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Narcotráfico

O
traficante
É
o tipo mais perigoso que existe, entre os indivíduos ligados às
drogas. Através de sua atuação, o vício difunde-se,
deteriorando o organismo e despersonalizando a pessoa.
Tanto o plantio, como a importação, exportação e comércio das
substâncias tóxicas, nada mais são facetas do tráfico de
entorpecentes.
O ponto básico de toda a degradação moral e social dos toxicômanos,
nada mais é do que o próprio traficante.
Enriquecem à custa das vicissitudes alheias, exploram a miséria
e vivem sobre a degradação moral daqueles que imploram a manutenção
do vício. Vão ao ponto de não permitir uma recuperação de
quem quer que seja, indo da perseguição até às últimas
consequências.
Seu campo de ação vai desde os portões de colégios, às praças
públicas, portas de prisões, etc., sempre à espreita de uma
nova vítima.
O traficante é um indivíduo frio, calculista, inteligente,
ardiloso e insinuante, capaz de perceber o ambiente propício para
sua investida e a predisposição psíquica de sua nova vítima.
Chega, às vezes, introduzir a droga sem fazer referência a ela,
simplesmente ministrando-a como tratamento para um mal-estar da vítima,
provocando, de conformidade com a natureza do entorpecente, o inicío
de uma dependência física e/ou psíquica.
Encontrar um traficante, é uma tarefa árdua. Conseguem um
perfeito sistema de proteção, com um serviço de informação,
que faz inveja a própria polícia, na maioria das vezes com a
participação de menores.
O traficante dificilmente entregará a "muamba"
diretamente ao dependente. Sempre age indiretamente, daí a
dificuldade do flagrante e da prisão.
Geralmente o traficante deixa a droga em local pré-estabelecido,
que tanto pode ser uma carrocinha de sorvete, refrigerante, ou
doce, como pode ser uma reentrância em um muro de edifício, ou
simplesmente um ponto determinado nas areias de uma praia.
Exterminado o traficante, estaremos nos aproximando do ponto final
de uma longa e irreparável escala de tóxicos.
O
Dependente- Traficante
O
traficante dependente age como elemento induzidor e desinibidor
perante os novatos. Uma vez efetuada a demonstração do uso (quer
fumando, quer ingerindo ), exercita a sua atividade de traficar,
vendendo o tóxico aos precipiantes.
Não é comum um traficante descer a dependente, ou seja, passar
do comércio ao simples uso, pois a dependência, para os
negociantes, é uma fraqueza suscetível de exploração.
É evidente que se um traficante dependente é preso, seu
comportamento é totalmente diferente do de um dependente, pois além
da atividade de fornecimento, precisa suprir-se também da droga.
Entre os traficantes, de um modo geral, incluindo o traficante
dependente, existe como que um código de honra, onde fica
proibida, sob pena de execução sumária, a revelação dos
outros traficantes.
As
Drogas e o Crime
As drogas estão ligadas ao crime em pelo menos quatro
maneiras:
1.
A posse não-autorizada e o tráfico de drogas são considerados
crimes em quase todos os países do mundo. Só nos Estados Unidos,
a polícia prende por ano cerca de um milhão de pessoas por
envolvimento com drogas. Em alguns países, o sistema judicial está
tão lotado de processos criminais ligados às drogas que a polícia
e os tribunais simplesmente não conseguem dar vazão.
2. Visto que as drogas são muito caras, muitos usuários
recorrem ao crime para financiar o vício. O viciado em cocaína,
por exemplo, talvez precise de uns mil dólares semanais para
sustentar o vício. Não é para menos que os arrombamentos, os
assaltos e a prostituição floresçam quando as drogas fincam raízes
numa comunidade.
3. Outros crimes são cometidos para facilitar o narcotráfico,
um dos mais lucrativos negócios do mundo. O comércio ilícito
das drogas e o crime organizado são mais ou menos
interdependentes. Para garantir o fluxo fácil das drogas, os
traficantes tentam corromper ou intimidar as autoridades. Alguns têm
até mesmo um exército particular. Os enormes lucros dos barões
da droga também criam problemas. Sua fabulosa receita poderia
facilmente incriminá-los se esse dinheiro não fosse
"lavado". Assim, bancos e advogados são usados para
despistar a movimentação do dinheiro das drogas.
4. Os efeitos da própria droga podem levar a atividades
criminosas. Familiares talvez sofram abusos por parte de usuários
de drogas crônicos. Em alguns países africanos afligidos pela
guerra civil, crimes horríveis têm sido cometidos por soldados
adolescentes drogados.
Como
e por onde a cocaína entra no Brasil?*
Uma
das mais escancaradas portas de entrada de cocaína no Brasil é o
município de Tabatinga (AM), fronteira terrestre com a cidade
colombiana de Leticia, onde há um radar instalado, mantido e
protegido por fuzileiros navais norte-americanos. Tabatinga fica
numa das margens do rio Solimões. Na outra, está o Peru. Essa área
é chamada de Alto Solimões.
