Tecnologia de Testes de Drogas
Avaliação de Aplicação em Campo
- Capitulo 14
Teste de Drogas no Ambiente
de
Trabalho por Análise de
Cabelo
Tradução de:
Drug Test Technology
Assessment of
Field Applications
Edited by Tom
Mieczkowski
Ó 1999
by CRC Press LLC
Tecnologia de Testes de Drogas
Avaliação de Aplicação em Campo
14.1 - Apresentação
A análise de cabelos à procura de drogas lícitas e ilícitas está cada
vez mais sendo reconhecida como uma poderosa ferramenta para a investigação do
uso de drogas. A maior utilidade e eficácia da análise de cabelos em relação às
análises de sangue e urina deve-se principalmente a quatro propriedades únicas:
a resistência de evasão de testes de cabelo, sua longa visão geral
retrospectiva do uso de drogas, e sua capacidade de fornecer medidas tanto
quanto a severidade e padrão do uso de droga.
Os autores demonstraram a utilidade e eficácia da análise de cabelo
para testes de drogas em ambiente de trabalho; para a identificação de
exposição pré-natal a drogas; para monitorar funcionários em período de
experiência e indivíduos em liberdade condicional; para monitorar pacientes em
programas de tratamento de drogas; para investigações forenses; para estudos
epidemiológicos, históricos e antropológicos; e para monitorar a obediência com
o consumo de medicamentos. A eficácia dos procedimentos analíticos dos autores
nas áreas previamente citadas foi avaliada em mais de 50 estudos feitos em
campo para os quais os autores forneceram os serviços analíticos em uma base de
testes simulados. Uma resenha destes estudos foi publicada recentemente. O
presente capítulo focaliza em temas críticos pertinentes a análise de cabelo
para programas de testes de prevenção ao uso de drogas no ambiente de trabalho.
14.2 - Vantagens de testes de cabelo.
O teste de cabelo no ambiente de
trabalho para a prevenção de uso de drogas viciantes (cocaína, opiáceos,
metanfetaminas, maconha, e PCP) fornece mais segurança e vantagens sobre outras
formas de testes de drogas.
14.2.1 - Vantagens para os empregadores.
As vantagens do uso de testes de análise de cabelo para os empregadores
incluem:
1. Os testes de cabelos
fornecem uma ampla janela de detecção do uso de drogas, tipicamente três meses,
para a verificação de drogas em ambiente de trabalho. Conseqüêntemente, a
principal estratégia para evitar a janela de detecção de três dias nos exames
de urina em testes de seleção para empregos, a abstenção temporária, não pode
ser aplicada contra testes de cabelo.
2. A matriz capilar fornece um
ambiente altamente protetor e inerte para os elementos a serem analisados. Isto
resulta em estabilidade dos elementos a serem analisados por maiores períodos
de tempo, mesmo na ausência de refrigeração. A estabilidade por centenas de
anos dos elementos a serem analisados foi demonstrada para cocaína e morfina
usando-se espécimes históricos de cabelos. Esta estabilidade excepcional dos
espécimes a serem analisados permite o conveniente transporte e estocagem de
espécimes de cabelo sem necessidade de refrigeração.
3. Como as amostras de cabelo
são extensivamente lavadas antes da análise, os procedimentos usados para
corromper as amostras eficazes contra a análise de urina, tais como adulteração
dos espécimes, não podem ser empregados contra a análise de cabelo. Além disso,
devido ao período prolongado envolvido, o consumo de água e outras tentativas
de limpeza do sistema são ineficazes contra a análise de cabelo.
4. Lavagem normal, permanente,
alizamento, ou alvejamento de cabelo também são táticas evasivas ineficazes se
forem usados procedimentos apropriados para extração envolvendo o domínio
inacessível dos cabelos (veja seção 14.4. 1).
14.2.2 - Vantagens para os Empregadores
As vantagens de análise usando o teste de cabelo para os funcionáios
incluem:
1. No caso de um resultado
inicial ser contestado, uma segunda amostra, recentemente coletada (amostra de
"rede de segurança") pode ser obtida, que pode replicar o mesmo
período de tempo do teste original. Tal repetição não é possível com testes de
urina porque a janela de verificação original de dois a três dias terá passado
na ocasião em que os resultados do teste inicial forem obtidos. A capacidade de
obtenção de uma segunda amostra fornece importante proteção contra erros no
local de coleta ou no laboratório.
2. O cabelo é convenientemente
coletado sem constrangimento e sob observação rigorosa. Em comparação, a cadeia
de custódia com a coleta de urina sem observação é comprometida logo de início.
3. Os empregados podem
demonstrar com a análise de cabelo que superaram seus problemas com drogas.
14.3 - Taxas De Detecção Mais Elevadas Do Que Usando A Análise De Urina
Por causa da ampla janela de detecção e de outras características de
resistência-evasão, não é de surpreender que os testes com cabelos tenham
mostrado detectar entre 7 a
16 vezes mais usuários de drogas em verificações de uso de droga em candidatos
a empregos. A tabela 14.1 contém dados em que as eficiências de detecção da
análise de cabelo e da análise de urina foram comparadas em estudos paralelos
sob três diferentes condições de evasão:
1. Na ausência de táticas
evasivas (p.ex., na ocasião da apreensão, ou sob condições de pesquisa não
punitivas).
2. Quando táticas evasivas são
de difícil aplicação (p.ex., quando da coleta de urina feita aleatoriamente, de
surpresa e sob observação no sistema de justiça penal).
3. Sob condições esperadas de
teste (verificação de candidatos a emprego) onde táticas evasivas podem ser
facilmente aplicadas contra a análise de urina.
Os autores propuseram o termo avaliação
de sensibilidade clínica relativa para tais avaliações corporativas de
eficácia de detecção. Sensibilidades clínicas relativas são ilustradas aqui com
dois testes de drogas: primeiro, com o ensaio com cocaína, já que este é o mais
eficaz dos ensaios com cabelos devido à acumulação dez vezes mais elevada de
cocaína no cabelo em relação aos demais opiáceos, PCP e anfetaminas. A outra
comparação é feita com maconha, o teste de cabelo mais difícil por causa da
incorporação 10.000 vezes menor de carboxi-THC ao cabelo em relação à cocaína.
Na determinação da sensibilidade clínica relativa com maconha, o teste de
cabelo mais difícil é comparado ao teste de urina mais eficiente. Este último é
o caso por causa da janela aumentada de detecção do teste de maconha na urina
em relação àqueles usados para as outras quatro drogas.
Tabela
14.1 – Estudos de Sensibilidade Clinica Relativa: Urina X cabelo
|
Droga
|
Tática de Evasão
|
População
Testada
|
Número
de pacientes
|
Positivos
adicionais pela Análise de Cabelos (%)
|
|
Cocaína
|
Nenhuma
|
Detentos
|
860
|
92
|
|
|
Moderação
|
Estagiários
|
112
|
272
|
|
|
Severa
|
Candidatos
|
774
|
1580
|
|
Maconha
|
Nenhuma
|
Detentos
|
572
|
(-9)
|
|
|
Moderação
|
Estagiários
|
93
|
35
|
|
|
Severa
|
Candidatos
|
774
|
600
|
A relativa sensibilidade clínica de testes de cabelo e urina (14.1)
mostra que mesmo o teste de cabelo mais difícil, o da maconha, é tão eficaz na
detecção de usuários de drogas quanto o melhor teste com urina, mesmo quando a
análise de urina foi usada sob condições onde táticas evasivas não poderiam ser
aplicadas.
