Amor Exigente Responde IV

Qual é o perfil de um drogado?
Não dá para falar de perfil, mas sim de características. Os drogados, na sua maioria, são egocêntricos, narcisistas, onipotentes, oriundos de ambientes permissivos e despreparados para conviver com a frustração, com o sofrimento e com a dor, imediatistas, inseguros, inconstantes, frágeis no trato da afetividade e mentirosos.
O Jackson, coordenador do AE – Brooklin, diz algo muito significativo: "O drogado não mente mais pois tem de dormir".

A família é a culpada pela existência do drogado?
Normalmente esta pergunta surge como afirmação, talvez a afirmação mais frequente. Não existem culpados, só existem perdedores. Podemos afirmar que o problema do abuso de drogas é produto de uma sociedade doente. Como a família faz parte da sociedade ela também é produto desse estado doentio.

Todos os que experimentaram drogas tornam-se drogados?
Esta é uma pergunta que sempre ocorre quando falamos para jovens. É fácil compreender por quê. Quando ela surge imediatamente me ocorre uma parábola contada pelo Dr. Aiuchi na Academia de Polícia de São Paulo.
Imaginemos que dez pessoas treinaram para ser para-quedistas. Durante o vôo que os levará ao ponto de salto, o instrutor diz:
– Aqui estão dez mochilas. Nove delas possuem pára-quedas. Uma não. Podem pular.
Você pularia?!
A probabilidade do experimentador tornar-se dependente é de um para dez, desde que a droga experimentada não seja o crack.
São vários os fatores que influenciam o surgimento de um dependente. Entre eles temos: – que a droga experimentada seja a sua droga de eleição; propriedades psicofarmacológicas da droga experimentada; dosagem; forma de administração; reações individuais; estruturas psíquicas do experimentador; expectativa diante da droga; estado de saúde em que se encontra o experimentador; meio ambiente no qual o experimento é feito.

Qual a reação das famílias quando são informadas de que um de seus membros é um drogado?
As famílias, em especial os pais, reagem da seguinte maneira, independentemente da ordem: – negam o fato; agridem aquele que os informa; imediatamente interrogam o drogado. Como ele não é bobo e é um grande mentiroso, encontrará uma "linda desculpa" ("colocaram na minha mochila", "estava guardando para o meu amigo", "foi a polícia que colocou" etc), e a família imediatamente a aceitará, afinal é o que mais deseja ouvir; entram em estado de torpor e imobilismo; negam as evidências, que são sinais de alerta; desenvolvem sentimentos de culpa; culpam uns aos outros e se autodestroem; buscam formas de justificar o fato; agridem o usuário, moral ou fisicamente; choram descontroladamente; escondem o fato da macrofamília, dos vizinhos e dos conhecidos, da escola, isto é, se fecham; enlouquecem!!!
É bom salientar que os irmãos, via de regra, permanecem lúcidos. Como seria bom que, neste momento, os pais ouvissem os filhos sãos.

Como informar a família de que um de seus membros é usuário de droga?
Com prudência. Caso contrário a família se colocará em atitude de defesa e se fechará para a informação.
"Meu filho está usando droga. O seu anda muito com o meu" é uma boa maneira de se começar a conversa. Dê tempo para a família digerir a informação. Ofereça ajuda, sem insistência. Seja econômico ao falar.
Convide alguém de sua confiança para estar junto no momento da conversa. Muitos mal-entendidos serão evitados com esse ato de prudência.

Tirado do livro: "Mostrar caminhos"
Autor: Prof José Neube Brigadão
Colaboração: Vera Gelás