Do Pará, no norte do país, ao Paraná, no sul, uma extensa faixa
fronteiriça brasileira é território livre para o ingresso de
abundantes carregamentos de droga.
A tendência é, quanto mais acima (Pará, Roraima, Amazonas,
Acre, Rondônia) entra a cocaína, maior a chance de o seu destino
ser o exterior. Se a porta for Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e
Paraná, haverá mais possibilidades de a escala final ser o
mercado nacional. Isso é tendência, não a regra.
Relatório da Divisão de Repressão a Entorpecentes da Polícia
Federal com o balanço de 1999 relaciona os veículos nos quais as
drogas (fundamentalmente cocaína) provenientes do exterior foram
apreendidas pelas autoridades brasileiras: aviões (70%), caminhões
(15%), carros (10%) e ônibus (5%). Há transporte fluvial, pelos
rios amazônicos, e marítimo, mas a polícia evita flagrar os
traficantes na embarcação - deixa a droga seguir, para conhecer
as conexões. Aí, então, intervém.
Uma das facilidades com que os traficantes brasileiros contam é a
abundância de pistas de aviões cuja existência é omitida às
autoridades aeronáuticas. No Pará, herança dos garimpos de
ouro, há 3 mil anos. No estado de São Paulo, levantamento da
Secretaria de Segurança contabilizou 366 "aeroportos
clandestinos" em 166 cidades.
O espaço para pouso e decolagem de aeronaves carregadas de
drogas, a rigor, não é necessário. As de pequeno e médio porte
sobrevoam fazendas a baixa altitude e jogam os pacotes. É o padrão
no interior de São Paulo.
Como
e por onde a cocaína sai do Brasil?*
A
cocaína segue para o exterior por via marítima e aérea. Os
principais portos de saída são os de Santos e do Rio. Quantidade
volumosa é embarcada, em alto-mar, em barcos que partem da região
Norte, principalmente de Belém.
A mercadoria é levada às embarcações em aviões, que a jogam
no oceano, de onde é recolhida. O Deprtamento de Estado dos EUA
aponta os aeroportos de Guarulhos (SP), Antônio Carlos Jobim Galeão
(RJ) e Porto Alegre (RS) como os mais usados para a saída de cocaína.
Nas operações robustas, a cocaína é acondicionada em contêineres,
como fumo, frangos, soja, arroz, eletrônicos - tudo o que servir
ao disfarce elaborado pelos traficantes.
O tráfico com "mulas", pessoas que levam consigo a
mercadoria, responde pela saída de menos droga, mas envolve muita
gente. A sofisticação dos truques é tamanha que roupassão
engomadas com cocaína, que depois sai na lavagem. Método
semelhante é usado com cabelo, pintado com loção impregnada com
a droga.
O repertório é vasto. Usam-se latas, pranchas de surfe, pacotes
amarrados no corpo. Até um padre com 11,5 quilos de pó sob a
batina já foi flagrado. No Brasil, agem "mulas" de
dezenas de nacionalidades.
Uma das variantes desse tipo de trabalho implica arriscar a vida,
para receber de US$ 3 mil a US$ 5 mil por viagem: a droga viaja
dentro de cápsulas ingeridas pelo passageiro. Se uma cápsula se
rompe, o transportador pode morrer.
*
"Texto extraído do livro Folha Explica O Narcotráfico, de
autoria de Mário Magalhães. Publifolha ( www.publifolha.com.br
), 2000."
Quem é quem no
tráfico
- Soldado: é
o traficante que anda armado dentro da favela e protege as
bocas-de-fumo. Ele mora no morro
- Boca-de-fumo: é o local dentro do morro ou da favela
onde os traficantes passam a droga para os distribuidores
- Vapor: é o morador do morro que vende a droga na
boca-de-fumo. Ele também faz entregas na estica
- Estica: é um posto avançado das bocas-de-fumo da favela
no asfalto. Os moradores das redondezas ficam na estica e revendem
a droga vinda do morro
- Formiguinha: é o microtraficante que compra pequenas
quantidades e revende aos amigos nos bares, academias e escolas.
Com o pequeno lucro, custeia o próprio vício
- Disque-drogas: o serviço é bancado pelo traficante autônomo,
que compra nos morros boas quantidades, com maior grau de pureza.
Ele entrega o produto por meio de motoboys e entregadores de pizza
- Quiosques: além de água-de-coco e refrigerantes, vendem
entorpecentes e servem de ponto de contato entre os consumidores e
os formiguinhas
- Fume-táxi: motoristas de táxi de fachada utilizam os
carros para entregar drogas em pontos chiques da cidade
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