Sob as condições do sistema de justiça penal, onde as possibilidades de
evasão são limitadas, concluiu-se que o teste de cabelo para maconha é 35% mais
eficaz do que a análise de urina, e em um estudo particular sob condições de
testes para emprego envolvendo 774 candidatos, a análise de cabelo excede os
resultados positivos de uso de maconha sobre os resultados de análise com urina
em 600%.
Quando o teste de cabelo para cocaína é comparado à análise de urina
sob condições forenses, onde manobras evasivas são difíceis de serem aplicadas
(tabela 14.1), a análise de cabelo para cocaína foi 272% mais eficaz do que a
análise de urina feita de surpresa. No estudo previamente mencionado, realizado
em candidatos a emprego, onde a possibilidade de evasão era maior, a análise de
cabelo identificou 1580% mais usuários de cocaína do que a análise de urina.
Sob condições não evasivas, concluiu-se que a análise de cabelo para
cocaína é 92% mais eficaz do que a análise de urina quando os resultados de
toda população usuária de drogas foi considerado. Entretanto, quando os
resultados de análise de cabelo e de análise de urina foram comparados em
relação a severidade do uso de drogas (tabelas 14.2) (severidade de uso sendo caracterizada com
base nas concentrações de drogas encontradas no cabelo), neste caso a análise
de cabelo, a despeito de sua menor sensibilidade analítica, identificou 670%
mais usuários de cocaína na categoria
uso leve do que a análise de urina, isto
é, somente 7% das amostras positivas de cabelo deram resultado positivo com uso
da análise de urina. À medida que o uso de drogas aumenta, também aumenta as
taxas positivas de análise de urina, alcançando uma taxa positiva de 80% na
categoria uso intenso de drogas.
A explicação para esta tendência é que os usuários habituais de drogas
têm uma maior probabilidade do que os usuários esporádicos de drogas de que a
janela de detecção positiva de 3 dias da análise de urina coincidirá com a
ocasião de um teste de urina feito de surpresa. Esta correlação entre dados de
análises feitos com urina e com cabelos fornece assim evidência independente
para uma correlação de concentração dose/cabelo em uma população de usuários de
drogas, e é esta correlação quando medida sobre uma ampla faixa de doses que
capacita a análise de cabelo distinguir entre usuários de drogas habituais,
esporádicos e intermediários.
Tabela 14.2
Amostras de Cabelo e Urina, positivas para Cocaína em uma População de
Detentos
|
Uso de Droga
|
Índice de Severidade do Uso de Droga
(ng/10 mg cabelo)
|
Quantidade de amostras de Cabelo Positivas
|
Percentual de Amostras de Cabelo Positivas Também Positivas
em Urina
|
|
Muito leve
|
2 – 5
|
54
|
7
|
|
Leve
|
5-30
|
107
|
18
|
|
Intermediário
|
30 – 100
|
61
|
59
|
|
Pesado
|
100 – 400
|
61
|
59
|
|
Muito pesado
|
> 400
|
64
|
80
|
14.4 - Segurança dos Testes
A segurança e eficácia do teste de cabelo dependem de forma crítica do
uso de procedimentos de lavagem e extração altamente eficazes e, naturalmente,
na confirmação GC-MS/MS de todos os resultados positivos de testes de
filtragem.
14.4.1 - OS TRÊS DOMÍNIOS DE SEPARAÇÃO DE DROGA NO CABELO.
O domínio acessível (ou superficial) no cabelo é facilmente acessado
por drogas e é facilmente descontaminado por soluções de lavagem, mesmo por
soluções de lavagem incapazes de penetrar nas regiões interiores do cabelo
devido a sua incapacidade de causar inchamento da fibra capilar (p.ex:
isopronol seco).
O domínio semi-acessível não é tão facilmente acessado por drogas
externas, requerendo, entretanto água (p.ex, suor de um usuário de drogas) para
sua penetração. O transporte via suor de um não usuário de drogas, embora
possível, é um mecanismo muito menos provável para a contaminação de um domínio
semi-acessível porque envolve dois eventos de baixa probabilidade, isto é, a
coincidência de suor intenso com contaminação externa. A efetiva
descontaminação do domínio semi-acessível somente pode ocorrer com solventes
que dão volume o cabelo, tais como água, metanol, ou etanol contendo pequenas
quantidades de água. É importante notar que embora o domínio semi-acessível possa
conter drogas depositadas pelo suor, a maior parte da droga encontrada neste
domínio é resultante de uso de droga.
Contrastando com o domínio semi-acessível, o domínio inacessível
mostrou ser altamente resistente a penetração por drogas externas sob condições
normais de contaminação. Conseqüentemente, contém apenas drogas devidas ao uso
de drogas, e não drogas resultantes da ação combinada de contaminação externa e
suor. Entretanto, o termo "inacessível" não se refere à resistência
deste domínio a drogas externamente aplicadas, mas ao fato de que as drogas não
podem ser removidas desse domínio por lavagem intensa com soluções aquosas. É
somente através da análise do domínio inacessível do cabelo que se pode
distinguir com certeza entre o uso de droga e contaminação externa ou
contaminação por suor contendo droga. Conseqüentemente, somente a análise de
drogas no domínio inacessível fornece uma avaliação precisa do padrão de uso de
drogas.
Certos procedimentos de tratamento de cabelo podem converter uma fração
importante do domínio inacessível em domínios semi-acessível e acessível.
Entretanto, o tratamento de cabelos de uso normal é projetando para causar
danos mínimos ao domínio inacessível dos cabelos. Conseqüentemente, são medidas
ineficazes para evasão.
14.4.2 - PROCEDIMENTOS DE LAVAGEM DE EXTRAÇÃO
Os seguintes procedimentos de lavagem e digestão foram adotados por sua
eficácia e segurança no teste de cabelo.
Como mínimo, o cabelo é lavado a 37 °C por 15 minutos em uma solução de
isopropanol seco para remover contaminantes gordurosos e drogas vagamente
aderentes da superfície do cabelo. Isto é seguido por três lavagens de 30
minutos cada com uma solução-tampão de fosfato a 37 °C. Em todos procedimentos
de lavagem, as amostras são sacudidas à 100 ciclos por minuto. Se essas
lavagens foram suficientes ou não para limpar o domínio semi-acessível de seus
níveis de conteúdo exogeno e endógeno de drogas é monitorado por três critérios
de lavagem cinética: a taxa de curvatura, a taxa de lavagem prolongada, e a
taxa de zona de segurança. Caso estes critérios de lavagem cinética não sejam
satisfeitos, uma nova amostra de cabelo é tirada e lavada conforme previamente
descrito, seguida por duas lavagens adicionais de 60 minutos cada com a
solução-tampão de fosfato. Se novamente estes critérios de lavagem cinética não
forem satisfeitos, a amostra de cabelo é declarada negativa a menos que esta
conclusão seja invalidada por critérios metabólicos de elevada definição e/ou
evidência de excessivo tratamento de cabelos usando corante azul de metileno.
