. E tentou aproveit-lo da maneira que mais gostava.

"Foi um lindo 14 de julho. Estava muito calor, ns fomos l para fora e ele disse: bom, essa a minha ltima manh`", conta Marcel.

Em um dia gostoso em famlia, Mark riu, bebeu o ltimo vinho - seu favorito -, fumou o ltimo cigarro, comeu sanduches de presunto e queijo e tomou uma sopa com almndegas antes do mdico chegar.

"Ns dissemos que o amvamos muito e que ficaria tudo bem, que ns cuidaramos um do outro e que nos encontraramos de novo", disse Marcel.

Mark chorou um pouco ao ver sua famlia em lgrimas na despedida. Mas quando o mdico perguntou se ele tinha a certeza de que era isso mesmo que queria fazer, confirmou.

E ento vieram as trs injees. Uma era de uma soluo com sal para limpar as veias de Mark. Depois, um anestsico para coloc-lo para dormir. E, por fim, a que faria seu corao parar.

"Meus pais tiveram tempo de dizer adeus e ele teve o tempo de se despedir tambm. Se ele apenas tivesse atirado nele mesmo ou se jogado na frente de um trem, isso teria sido muito diferente. Teria sido cruel", resumiu Marcel.

Critrios da lei holandesa para autorizar eutansia:

- O paciente tem sofrimento insuportvel sem perspectiva de melhora.

- O pedido precisa ser voluntrio e persistir ao longo do tempo (no pode ser feito sob influncia de outros, sob doena psicolgica ou drogas).

- O paciente precisa estar plenamente consciente das suas condies, das suas perspectivas e das opes que tm.

- preciso passar por consulta com pelo menos um mdico independente que precisa confirmar as condies mencionadas acima.

- O procedimento precisa ser feito de maneira apropriada na medicina, seja pelo prprio mdico ou pelo paciente. Mas ao menos um mdico precisa estar presente.
Fonte:UNIAD - Unidade de Pesquisa em lcool e Drogas







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