O mundo contra as drogas

Este foi o slogan da Conferência Nacional de Prevenção a Drogas-2001, em Itaici,
onde nós do grupo de Amor Exigente estivemos e constatamos a presença de pessoas experientes, integrantes da Rede Interamericana de Prevenção a Drogas – DPNA. Eram médicos, psiquiatras, professores dos Estados Unidos, Canadá, Jamaica, Peru, Uruguai, Bolívia e do Brasil. Fora três dias completos de estudos, mesas redondas e contatos valiosos com pessoas de outros países, que já experienciaram condutas pessoais e políticas, e já conhecem o resultado, passando assim para nós brasileiros que caminhos podemos trilhar e quais devemos evitar.  

O que ficou para nós da Conferência, e que veio reforçar nossas posições pessoais e de Amor Exigente, foi o empenho das entidades participantes em reforçar as propostas de Prevenção, e em opor-se frontalmente à Política de Redução de Danos.  

Fazer Prevenção é menos problemático que recuperar, menos custoso econômica e emocionalmente. Os princípios básicos e genéricos de prevenção a drogas seriam, segundo o DPNA:

1 – Promover uma qualidade de vida saudável, livre de drogas
2 – Posicionar-se contra o uso de drogas ilegais e o abuso de drogas legais;
3 – Opor-se à política de legalização de drogas;
4 – Apoiar as convenções e os tratados das Nações Unidas, no que se refere a drogas  

Ficou também clara a posição contrária à Política de Redução de Danos. O grupo mais empenhado nessa oposição era o dos representantes do DPNA, pessoas de outros países, principalmente dos Estados Unidos e Canadá, que já trilharam caminhos enganosos, que nós brasileiros estamos começando a adentrar.  

Reduzir Danos seria: substituir drogas mais pesadas por drogas mais leves, por exemplo, evitar a cocaína e permitir a maconha, ou utilizar medicamentos; legalizar as drogas, para diminuir o tráfico ilegal e diminuir as prisões de pessoas; distribuição de seringas descartáveis para se evitar a Aids. A opinião que ficou clara é que “reduzir riscos, através da prevenção é melhor que reduzir danos. Nossos esforços contra as drogas deveriam, então, se concentrar na Prevenção, não na experimentação, no não uso. Devemos reduzir a demanda pela prevenção, e não deixar os danos acontecerem”.

Legalizar Drogas? Pensamos que “o que não é proibido é permitido e se é permitido eu posso fazer”. Seria aumentar o uso, o crime, a degradação social, e tiraria a força dos pais e professores nos seus propósitos de prevenir o uso entre jovens e adolescentes. Nosso Governo não está preparado para atender a demanda de internações hospitalares, que por certo aumentariam. Aliás não está preparado para as necessidades que hoje nós temos como comunidades terapêuticas e hospitais e médicos especializados na rede pública. Nossa carência para o tratamento é significante.  

Distribuir seringas para evitar Aids? Quem garante que as seringas distribuídas não seriam partilhadas? Outros países já fizeram isso e só ganharam mais degradação moral e social, mais crimes, mais acidentes. Distribuir seringas é colocar instrumento danoso para usuários, é perpetuar a dependência.

O ser humano precisa de limites e isso se faz com leis e não com facilitação. Facilitação seria um conjunto de atitudes, que venham a colaborar direta ou indiretamente no sentido de dar suporte, perpetuar ou facilitar o uso de drogas ao dependente.  

A Política de Redução de Danos tem minado esforços da Prevenção. É uma força contrária, é tirar recurso econômico e pessoal da Prevenção, para coloca-lo na Facilitação.  

A maioria das pessoas é contra a legalização das drogas e a distribuição de seringas, mas essa maioria não se faz ouvir, não se movimenta; e estratégias preparadas para a Redução de Danos e estes fazem mais barulho e são mais ouvidos e têm mais poder de persuasão. Existe uma campanha velada que solta idéias e conceitos e vai lentamente mudando mentalidades, conseguindo convencer pessoas que tem poder de decidir.  

Com a Redução de Danos, as crianças e jovens aprendem a usar a droga de maneira “mais segura”. A idéia passa a ser não para evitar ou abandonar a droga, mas para usá-la de maneira menos perigosa. A inversão de conceitos fica tal que nos Estados Unidos, por exemplo, a Nicotina é mais malquista e maldita que a Maconha. Veja que engano!  

Nós do Grupo de Amor Exigente, que trabalhamos semanalmente com 100, 120 pessoas sofridas, as vezes desesperadas com os problemas de drogas de seus familiares, não podemos ser a favor da legalização, da distribuição gratuita de seringas, da idéia de que maconha não faz mal. Estamos vendo ao vivo quanto isso é danoso, quanto isso é colocar “pele de ovelha em lobo”, como isso é como “colocar luva de box em quem bate na mulher”. Nós do AE temos nossas posições claras e que batem com as idéias da Rede Interamericana de Prevenção a Drogas. Somos a favor de concentrar esforços na Prevenção.  

Junte-se a nós, as segundas-feiras, 20 horas, no Salão da Igreja Nossa Senhora de Fátima. Lute conosco para conseguirmos levantar nossa sede própria, para podermos ampliar nossos trabalhos. Vamos entrar na Rede de Prevenção.   Vera Lúcia Lorenzetti Gelás
Pedagoga e Coordenadora de Amor Exigente