O conteúdo restante de droga no domínio inacessível do cabelo do
usuário de drogas é extraído por dissolução enzimatica do espécime de cabelo.
Antes da análise, a melanina que origina a cor do cabelo e possivelmente
contendo droga preferencialmente presa, é removida do digesto capilar por meio
de centrífugação. Desse modo qualquer possível desvio devido à aderência de
drogas à melanina é evitado (veja seção 14.5.4). Uma filtragem de
rádioimunoteste inicial é rodada no digesto capilar. Resultados de filtragem
positivos de testes são confirmados por GC-MS ou GC-MS/MS.
14.4.2 - CRITÉRIOS DOS METABÓLICOS
Um critério adicional usado para distinguir entre o uso de drogas e
contaminação externa é o uso de metabólicos, por exemplo, benzoilecgonina,
cocaetileno, carboxi-THC, anfetamina, monoactilmorfina-6 (MAM), e (a ser
introduzido brevemente) hidroxi-PCP. O carboxi-THC (por que não ocorre na
fumaça de um cigarro de maconha) e o cocaetileno (por ser altamente improvável
de ser encontrado em cocaína de rua e certamente não no domínio inacessível a
menos que através do uso combinado de álcool e cocaína) são os metabólicos mais
definitivos para distinção entre uso de droga e contaminação externa. A
presença destes dois metabólicos conseqüentemente invalida qualquer critério de
lavagem cinética que não tenha funcionado.
14.4.4 - NÍVEIS ENDÓGENOS DE EXPANSÃO
Um estudo recente demonstrou o fato teórico há muito reconhecido que a
hipersensibilidade da análise de urina, isto é, a propensão para produzir
resultados positivos interpretativos (não técnicos) falsos devido a ingestão
passiva de pequenas quantidades de drogas não se limita ao consumo de sementes
de papoula. Assim, o Dr. Cone demonstrou que apenas 1 mg de cocaína (1/100 de
1 carreira de cocaína) pode causar o
excesso no nível NIDA atual de expansão de cocaína na urina. Pode-se facilmente
apreciar que esta situação constitui um sério fator de risco para um não usuário de drogas constantemente exposto
a um ambiente contendo drogas, por exemplo, a esposa não usuária de drogas de
um usuário de drogas, policiais disfarçados envolvidos em trabalho de
interdição de droga, e assim por diante.
Contrastando com a hiper sensibilidade da análise de urina com
relação à exposição interna passiva a drogas, os níveis de expansão usados nos
testes de cabelo demonstraram ser altamente eficazes contra esta forma de
resultados interpretativos de testes positivos falsos. Uma vez que os testes
imunológicos usados para análise de cabelo são geralmente muito mais sensíveis
do que a espectrometria forense de qualidade de massa, os níveis de expansão na
análise de cabelo são determinados pela menor concentração de drogas que pode
ser medida por GC-MS ou GC-MS/MS em um espécime de cabelo de 5 a 10 mg. Os seguintes níveis
GC-MS de expansão de concentração de droga por 10 mg de cabelo são usados no
laboratório do autor: cocaína, 5 ng; morfina, 5 ng (uma expansão menor de 2 ng
também é suportável); metanfetamina , 5 ng; PCP, 3 ng; e carboxi-THC, 0.5 pg
Assim sendo, surgem as seguintes questões:
1. Que quantidade de droga tem
que ser ingerida de forma que sua concentração no cabelo seja igual a
concentração dos níveis espectromérico de expansão de massa
2. Como esta dose mínima varia
de paciente para paciente devido aos efeitos de individualidade
bioquímica?
O método por nós desenvolvido para a avaliação da dose mínima de droga
detectável no nível de expansão GC-MS baseia-se no fato bem estabelecido que
dentro do mesmo indivíduo, as concentrações de drogas no cabelo estão
linearmente correlacionadas com a quantidade de droga ingerida. Este princípio
é aplicado ao nível auto-reportado de uso de droga (p.ex., gm de cocaína por
semana) e os resultados analíticos da análise de cabelo (ng de cocaína por 10
mg de cabelo). Tais dados, é claro, em uma determinada população usuários de
droga exibirão considerável difusão devido a efeitos de individualidade
bioquímica. A figura 14.1 mostra tais dados para uma população humana fazendo
uso de cocaína. O coeficiente de correlação para esta população específica de
usuários de cocaína é 0.82.

Muito embora tal correlação razoavelmente boa entre doses ingeridas e
níveis de drogas nos cabelos, permita a distinção entre uso pesado, leve e
moderado de drogas, é importante reconhecer que a validade de nosso método para
cálculo da dose média mínima detectável de droga não é de forma alguma
dependente na existência de uma tal correlação.
A base teórica de nosso procedimento é ilustrada na figura 14.2.
Consideremos por conveniência somente os resultados de três pacientes
auto-reportados C1, D1 e E1, e que AB seja o nível forense de expansão
espectrométrica de massa.
Uma vez que a correlação de dose linear OC1, OD1 e OE1 teoricamente
esperada tenha sido confirmada por diferentes estudos independentes de dose
controladas, podemos realizar as extrapolações posteriores de OC1, OD1 e OE1. O
ponto de interseção destas linhas de extrapolações posteriores com AB (pontos
C2, D2, e E2) quando projetados verticalmente sobre o eixo de auto-relatório,
C3, D3 e E3 são as doses que os pacientes C1, D1 e E1 teriam tido que ingerir
para atingir uma concentração de droga no nível forense de expansão
espectrométrica de massa A figura 14.2, obviamente, nada mais é que uma
representação gráfica de um simples cálculo de proporcionalidade. É óbvio que
uma tal definição racional de níveis de expansão não é possível para análise de
urina, devido ao níveis flutuantes de
droga nos espécimes de urina. E é esta situação que cria os problemas acima
mencionado de análise de urina, com relação a exposição passiva de droga
interna.

Uma vez que dados precisos de auto-relatório podem ser obtidos por meio
de técnicas apropriadas de entrevista, especialmente sob condições não
punitivas, o método aqui delineado tem a vantagem adicional de prover uma
avaliação da influência de efeitos de individualidade bioquímica. Este método
demonstrou que a dose média mínima detectável para cocaína é de 264 mg de
cocaína por mês, com um limite de 60
a 600 mg por mês.
As conclusões anteriores relativas à segurança dos níveis de cálculo de
expansão espectrométrica de massa contra a exposição passiva de droga interna
foram sujeitas á provas adicionais. Para este propósito nos concentramos
principalmente no mais sensível dos testes de cabelo, o teste de cocaína, pois
aqui o nível de expansão espectrométrica de massa está mais próximo ao que a exposição interna
passiva a cocaína pode realizar no cabelo.
