Aspectos Históricos do Tabaco

Parece que o tabaco começou a ser usado pelos índios da América do Norte e que chegou ao Brasil com a migração das tribos tupi-guaranis. Achados arqueológicos de pesquisas realizadas em Minas Gerais, sugerem que os indígenas daquela região teriam feito uso do tabaco há mais de 10.000 anos.

O tabaco era uma planta sagrada para os indígenas. Era usado nas práticas religioso e medicinal, o índio acreditava na função terapêutica da fumaça, ela espantava os maus fluidos e os maus espíritos.

Quando os navegadores europeus chegaram no continente americano encontraram os nativos fazendo uso de tabaco . Logo após o descobrimento do Brasil, os colonizadores relataram uma prática indígena de inalar a fumaça de uma erva nativa (Nicotiana tabacum), e que ficavam embriagados e entorpecidos.Prática esta logo incorporada pelos colonizadores.

Os europeus levaram para seus países o tabaco existente no continente americano, a fim de ser usado como remédio. O tabaco foi introduzido na Europa a partir de Portugal e Espanha.

No século XVII predominava a forma de tabaco fumado e tem inicio a industrialização do cachimbo.

Na Inglaterra e França o hábito de fumar foi tão amplamente difundido, que logo vagões de fumar foram introduzidos em trens,e salas de fumar em clubs e hotéis. Até mesmo roupas apropriadas, o smoking.

No século XIX surge o cigarro .

O difusor do tabaco na Europa foi Jean Nicot, embaixador da França, que levou sementes de Portugal pra França. Em uma carta a rainha Catarina de Medicis, fez uma verdadeira apologia aos efeitos medicinais do tabaco. Aprovado pela rainha logo o habito se espalhou pela corte.

Na época a cura de mais de 60 doenças foram atribuídas ao tabaco, as propriedades terapêuticas do tabaco foram aceitas sem restrição pela população em geral e até pelos médicos. E por ser assim considerado, o tabaco passou a fazer parte da farmacopéia de quase todos os países como medicamento.

Porem, apesar de toda a panacéia em torno dos supostos efeitos curativos do tabaco, começaram a surgir referências aos efeitos deletérios do mesmo.
Murray relata morte de três crianças em 24 horas, em conseqüência de fricções com o sumo do tabaco na pele.

Em 1670, o Dr. Thomaz Theodor Kercking, em Amsterdam, publicou um estudo onde descreve os danos produzidos pelo tabaco na boca, traquéia e pulmões.

Em 1788, na Polônia, o Dr. Bulchoz fez a primeira referencia cientifica à dependência provocada pela nicotina, que veio a ser cientificamente confirmado no século XX, na década de 80.

O DR. Boisson, em 1859 na França, relaciona o câncer de lábios, mucosos bucal e bexiga ao hábito de fumar.
Apesar de todas as advertências que surgiram ao longo do tempo, o hábito de fumar disseminou por todos os continentes, atingindo seu apogeu no século XX.

Tabagismo

O tabaco é uma das principais causas evitáveis de mortes prematuras em todo o mundo. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, 4 milhões de pessoas morrem por ano devido a doenças causadas diretamente pelos derivados do tabaco; em 2025 10 milhões de mortes por ano serão causadas pelo tabaco.

Apesar da mortalidade e morbidade causadas pelo tabaco, seu consumo global vem aumentando. Seu consumo só está diminuindo nos países desenvolvidos (USA, Inglaterra) e nos países em desenvolvimento a tendência é de aumento.

Estima-se que no Brasil haja atualmente 35 milhões de pessoas que ainda fumam. A maioria das pessoas desconhecem os reais malefícios do fumo.

Cerca de 30% dos casos de câncer são causados pelo fumo. Dentre os cânceres de pulmão, pelo menos 85% são causados pelo cigarro. Também cânceres da boca, da faringe, laringe, do esôfago são relacionados com o fumo.

Alem do câncer outras doenças são associadas ao fumo tais como: enfisema, bronquite, aneurisma de aorta, arteriopatias periféricas etc…

O tabagismo afeta também o desenvolvimento da gravidez, a perda do concepto é mais freqüente, nascimento de crianças de baixo peso, bebes mais sujeitas à morte subta e outras doenças peri e neonatais.

A exposição ambiental à fumaça de cigarro também é comprovadamente nociva. Não fumantes expostos a fumaça de cigarro em ambientes fechados têm uma probabilidade 20% a 30% maior de desenvolver doença cardiovascular do que pessoas não expostas, câncer em fumantes passivos é cerca de 30% maior do que entre pessoas não expostas.


Dependência de Nicotina

A severidade da dependência de nicotina pode ser ilustrada pelo fato de que somente 33% dos que abandonam o tabagismo espontaneamente permanecem abstinentes por 2 dias e menos de 5% finalmente têm sucesso em uma dada tentativa de parar.

A visão do hábito de fumar como dependência de droga, causou uma verdadeira revolução nas formas de entendimento e tratamento dos fumantes, isto ocorreu a partir de 1988, após o relatório do cirurgião geral Dr. Koop, que concluiu que o cigarro e outras de tabaco geram dependência, que a droga que causa dependência no tabaco é a nicotina, e que os processos farmacológicos e comportamentais que determinam a dependência do tabaco são similares àqueles que determinam a dependência à outras drogas como heroína e cocaína.

Ação da Nicotina no Sistema Nervoso Central

NICOTINA SISTEMA CEREBRAL DE RECOMPENSA LIBERAÇÃO DOPAMINA PRAZER

Sintomas da dependência de Nicotina

– tolerância: a necessidade de quantidades cada vez maiores de uma droga para obter os mesmos efeitos do que antes. A maioria dos fumantes inicia fumando alguns cigarros por dia e faz uma escalada até 20 ou mais cigarros por dia.

– Sintomas de abstinência: presença de sintomas característicos da falta de nicotina. Menor concentração e atenção , ansiedade, vontade de fumar.

– A droga é usada em quantidades maiores ou por um tempo maior do que o desejado. A maioria dos fumantes (80%) deseja parar de fumar, mas tem dificuldade em parar.

– O uso da droga se mantém independente do conhecimento do dano físico ou psicológico advindo do uso. A maioria dos fumantes já teve ou tem alguém com problema físico relacionado ao cigarro e mesmo assim continua fumando.

Dr. José Belon Fernandes Neto – Psiquiatra

Bibliografia Consultada:

O Tabagismo Visto sob Vários Aspectos: Jandira Torreiro de Carvalho
Tratamento Da Dependência da Nicotina: Ronaldo Laranjeira, Alice Gigliotti