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Antidrogas e UNODC

Relatório Mundial das Drogas 2006 do UNODC mostra que - exceto a
maconha - o problema das drogas está sendo contido
BRASÍLIA e WASHINGTON, 26 de junho de 2006 (UNODC/UNIC)
- No mundo todo, 200 milhões de pessoas, cerca de 5% da população
entre 15 e 64 anos, usam drogas ilícitas pelo menos uma vez por ano.
Cerca de metade dos usuários usa drogas regularmente; isto é, pelo
menos uma vez por mês. Mas as tendências do consumo e do tráfico de
drogas dão sinais de estabilização. "O controle de drogas está
funcionando e o problema mundial das drogas está sendo contido",
disse o Diretor Executivo do Escritório das Nações Unidas contra
Drogas e Crime (UNODC), Antonio Maria Costa. Mas é necessário passar
da contenção do problema para a redução.
Para o UNODC, todos
têm que fazer a sua parte. Na Europa, a demanda por cocaína
aumentou. Giovanni Quaglia, Representante do UNODC para o Brasil e
Cone Sul, alerta: "Um dos problemas é que há muitos profissionais,
pessoas com alto nível de educação e renda, que usam drogas no mundo
todo". O Diretor Executivo do Escritório, Antonio Maria Costa,
ressaltou, "Estratégias de longo prazo podem reduzir a oferta, a
demanda e o tráfico. Se isso não acontecer, vai ser porque alguns
países não levaram a questão das drogas suficientemente a sério e
usaram políticas inadequadas. Muitos países acabam tendo os
problemas de drogas que merecem".
Essas tendências e dados estão no
Relatório Mundial de Drogas, divulgado hoje pelo UNODC O documento
também tem uma análise do mercado global das drogas, com números
sobre a produção, o tráfico e o consumo dessas substâncias. O
relatório completo estará a partir de hoje no website (
www.unodc.org
e
www.unodc.org.br )
Cannabis -O
Relatório Mundial das Drogas de 2006 chama atenção para o uso da
droga mais consumida no mundo: cannabis em erva e resina (maconha e
haxixe). Cerca de 162 milhões de pessoas usaram a droga pelo menos
uma vez em 2004, o que equivale a cerca de 4% da população mundial
entre 15-64 anos. E o consumo continua a crescer. A produção mundial
de maconha (erva) passou de 42 mil para 45 mil toneladas, sendo que
54% vêm das Américas (35% da América do Norte e 18% da América do
Sul). A maior parte do haxixe produzido no mundo vem do Norte da
África (42%), principalmente do Marrocos. De lá a droga sai para o
mercado ilegal do Norte da África e do Oeste da Europa, que é o
principal mercado de haxixe do planeta, com registros de mais de 70%
das apreensões da em 2004.
O UNODC alerta que
a cannabis está muito mais potente agora do que nas décadas
anteriores. Para Costa é um erro considerar maconha e haxixe drogas
brandas, que causam menos danos. Há cada vez mais provas de que o
uso pode causar sérios problemas mentais. "Hoje, as características
mais perigosas de cannabis não são mais tão diferentes das outras
drogas que vêm de plantas, como a cocaína e a heroína", disse Costa.
O número de
apreensões de cannabis no mundo todo aumentou, assim como o consumo.
Na década de 80 houve forte declínio na oferta da droga,
principalmente com os programas de erradicação nos países andinos.
Mas a década seguinte revelou aumento da produção, que continua até
hoje, em níveis mundiais. No Brasil, as estatísticas do governo
revelam queda no consumo de maconha. Na Argentina e no Uruguai houve
ligeiro aumento e no Paraguai houve aumento considerável do consumo
da droga. A América do Norte apresenta os maiores índices de consumo
de cannabis. A maioria da droga vendida nos Estados Unidos ainda vem
do México, apesar de 80% da produção mexicana ter sido erradicada.
Boa parte da droga nos Estados Unidos vem do Canadá, onde houve
aumento na produção de cannabis de alta potência, produzida em
estufas ou lugares fechados.
A América Central e
a América do Sul apresentam um enigma. Grandes apreensões foram
feitas em diversos países, mas as pesquisas indicam que há poucos
consumidores. Além disso, com a exceção da Colômbia, nenhum outro
país é um exportador importante de cannabis para o mercado fora da
América do Sul. O Paraguai é o principal fornecedor da maconha
consumida no Brasil e países do Cone Sul (Argentina, Chile, Paraguai
e Uruguai).
A re-engenharia da
cannabis - Duas questões servem de estímulo para se repensar a
política mundial sobre a maconha e o haxixe. A primeira é a potência
da cannabis sinsemilla - que contém botões e as flores da planta
fêmea - e o crescente mercado para esse tipo da droga. O segundo
agravante são as pesquisas recentes que indicam os riscos à saúde,
associados ao consumo, e que podem ter sido subestimados no passado.
Desde a década de
70, produtores de cannabis na América do Norte e na Europa tentam
criar cannabis mais potente. O mercado da droga de potência elevada,
como a sinsemilla, cresce em diversos países que têm altos índices
de consumo da droga. A potência da sinsemilla aumentou
consideravelmente nos Estados Unidos, no Canadá e na Holanda. Os
três países são considerados a vanguarda da criação de cannabis e
produção de tecnologia. Há indícios de que o mercado se espalha para
outros países.