Uma avaliação compreendeu um estudo simulado junto com a universidade
do Sul da Flórida, onde a análise de cabelo foi realizada em quatro situações
de evidência e 36 agentes secretos da polícia freqüentemente submetidos a
exposição passiva interna (bem como externa) de cocaína. Oportunidades para tal
exposição aconteciam enquanto disfarçados como compradores de droga porque os
agentes freqüentemente eram colocados em posição de ter que provar quantidades
mínimas da cocaína que estava sendo oferecida para venda. Os resultados deste estudo demonstraram
claramente a segurança dos níveis de
expansão espectrométrica de massa
para cocaína. Somente um indivíduo produziu resultado de cocaína
positivo, e isto porque estava pouco acima o nível de expansão, isto é, 5.2 ng
por 10 mg de cabelo. Este indivíduo era conhecido por sua identificação agressiva
dos negociantes de droga. Quando informado dos resultados positivos, o policial
apresentou em um reteste ao longo do período dos três meses subseqüentes, um
resultado de teste de cabelo completamente negativo.

Nos voltamos agora para o menos sensível dos testes de cabelo, o teste
de maconha. Faixas clínicas para uso típico de maconha estão entre 0.5 e 10 pg
de carboxi-THC em 10 mg de cabelo. Em usuários mais contumazes, os níveis de
carboxi-THC podem atingir concentrações de mais de 100 pg por 10 mg de cabelo.
A figura 14.3 mostra a correlação entre concentrações de carboxi-THC no cabelo
e auto-relatos de quantidades de maconha usadas. A partir destes dados
calculamos que o uso médio mínimo detectável de maconha na concentração de
expansão GC-MS de 0.5 pg por 10 mg de cabelo era 0.5 cigarros por semana.
Outra abordagem para avaliar o uso mínimo detectável de maconha é
expressar as eficiências de detecção (sensibilidades clínicas) como uma função
da quantidade de maconha usada (tabela 14.3). Assim, indivíduos usando entre 1
e 3 cigarros por mês (a própria categoria leve) foram detectados pelo GC-MS/MS
com uma eficácia de 16 por cento. Aqueles usando entre 1 e 3 cigarros por
semana (categoria de uso: leve) foram detectados com uma eficácia de 89 por cento;
e as categorias intermediária, crônica,
e contumaz foram detectados com uma eficácia de 100 por cento. O teste de
filtragem RIA forneceu resultados essencialmente idênticos.
14.5 - TEMAS ACERCA DE TESTE DE CABELO
14.5.1 – Testes de Cabelo e o Problema das
“Sementes de Papoula” na Análise de Urina.
Para a análise de urina, perto de 90 por cento dos resultados positivos
com opiáceos são subvertidos por agentes médicos de revisão. Isto acontece
porque a ingestão de sementes de papoula provoca excesso nos níveis de expansão
NIDA na urina, e devido à rápida perda pela urina dos metabólicos de heroína,
MAM. Em contrapartida, os níveis de expansão de cabelo não são ultrapassados
pela ingestão de semente de papoula, e, ainda mais importante, o cabelo da maioria
dos usuários de heroína contêm MAM. Este sério problema da análise de urina
pode ser resolvido com a solicitação para que os indivíduos apresentando
resultados positivos subvertidos de opiáceos façam um teste de cabelo para
distinguir entre uso de heroína e ingestão de semente de papoula. Esta
abordagem é melhor que o aumento considerado no nível de expansão de narcótico
para exame de urina porque a mudança na expansão aumentaria a possibilidade de
usuários de heroína ocupando posições chaves de segurança.
|
Tabela 14.3 – Sensibilidade
Clinica Como Função da Severidade do Uso de Maconha
|
|
Número
de pacientes
|
Quantidade
usada
(Cigarros
/ Semana)
|
Categoria
de Uso
|
Carboxi-THC
(GC/MS/MS)
%
positivo
|
RIA
Positivo
%
positivo
|
|
06
|
0.15 – 0.85
|
Muito leve
|
16
|
29
|
|
09
|
1 – 3
|
Leve
|
89
|
89
|
|
16
|
4 – 14
|
Intermediário
|
100
|
100
|
|
14
|
15 – 35
|
Pesada
|
100
|
100
|
|
07
|
36 – 65
|
Muito pesada
|
100
|
100
|
A simples detecção de MAM em extratos de cabelo, entretanto, não
constitui por si mesma um diagnóstico de uso de heroína porque MAM é facilmente
formado por hidrolise a partir de cabelo contaminado por heroína. A
hidrolise ocorre mesmo quando o pH é
neutro, e aumenta rapidamente com pH crescente. Sendo assim, antes que uma
conclusão de uso de heroína possa ser tirada com certeza, é necessário
estabelecer se as características de lavagem com MAM satisfazem os critérios de
lavagem cinéticas de análise de cabelo.
14.5.2 - PADRÃO DE SEVERIDADE DO USO DE DROGA ESTABELECIDO POR ANÁLISE
DE CABELO
Outra propriedade especial da
análise de cabelo é também poder fornecer uma proporção aproximada da
severidade do uso de droga por um indivíduo, por exemplo, se leve, moderado ou
pesado. A análise de cabelo pode fazer isto, apesar da amplitude de uma ordem
de magnitude em valores de drogas no cabelo que fatores de individualidade
bioquímica em diferentes indivíduos podem causar para a ingestão de uma
quantidade constante de droga. O motivo de as três categorias de usuários de
droga poderem ser identificadas por análise de cabelo é que a três ordens de
faixa de magnitude em concentrações de droga que caracterizam as populações
clínicas de usuários de droga são mais importantes que os efeitos da única
ordem de magnitude da individualidade bioquímica. Por exemplo, no caso da
cocaína, os valores clínicos variam de 5 a 5000 ng por 10 mg de cabelo. Um exemplo
típico destas duas tendências no caso de cocaína é evidente na figura 14.1 Os efeitos da
individualidade bioquímica na correlação de dose não são especialmente
evidentes em um estudo preliminar feito com metanfetamina (figura 14.4). Entretanto, atribuímos isto a
escassez de espécimes clínicos em vez de a uma correlação mais firme entre o
uso de metanfetamina e concentrações de droga no cabelo.
Informação sobre severidade de uso de droga rende importante
discernimento sobre fatores de risco para reincidência ou o tipo de programa de
tratamento a que um indivíduo deveria ser encaminhado (p.ex., paciente
internado X paciente externo). A severidade de uso de droga também é de
interesse em estudos epidemiológicos. Por exemplo, aplicamos esta avaliação a
três diferentes populações de usuários de droga: candidato a emprego, detentos,
e pacientes em programas de tratamento de droga. Conforme esperado, constatamos
um número muito maior de usuários crônicos de droga nas duas últimas populações
do que no grupo de candidatos a emprego (tabela 14.4).
