Amor Exigente Responde VI

O que leva os pais, ao saber que seu filho se droga, a não agir?
São muitos os fatores. Entre eles temos: – vergonha; sentimento de culpa; despreparo; desequilíbrio emocional; medo da reação do filho, que pode demonstrar ou já demonstrou violência; solidão; desinformação e principalmente, por viverem no passado ou no futuro. Nunca no presente.

Como assim, viver no passado ou no futuro?
Os pais se tornam reféns de duas palavras: culpa e se. A culpa remete a pessoa ao passado, pois está associada a lago que já foi feito. O se é a manifestação do medo por algo que a pessoa imagina que pode acontecer, que portanto está no futuro. Eles são infindos. Vejamos alguns. E se ele for embora? E se ficar agressivo? E se for preso? E se morrer? E se fugir? Quando a pessoa não está disposta a fazer algo sempre encontrará um se para justificar a sua inatividade. A culpa e o se imobilizam os responsáveis, não lhes permitem viver o presente. Só no presente é que podemos agir.

Por que há pais que procuram grupos de apoio, mas logo desistem?
No momento do acolhimento logo fica claro que muitos pais que procuram ajuda estão, como seus filhos drogados, à procura de uma pílula mágica, que resolva o problema sem a necessidade de esforço, rapidamente e de forma indolor. Esta pílula não existe. O problema só será resolvido pela ação. Ação implica esforço, tempo e sofrimento. Tais pais ficam pulando de um para outro grupo de apoio, sem nada resolver. Lembre-se da figura do co-dependente. Grupo de apoio não é lugar para se ficar dando tapinhas nas costas. É lugar para encontrar caminhos de resolução. Imagine se der certo, como fica o co-dependente? Perde os lucros? O Amor Exigente é freqüentemente procurado por esposas de alcoólicos. Após ficar claro que no relacionamento de ambos não existe mais confiança, amor, responsabilidade e respeito – sem isso não há casamento – , pergunta-se: "Por que você continua casada?" Na maioria das vezes a resposta é a seguinte: "Como eu vou viver? Não sei fazer nada para ganhar dinheiro". Esta é uma situação de prostituição doméstica. Ela vende valores morais pelo "baú" e não volta mais ao grupo de apoio. Há uma outra situação também freqüente. O responsável (normalmente a mãe) chega ao grupo de apoio. Já tentou tudo: ameaça, prisão, FEBEM, internação em clínica particular (uma fortuna) e gastou seus últimos centavos, está sozinho, pois os demais membros da família já desistiram. Deseja a morte: a sua ou a do drogado. O que ele quer? Libertação. Lembre-se, ele está exaurido. O que procura? Uma internação imediata e gratuita, que o deixe descansar por alguns meses. Tão logo consegue a internação deixa de vir ao grupo. Muitos pais passam a freqüentar um grupo de apoio por imposição da Comunidade Terapêutica. Tão logo o filho retorne os pais deixam de freqüentar o grupo, como se quisessem esquecer todos os sofrimentos passados. Muitos voltam, com a recaída do filho. O índice de perseverança dos pais no Amor Exigente é exatamente igual ao índice de recuperação dos filhos. Este dado é estatístico.

Há relação entre droga e ociosidade?
Sem dúvida alguma. Há um ditado que diz: "A ociosidade é a mãe dos vícios". O tripé para recuperação de um dependente é formado por laborterapia, acompanhamento profissional e espiritualidade. Laborterapia = trabalho. Portanto, prevenção = trabalho. Quando sugerimos aos pais que seus filhos trabalhem, logo ouvimos uma destas respostas: "Está difícil arranjar emprego". "Ele não consegue serviço". "Mas pagam tão pouco". Mas nós não falamos em emprego, serviço ou ganhar dinheiro. Nós falamos em trabalho! "Todo folgado tem um sufocado que o sustenta" (Içame Tiba).

Tirado do livro: "Mostrar caminhos"
Autor: Prof José Neube Brigadão
Colaboração: Vera Gelás