Impacto na saúde
pública - Apesar da necessidade de mais estudos sobre o impacto da
nova cannabis, setores de emergência de hospitais dos Estados Unidos
registraram aumento do número de pessoas que reclamam de efeitos
graves e inesperados após consumir a versão potencializada da droga.
Houve aumento da busca por tratamento de dependência de cannabis nos
Estados Unidos e na Europa. Além disso, estudos mais recentes
indicam que os riscos que a maconha e o haxixe apresentam à saúde
foram subestimados no passado. Cerca de 9 % dos que experimentam a
droga não conseguem interromper o uso. A cannabis foi associada a
início de psicose em pessoas mais vulneráveis, e agravante de
sintomas ligados à esquizofrenia. Efeitos negativos intensos da
cannabis incluem ataques de pânico, paranóia e sintomas psicóticos.
Apesar a percepção generalizada de que os riscos da cannabis são
amplamente conhecidos, novas pesquisas indicam que há muito mais a
aprender sobre a droga. A cannabis está mudando e novas formas
potentes se tornam cada vez mais usadas. Como o número de
consumidores é alto, é preciso monitorar essas transformações.
Cannabis X Tabaco -
Os dados parecem perder força quando se analisa o uso substâncias
psicoativas lícitas, como o cigarro. O tabaco causa dependência
química rapidamente. Cerca de 28% da população mundial adulta fuma
(tabaco), o que excede enormemente os percentual que usa drogas
ilícitas. O controle de drogas ilícitas no âmbito multilateral
conseguiu conter esse número em 5% da população mundial (entre 15 e
64 anos). Entre eles 4% usam cannabis e 1% usam anfetaminas, cocaína
e opiáceos.
Cocaína - No mundo
todo, cerca de 13,4 milhões de pessoas, ou 0,3% da população entre
15-64 anos usa cocaína. O relatório mostrou a tendência de declínio
moderado em 2004, o que não ocorre há anos. A maior parte da droga
continua a ser usada nas Américas, especialmente na América do
Norte, que tem 6,5 milhões de dependentes químicos, o que
corresponde a quase metade da demanda mundial da droga.
A América do Sul
tem alto índice de pessoas tratadas por dependência de cocaína. Mas
os registros de consumo no Brasil e na Argentina permaneceram
estáveis, enquanto Paraguai, Colômbia e Peru registraram aumento no
consumo.
Nos últimos cinco
anos a área de cultivo da coca nos países andinos' caiu 25%. As
tendências do tráfico são mais difíceis de quantificar, mas as
apreensões na região aumentaram. Em 2005, a Colômbia continuou sendo
o maior produtor mundial de coca, com 54% do cultivo total. O Peru
ficou em segundo lugar, com 30% da produção e a Bolívia em terceiro,
com 16%.
Anfetaminas e
ecstasy - Depois de anos de aumento contínuo na década de 90, o
mercado de anfetaminas está se estabilizando. O número de apreensões
de anfetaminas diminuiu 53%, em comparação com os dados do Relatório
anterior, principalmente pela diminuição das apreensões no Leste e
Sudeste asiático. Por outro lado, o número de apreensões de ecstasy
aumentou de 5 toneladas em 2003 para 8 toneladas em 2004. Argentina,
Brasil e Uruguai apresentaram aumento nas apreensões da droga, que é
fabricada principalmente na Europa, onde foi registrada a metade das
apreensões no mundo todo.
O uso mundial do
ecstasy mostra tendências diferentes. Na América do Sul, a Argentina
apresentou os índices mais altos de aumento do consumo da droga.
Houve aumento também no Chile, na Colômbia e no Peru. O consumo
ficou estável no Paraguai e no Uruguai. No Brasil não há dados
disponíveis sobre mudanças de comportamento quanto ao uso de ecstasy.
Mas o aumento considerável de apreensões no Brasil também é um
parâmetro de medição do consumo da droga. Houve redução no uso da
droga na América do Norte, especialmente nos Estados Unidos. Na
Europa Ocidental, após anos seguidos de aumento no consumo, o uso de
ecstasy começa agora a se estabilizar. Já na Europa Oriental, o
número de usuários vem crescendo.
As drogas e o
HIV-AIDS - No mundo todo, entre 5% e 10% de todas as infecções pelo
HIV estão relacionadas ao uso de drogas injetáveis com
compartilhamento de seringas e agulhas contaminadas. A estimativa é
de que existam no mundo cerca de 13 milhões de usuários de drogas
injetáveis, sendo que 78% deles vivem nos países em desenvolvimento
ou em transição. Na América do Sul, quase 80% dos usuários de drogas
injetáveis estão infectados pelo HIV.
Acesso ao arquivo do Relatório Mundial das Drogas
aqui
(pagina em inglês)
Apresentações utilizadas no lançamento do relatório
(para abrir este arquivo clique com o botão direito do mouse
e escolha a opção Salvar destino como...)
português
(arquivo Power Point - 15,6 MB)
espanhol
(arquivo Power Point - 15,8 MB)
Conheça
aqui
a campanha do Dia Internacional de Luta contra o
Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, 26 de junho
Para mais informações por favor
entre em contato:
Carolina Gomma de Azevedo
Assessora de Comunicação - UNODC Brasil -
www.unodc.org.br
Tel: 55 61 3367-7353 (r 207) e 55 61
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Carolina.Azevedo@unodc.org
Fonte Autorizada: UNODC
http://www.unodc.org/brazil/pt/about_us.html
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