A análise de cabelo também pode fornecer informação sobre o padrão de
uso de droga por um indivíduo, isto é, no aumento, diminuição, ou constância
percentual de uso de droga em um determinado período coberto por um segmento
especifico de cabelo. Tais medidas podem ser feitas com grande precisão porque
os problemas de individualidade bioquímica são evitados pelo individuo servindo
como seu próprio controle. Exigências adicionais para a precisão na avaliação
dos padrões de uso de droga são:

|
Tabela 14.4 – Distribuição
percentual de usuários leves, intermediários e pesados de cocaína conforme
avaliado pelo Índice de Drogas no Cabelo In três Populações Diferentes.
|
|
População
|
Número
de pacientes testado
|
Percentual
Positivo
|
Distribuição
Percentual da Severidade do Uso de Cocaína
|
|
|
|
|
Leve
|
Intermediário
|
Pesado
|
|
Tratamento de Drogas
|
130
|
75
|
28.5
|
20.0
|
51.5
|
|
Detentos
|
279
|
57
|
47.8
|
18.9
|
33.33
|
|
Local de Trabalho
|
7225
|
6.2
|
66.8
|
17.2
|
16.0
|
|
Índice
de Uso de cocaína no cabelo: Uso leve: 2 – 30mg; intermediário: 31-100mg;
Pesado: maior que 100mg.
|
1. O cabelo não foi tratado
com severidade, por exemplo, ondulado, tingido e assim por diante. (a situação
do cabelo a este respeito é prontamente identificável pelo uso de corante azul
de metileno).
2. O cabelo foi completamente lavado de forma a
essencialmente esgotar a totalidade da droga do domínio semi acessível.
Caso esta ultima exigência não seja atendida, existe o risco de
imprecisões devido a contaminação do domínio semi-acessível por drogas contidas
na transpiração de usuários de droga. (veja seções 14.5.4.2.). A análise de
cabelo oferece então oportunidades sem precedentes para avaliação do padrão de
uso de drogas - uma característica particularmente útil para monitorar a
obediência com relação à tomada de medicamento de pacientes psiquiátricos.
14.5.3 – IMPEDINDO TÁTICAS EVASIVAS: ANÁLISE DE CABELO CORPORAL E DE UNHA
A única manobra evasiva eficaz contra o teste de cabelo da cabeça é
cortá-lo todo. Esta manobra evasiva,
porém, pode ser neutralizada com a análise de cabelo do corpo e/ou pela análise
de outro espécime ceratinizado e facilmente disponível, as unhas. Unhas
cortadas e/ou restos de barba são preferíveis a pelos do corpo por causa da bem
definida taxa de crescimento das unhas, de 2 a 3 mm por mês. Assim sendo, as unhas acessam um
período de aproximadamente quatro a cinco meses. Em comparação, a taxa de
crescimento e inatividade dos pêlos do corpo não é bem definida, resultando que
um período preciso não pode ser estabelecido com espécimes de pêlo do corpo.
Entretanto, em algumas situações, uma combinação de análises de pelos do corpo
e de unhas pode ser a abordagem mais conveniente.

Esta consiste de uma análise inicial dos pelos do corpo. Se produzir
resultados negativos, nenhuma ação adicional se justifica. No caso de um
resultado positivo no teste de pelos do corpo, o período de uso de droga é
determinado por coletas subseqüentes de unhas correspondentes ao período mais
recente de três meses. A lavagem,
digestão, filtragem e procedimentos de confirmação de espectrometria de massa
usados para cortes de unha são idênticos
àqueles usados para análise de cabelo.
Os resultados da análise de cabelo e de unha dos mesmos doadores são
mostrados nas figuras 14.6 a
14.7 e na tabela 14.5. Os resultados mostram que resultados positivos de cabelo
são comparados com resultados positivos de unha. Em geral, por causa da taxa
mais lenta de crescimento, concentrações de droga em unhas tendem a ser mais
elevadas que em espécimes de cabelo.
14.5.4 - Nenhuma Evidência para Efeitos
Tendenciosos de Cor de Cabelo
Recentemente vários
investigadores apresentaram a hipótese de que usuários de cocaína com cabelos
escuros podem ser identificados com maior eficácia pela análise de cabelo do
que aqueles com cabelo de cor mais clara. A hipótese da cor dos cabelos ou de
tendência racial foi proposta com base em estudos in vivo com número estatisticamente insignificante de pacientes
humanos, e subseqüentemente com base em experiências in vitro e estudos com animais que tem pouco a ver com o tema em questão. A hipótese de
tendência da melanina baseia-se na idéia de que drogas ilícitas, especialmente,
podem ligar-se preferencialmente a melanina em vez de a queratina.

Esta hipótese foi invalidada pela investigação extensa dos autores do
presente estudo. Já que estes estudos foram descritos e detalhes em outra
parte, eles serão apenas brevemente resumidos na comunicação presente.
14.5.4.1 – Efeitos Tendenciosos Podem ser
Facilmente Corrigidos na Análise de Cabelo
Inicialmente deve ser declarado que é muito fácil para a análise
de cabelo (mas não para análise de urina) corrigir qualquer efeito tendencioso,
caso se concluísse que tais efeitos são devidos a cor do cabelo (ou mesmo
devidos a qualquer outra causa). Como isto é feito é evidente partindo de como
um efeito tendencioso se manifestaria na análise de cabelo, e é ilustrado com
um exemplo hipotético na figura 14.8.

|
Tabela 14.5 – Dados de
comparação para Níveis de carboxi-THC detectados no Cabelo e nas Unhas.
|
|
Amostras
de Cabelo
|
Amostras
de Unhas
|
|
3.0
|
18.2
|
|
1.3
|
4.1
|
|
7.3
|
4.1
|
|
0.9
|
12.8
|
|
0.3
|
2.0
|
|
1.0
|
3.1
|
|
0.7
|
3.3
|
|
0.3
|
0.6
|
|
1.5
|
22.8
|
|
0.4
|
0.7
|
|
* O número é dado em pg por amostra de 10 mg
|
Remediar as claras diferenças na correlação entre níveis de droga no
cabelo e dose de droga ingeridas entre as duas populações hipotéticas de
usuários de droga A e B, basta simplesmente configurar o nível de expansão da
população A em C e aquele para população B em D. A figura 14.9 ilustra como as duas populações
apareceriam na ausência de um efeito de tendência para a cor do cabelo.

14.5.4.2
- Baixa Probabilidade de Efeitos de Tendências quanto à cor do cabelo
Efeitos de tendências quanto a cor do cabelo são improváveis de
acontecer por vários motivos:
a) Conteúdo de melanina no cabelo.
Espera-se que qualquer efeito tendencioso devido a cor de cabelo
aconteça em proporção direta ao conteúdo de melanina no cabelo. Mas como foi
mostrado que até mesmo cabelo loiro contem uma quantidade importante de
melanina em relação ao cabelo preto, para não mencionar em relação o cabelo
marrom (tabela 14.6), não é possível para a ligação preferencial postulada de
drogas a melanina produzir diferenças importantes nos conteúdos de droga do
cabelo.
Além disso, o impacto estatístico que diferenças no conteúdo de
melanina poderia exercer seria enormemente reduzido pelos efeitos da
individualidade bioquímica. Nossos estudos e aqueles de outros pesquisadores
mostraram que a individualidade bioquímica pode causar uma dispersão de ordem
de magnitude um no nível de incorporação de droga.
b) Efeitos Competitivos de Ligação.
