Amor Exigente Responde II

O que é crack?
É uma mistura de cocaína, bicarbonato de sódio e água, que resulta em grãos que, por sua vez, se somam formando as chamadas “pedras”. Sob esta forma, a cocaína é fumada (cachimbo), entrando na corrente sanguínea pelos pulmões. Resultado: o efeito é quase imediato – o crack leva em torno de vinte segundos para atingir o cérebro, com uma violência devastadora.

Como os prazeres físicos e psíquicos são obtidos rapidamente, o contrário também o é. A síndrome de abstinência se manifesta rapidamente, em coisa de quinze a vinte minutos. Consequência: fuma-se outra “pedra”.

O crackeiro usa inicialmente o crack para obter prazer. Após pouco tempo passa a consumi-lo para escapar da dor e do sofrimento. A “lua de mel” com o crack é muito curta. As lesões cerebrais produzidas por ele são imediatas e irreversíveis. O crackeiro tem vida curta. Não dá para ficar esperando, temos de agir.

Você usa drogas? Se não usa, como pode falar sobre elas?
É o tipo de pergunta provocativa. Normalmente quem a faz já tem a resposta ou não está interessado efetivamente nela. Mesmo assim é bom acolhê-la e respondê-la com todo o carinho. Não é preciso tomar cianureto para saber que ele mata. Um obstetra acompanha a mulher na gravidez e no parto sem nunca ter parido.

Qual a pior droga que existe?
Três respostas.
1. A que o indivíduo está usando.
2. Em média o álcool demora trinta anos para levar o usuário à perda das funções sociais – fazer sexo, trabalhar, estudar, relacionar-se sadiamente com as pessoas etc. A maconha cinco anos, a cocaína dois anos e o crack menos de seis meses. É preciso ter presente que a ação química varia de pessoa para pessoa.
3. Em termos sociais, no Brasil, sem dúvida alguma, o álcool é a pior droga, haja vista o número de homens em idade produtiva que estão incapacitados e pendurados nos serviços de saúde, o número de acidentes de trabalho e principalmente de trânsito – mais de 50% dos acidentes envolvendo veículos têm como causa o uso desta droga. Com um agravante: ela é socialmente aceita e seu uso é estimulado pela cultura e pela mídia.

Apenas 5% do custo social (hospitalização, ausência no trabalho, doença, morte, etc) decorrente do uso de drogas é devido às drogas ilícitas.

Por que a polícia e o governo não fazem nada?
Porque a problemática é maior que as capacidades de que eles dispõem. O uso em grande escala de drogas é produto de uma sociedade doente. Portanto, não é possível transferir responsabilidades. Somente com a soma dos recursos de todos os segmentos que compõem a sociedade – escola, igrejas, clubes, organizações não-governamentais, governo, fundações, unidades fabris e de produção, comércio etc. – o quadro de abuso de drogas será revertido. Aqui cabe lembrar um provérbio africano: “Para educar um menino é preciso uma ladeia”.

Não esquecer de que a produção de drogas, como faturamento, só perde para as indústrias de armamento e petróleo. Assim, ela possui enorme poder de corrupção. Vejamos alguns dados publicados pelo O Estado de São Paulo nos dias 3 e 4 de março de 1996: Relatório do FBIO encaminhado à Interpol e documento do Departamento de Estado Americano mostram que só o Cartel de Cali lucrou US$ 7 bilhões, mais que a multinacional IBM (US$ 6,4 bilhões).

Os narcotraficantes movimentaram em 1995 em aplicações, investimentos e lavagem de dinheiro mais de US$ 200 bilhões. De acordo com o DENARC(Departamento de Investigações sobre Narcóticos – SP), a Grande São Paulo possui 1,6 milhões de consumidores (uso diário) de maconha, cocaína, crack, LSD e ecstasy, mais de 4 milhões de usuários eventuais. O “barato” movimenta cerca de US$ 15 milhões por mês em São Paulo.

Tirado do livro: “Mostrar Caminhos”
Autor: José Neube Brigadão
Colaboração: Vera Gelás