Para a presença de tendência quanto a cor do cabelo é necessário que as
drogas ingeridas liguem-se preferencialmente a melanina em lugar de com a
queratina. Entretanto, tais ligações por quaisquer forças sejam covalentes, e
iônicas ou de Van der Waals, é excluída por uma quantidade de fatores.

1. Proteínas, por causa de sua
diversidade na composição de aminoácido e complexidade estrutural em relação a
melanina, são mais prováveis que a melanina de se envolverem em interações de
ligação. Isto é particularmente verdadeiro no caso de uma proteína de
albuminoide como a queratina, com propriedades de ligação bem estabelecidas
para moléculas orgânicas.
2. Em geral, a ligação de
drogas ilícitas tanto para a queratina como para a melanina grandemente inibida
pelos efeitos competitivos de ligação de substratos endógenos presentes em
concentrações muitas mais altas que as drogas ilícitas.
|
Tabela 14.6
Conteúdo de melanina de
Cabelo Negro, Castanho e Louro
|
|
Cor do cabelo
|
Taxa de Melanina de espécimes individuais
de cabelo (% peso do cabelo)
|
Taxa média de melanina
(% peso do cabelo)
|
|
Louro
|
0.6, 0.7, 1.3, 1.6, 1.8, 1.8, 1.9, 2.2
|
1.49
|
|
Castanho
|
1.0, 1.6, 1.7, 1.8, 2.0, 2.0, 2.1, 2.1
|
1.79
|
|
Preto
|
2.7, 2.9, 3.0, 3.2, 3.3, 3.8, 4.1, 4.2
|
3.40
|
|
Tabela 14.7
Estudos de Ligação
Competitiva Em Melanina Capilar Isolada
|
|
|
|
Porcentagem
de Analitos ligados a Melanina na Presença de:
|
|
Analitos testados
|
Quantidade de Analitos acrescidos aos
Tubos de ensaio(ng)
|
.01 MPO
|
21mg DTT
|
Digestão de cabelo
|
|
Cocaína
|
10
|
59
|
39
|
0
|
|
Morfina
|
10
|
15.5
|
15.4
|
5
|
|
Carboxi-THC
|
0.02
|
0
|
0
|
0
|
|
Metanfetamina
|
10
|
40
|
6.7
|
0
|
|
PCP
|
10
|
28.8
|
24.3
|
0
|
|
*
DTT representa ditiotreitol
|
|
|
|
|
|
|
|
3. A proteção de drogas
ilícitas das interações de ligação competitivas anteriores pela existência de
pontos específicos de ligação (tipo anticorpos)
é mais provável de ocorrer com proteínas que com a melanina.
4. A vantagem de
concentração de 30 para 70 da queratina
sobre a melanina empurra o equilíbrio de ligações de droga na direção da
queratina em vez de na direção de ligações de melanina
c) Estudos de ligação In vitro.
Embora ligações específicas não competitivas de agentes farmacêuticos a
melanina possam ocorrer através da transferência de carga de formação complexa,
tal ligação geralmente é um evento raro por causa das rígidas exigências
mecânicas de quantum que têm que ser atendidas para tal união. Nós investigamos
a possibilidade de tal ligação com as drogas NIDA-5. Isto envolveu pré-ligações
de drogas a melanina isolada e em seguida a verificação se quaisquer das drogas
ligadas poderia ser deslocada da melanina por soluções contendo ditiotreitol
(DTT) ou ditiotreitol e queratina parcialmente em digerida Os resultados
na tabela 14.7 mostram que as drogas previamente ligadas a melanina são
facilmente deslocadas por DTT e
queratina, isto é, que as drogas NIDA-5 não se ligam preferencialmente a
melanina por interações específicas. Nossos resultados são consistentes com
aqueles de outros investigadores.
d) Interpretação Errônea de Estudos de
ligação In vitro
Em contraste com os de estudos in
vitro previamente mencionados que excluem a possibilidade de interações de
ligação específicas com melanina, os estudos apresentados pelos proponentes da
hipótese de influência da melanina foram mostradas como sendo tragicamente
falhos tanto em base experimental como em bases teóricas. O primeiro problema com o estudo de Joseph é
que este não foi realizado da maneira convencional, isso é, com melanina
isolada. Ao invés disso, um sistema experimental altamente irreal e de difícil
controle foi usado, envolvendo o saturamento de cabelo pulverizado alvejado e não
alvejado em soluções aquosas de cocaína. Esta complexidade experimental sem
relação com processos in vitro
conduzida por Joseph et. al para
confundir interações de ligações não
especificas com interações de ligações específicas. Isto aconteceu porque estes
investigadores não aplicaram o teste padronizado para ligação específica, isso
é, resistência de deslocamento de cocaína dos locais de ligação no cabelo por
analitos não relacionados (de reação cruzada).
Além disso, Joseph et. al não fizeram qualquer tentativa para explicar
por que os cabelos de indivíduos afro-americanos masculinos ligaram 8 X mais cocaína que o cabelo de indivíduos
afro-americanos femininos contendo essencialmente a mesma quantidade de melanina.
Indiferentes a estas inconsistências nos resultados de uma hipótese de
tendência a melanina, os autores ignoram explicações alternativas para seus
resultados. Uma tal explicação atribui maior nível de cocaína nos cabelos de
indivíduos afro-americanos do sexo masculino em relação a aquela nos cabelos de
indivíduos afro-americanos do sexo feminino a presença de maiores quantidades
de sais quaternários de amônia no cabelo mais antigo (i.e. mais longo) e desta
forma mais poroso das pacientes. Estes sais polímeros positivamente carregados
são derivados de condicionadores de cabelo e xampus e são projetados para
ligarem-se fortemente a cabelos porosos negativamente carregados. Uma vez que o
grupo amino de cocaína carregado positivamente será provavelmente atraído aos
mesmos pontos não específicos negativamente carregados no cabelo, tais ligações
sofrerão interferência dos polímeros quaternários carregados pré-ligados dos
produtos cosméticos. O mesmo mecanismo explica todos os outros resultados do
estudo de Joseph, em especial o baixíssimo nível de ligação de cocaína aos
cabelos louros, que, por causa de sua estrutura mais fina e menor conteúdo de
melanina, é mais propenso de ser danificado pela luz violeta, e por sua
vez, é conhecido como a causa de o cabelo
louro ser mais poroso que cabelo pigmentado.
e) Interpretação Errônea de Estudos In vivo com Pacientes Humanos.
Outra publicação freqüentemente citada pelos proponentes da hipótese
tendenciosa da melanina é um estudo de dose controlada feita por Henderson et
al. no qual foram administradas pequenas quantidades de cocaína deuterada a
pacientes humanos. Neste estudo, concluiu-se que pacientes de teste não
caucasianos tinham concentrações de cocaína anormalmente altas no cabelo.
Significativamente, estes indivíduos também tinham cocaína deuterada
distribuída em largas áreas de seus cabelos em regiões que não correspondiam à
ocasião de administração da dose deuterada. Devido a Henderson et al apenas
terem lavado os cabelos de seus pacientes de estudo com lavagens aquosas de
menos de 10 minutos, em vez das lavagens de 3 X 30 minutos (ou mais tempo)
conforme usada pelos autores presentes, é altamente provável que as
concentrações anormalmente altas de cocaína encontradas nos quatro indivíduos
não Caucasianos foram causadas por remoção ineficiente da cocaína depositada
por suor no domínio semi acessível em lugar de por um efeito tendencioso da
melanina. Henderson et al, em seu segundo relatório sobre este tema agora
também explicam seus resultados em termos de contaminação por suor.
Embora a possível contaminação de cabelo por suor contendo droga de um
usuário de droga seja um tema importante no teste de droga, especialmente para
análise segmentaria, parece haver considerável confusão naquele sobre este
tema. Por exemplo, muito poucos pesquisadores no campo de teste de cabelo
diferenciam entre drogas no lago intravascular e drogas que tenham sido
transportadas através dos vasos capilares para o lago extravascular. Uma vez
que as drogas no lago extravascular estão em equilíbrio dinâmico com as drogas
no lago das glândulas sudoríparas, é apropriado combinar estes dois lagos. Uma
nomenclatura adequada para este lago combinado é lago de suor endógeno. É
importante distinguir este lago do lago de suor exógeno, isto é, das drogas
contidas no suor sobre a superfície da pele.
Embora se espere que as composições de drogas dos lagos de suor exógenos
e endógenos sejam bastante semelhante por causa do fácil equilíbrio,
espera-se que seus papéis na
incorporação de drogas no cabelo sejam significativamente diferentes. Assim, as
drogas no lago endógenos banham o
altamente permeável cabelo não cornificado durante sua síntese por muitos dias
e, dessa forma, forneça um eficiente vetor para incorporação da droga no
cabelo. Em contrapartida, as drogas no lago de suor exógenos contatam o cabelo por breves períodos de
tempo, e então somente quando o domínio inacessível do cabelo tenha se tornado
altamente resistente a penetração de drogas exógenas como resultado da
cornificação. Uma conseqüência importante desta situação é que o perfil droga/
metabólico no cabelo é provável de assemelhar-se com o perfil droga/ metabólico
conforme avaliado pelo procedimento de placa de suor. Porém, isto não significa
que o lago de suor exógeno desempenhou papel significante na deposição de
drogas no domínio inacessível do cabelo sob condições in vivo. Nossos resultados com experiências de saturação e análise
segmentaria com pacientes humanos indicam que drogas no lago de suor exógeno
estão confinadas aos domínios acessíveis e semi-acessíveis do cabelo, do qual
só podem ser efetivamente liberados por extensa lavagem com solventes aquosos.
O tempo de contato com soluções aquosas de lavagem deveria ser da ordem de 30
minutos por causa da lenta taxa de difusão das drogas no domínio semi-acessível.
Em outras palavras, 30 lavagens de 1 minuto não serão tão eficazes para remoção
das drogas do domínio semi-acessível como uma lavagem de 30 minutos de
duração.
f) Estudos com Animais: Um Modelo Fraco
para Pacientes Humanos.
Outros dados in vivo citados
em apoio à hipótese de tendência da melanina são derivados de experiências
feitas com animais como ratos, camundongos ou cobaias. Embora tais dados possam
ser válidos para o animal específico sob investigação, nós acreditamos, com
base em nossa experiência com estudos feitos com animais, que tais dados não
podem ser extrapolados para pacientes humanos por causa das diferenças na
estrutura bioquímica do cabelo de animais e de humanos e por causa das
diferenças nos processos fisiológicos subjacentes.
O cabelo animal é fisiologicamente diferente do cabelo humano. Isto
pode ser deduzido pela dificuldade de digerir enzimaticamente o cabelo animal.
Além disso, com animais endógamos não se tem a vantagem dos efeitos protetores
da individualidade bioquímica e as diferenças nos resultados entre animais de cabelo branco e animais de cabelos escuros
podem ser causadas por fatores genéticos não relacionados com o conteúdo de
melanina no cabelo. E, naturalmente, as diferenças no conteúdo de droga em
animais de múltiplas cores podem, por analogia à situação humana, ser causadas
por efeitos de pontos específicos do corpo e não pela de cor do cabelo. Mesmo o
maior conteúdo de droga em cabelo pigmentado e em cabelo não pigmentado do
mesmo ponto (dois pontos no caso de humanos) não pode ser atribuída a um efeito
da melanina excluindo outras diferenças bioquímicas. Por exemplo, cabelo não
pigmentado em humanos é muito mais grosso que cabelo pigmentado bem como muito
mais difícil digerir (ou extrair) que o do seu vizinho pigmentado. Em todo
caso, uma diferença de dois pontos entre estes dois extremos em cor de cabelo
não pode produzir um efeito tendencioso significante quando oposto pelos
efeitos de uma ordem de magnitude da individualidade bioquímica. Em geral, no
entanto, achamos curioso que os proponentes da hipótese tendenciosa da melanina
mantenham que os resultados de teste de cabelo podem ser afetados por
diferenças raciais superficiais no âmbito da mesma espécie, mas não por
diferenças bioquímicas fundamentais entre membros de espécies diferentes.
Assim, Conclusões validas para camundongos não são prováveis de serem particularmente relevantes para
homens.
g) A Exclusão da Melanina do Processo
Analítico.
Finalmente, a possibilidade de efeitos tendenciosos da melanina também
é excluída pelos procedimentos experimentais usados pelos autores presentes, ou
seja, pelo procedimento de remover o granulo de melanina usando centrifugação
do digesto do cabelo antes da análise. Este método assegura que qualquer droga
ligada a melanina seja removida do processo analítico. Deve ser notado que a
melanina é removida não por causa de qualquer incerteza dos autores em relação
à ausência de um efeito tendencioso da melanina, mas evitar interferência na
precipitação.
Esta proteção adicional é consistentemente ignorada ou atenuada por
explicações dos defensores da hipótese de tendenciosidade da melanina.
Entretanto, os proponentes da hipótese de tendenciosidade não podem ter tudo ao
mesmo tempo: por um lado, discutem que a constante de equilíbrio sob as condições de solução in vivo favorece extensas ligações da
melanina sobre a queratina, ao mesmo tempo mantendo o exato oposto sob as
condições in vitro do digesto de
cabelo. As tentativas de escapar deste dilema termodinâmico postulando que o
moderado procedimento de digestão enzimático no
pH 7 danifica o altamente estável biopolimero da melanina são
inconsistentes com as propriedades extensivamente pesquisadas dos grânulos de
melanina isolados. Entretanto, as proteínas da queratina também ligam a
melanina. Consequentemente, qualquer droga vetora de queratina que também
esteja ligada a melanina resultará, com tratamento enzimático, em uma liberação
de drogas da melanina. Mas isto é causado
por uma mudança na queratina e não na estrutura da melanina.
14.5.4.3 - Estudos In vivo Refutam a Hipótese Tendenciosa da Cor do Cabelo
As considerações teóricas precedentes sobre ligações e nossos estudos in vitro mostram claramente que efeitos
tendenciosos derivados da cor do cabelo não são esperados no caso das drogas
NIDA-5. Esta conclusão é ainda mais confirmada por estudos in vivo com pacientes humanos usando três diferentes abordagens
experimentais. Em um estudo simulado feito por Mieckzkowski e Newel com 1161
pacientes humanos para quem os autores presentes forneceram os serviços
analíticos, foi investigada a freqüência relativa de uso de cocaína em populações Afro Américas
e Caucasianas através de auto-relatórios, análise de urina, e análise de
cabelo. A tabela 14.8 mostra que cada medição forneceu a mesma freqüência
relativa de uso de droga nestas duas populações. Por conseguinte, a análise de
cabelo somente pode ser influenciada por raça ou cor de cabelo se
auto-relatórios e análise de urina forem influenciadas no mesmo grau. Esta obviamente
não é uma opção para explicar os resultados anteriores.
A segunda abordagem in vivo
consistiu em estabelecer se havia qualquer diferença estatisticamente
significante entre grupos raciais na correlação entre quantidades de uso de
cocaína auto-relatadas e os correspondentes níveis de cocaína no cabelo. Estes
estudos foram feitos em uma base simulada com dois investigadores
independentes. Consistente com os modelos hipotéticos apresentados nas figuras
14.8 e 14.9, não vemos diferenças importantes nas correlações de níveis de dose
/ cabelo entre os diferentes grupos raciais (figuras 14.10 e 14.11)
|
Tabela 14.8
Taxas Positivas de Cocaina
por relato próprio, Análise de Urina, e Análise de Cabelo nas Populações Afro
Americana e Caucasiana
|
|
|
Taxa
Positiva de Cocaína (%)
|
Taxa
Positiva Afro Americano
|
|
Método
de Avaliação
|
Afro
Americano
|
Caucasiano
|
Taxa
Positiva Caucasianao
|
|
Relatório próprio
|
19.7
|
12.1
|
1.62
|
|
Urina
|
35.9
|
16.5
|
2.7
|
|
Cabelo
|
62.5
|
36.2
|
1.72
|
|
N
representa 315 Afro-americanos e 846 Caucasianos
|

A terceira abordagem compreendeu a avaliação da distribuição da
prevalência de concentrações de cocaína e de maconha no cabelo de
afro-americanos e Caucasianos usuários de drogas - neste caso, candidatos a
emprego narco-positivos. A prevalência
dos vários intervalos das concentrações de cabelo refletindo as diferencias na
severidade de uso de drogas é expressa como porcentagens dos totais de usuários
de droga em cada população. Usando esta abordagem normatizada, pode-se corrigir
os efeitos de fatores culturais e sócio-econômicos que podem causar a
preferência por determinada droga por um grupo étnico especifico.
Na ausência uma tendência quanto a cor do cabelo e diferenças na
severidade dos padrões de uso nas duas populações de teste, a distribuição
mostrada na figura 14.12 seria obtida. O padrão de distribuição especifica
mostrado baseia-se no fato experimental que no caso de candidatos a emprego, a
fração maior de usuários de droga cai no muito leve para a categoria leve de
uso de droga.


Como a distribuição nas concentrações de droga apareceria no caso de
tendência quanto a cor de cabelo é mostrado na figura 14.13. Neste diagrama,
nós ilustramos o caso hipotético onde a acumulação de drogas no cabelo
afro-americano é 200% maior que em cabelo Caucasiano. Esta
diferença no acumulo de droga resultaria em uma guinada para a direita nas
barras escuras por 2 unidades de concentração, por exemplo, no caso da barra de
5 a 15ng
por 10mg, esta seria movida para onde a barra de 25 a 35mg por 10 cabelo está
situada. Todas as outras barras são igualmente deslocadas.
Os resultados mostrados nas figuras 14.14 e 14.15 mostram, pela
ausência de uma distribuição bimodal, que nenhuma tendência racial ou de cor de cabelos existe nos
ensaios para detecção de cocaína e de maconha. Os leves desvios do modelo
teórico mostrado na figura 14.12 são causados por pequenas diferenças no padrão
de uso de droga muito leve para leve nas duas populações de teste, e por
flutuações estatísticas causadas pelo pequeno número de usuários de droga
caindo para a faixa de concentrações mais altas. Consistente com os dados na
Tabela 14.4, a análise presente também mostra que a categoria de usuários leves
de cocaína (entre 5 a
35ng por 10 mg de cabelo) constitui, respectivamente, 50% e 59% dos resultados
positivos de uso de drogas nas populações Afro-americana e Caucasiana. As
análises estatísticas para as drogas menos freqüentemente usadas, a
metanfetamina, heroína, e PCP, estão em desenvolvimento.
Concluindo, é curioso a notar que, apesar da evidência esmagadora
contra a hipótese de tendenciosidade da melanina, seus proponentes persistem em
sua posição ao mesmo tempo em que ignoram solenemente as evidências tendenciosas em exames de urina
e de suor.



Por exemplo, é óbvio que fatores tais como diferenças em gordura
corpórea e retenção de água entre os sexos ou em indivíduos sofrendo de
desordens metabólicas, como também diferenças de suor em climas frios e
quentes, e durante diferentes atividades físicas, influenciarão os resultados de
exames de urina e de suor.
4.6 – Situação dos Exames de Cabelo
Usando os procedimentos e
critérios descritos no presente relatório, os autores exploram um programa
seguro e efetivo de exames de drogas no local de trabalho, onde, até agora,
foram testadas mais de 1.5 milhões de indivíduos. A segurança e a confiança
neste programa é grandemente aumentada por uma característica única da análise
de cabelo, isto é, a capacidade de coletar um segundo espécime de cabelo (o
espécime de rede de segurança) para confirmar a validade dos resultados obtidos
com o primeiro espécime coletado. Esta é uma característica que grandemente
apreciada igualmente pelos examinadores como para os pacientes de teste.
Análise de cabelo tem sido rotineiramente apoiada em tribunais
estaduais, federais e militares. O histórico legal da análise de cabelo foi
revisto recentemente.
A validade e eficácia do exame de cabelo foram confirmadas em
laboratórios independentes pela publicação de mais de 500 documentos
científicos. Análise de cabelo também foi debatida extensivamente em cinco
conferências internacionais. O Instituto Nacional de Normas e Tecnologia tem
estado, desde 1990, ativamente envolvido na pesquisa de testes em cabelo,
organizando mesas redondas de estudo, e com o desenvolvimento de Normas para
testes de cabelo.
Durante o mês de janeiro de 1996, um grupo internacional de cientistas
forenses, em sua maioria de laboratórios acadêmicos e de governo da Europa, mas
também de outros continentes, formou a Sociedade para Teste de Cabelo. Na
terceira conferência internacional sobre testes em cabelo em Genova em junho de
1996, a
Sociedade desenvolveu uma posição consensual sobre métodos para testes em
cabelo seguros e eficazes. Aproximadamente 100 profissionais de testes em
cabelo participaram no processo de consenso. Os consensos de teste (e atas da
conferência) foram publicados na revista Ciência Forense Internacional. No
outono de 1996, a
Sociedade iniciou uma eficiente programa de teste para a certificação de
laboratórios para testes de cabelo.
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