Praças de lazer viram ponto de drogas no ABC

Com o crescimento desordenado das cidades, as praças se transformaram em importantes áreas de lazer para a população. Porém, se de dia elas são freqüentadas por moradores em busca de tranqüilidade, à noite são pontos de encontro de consumidores de drogas e de marginais.
Durante o dia, freqüentam as praças crianças, jovens e idosos. Todos em busca de divertimento. Os idosos se encontram com pessoas da mesma idade, como acontece na praça Boulevart Ernest Solvay, no Centro de Ribeirão Pires, onde há dezenas de mesas para jogos de tabuleiro, como xadrez, dama, dominó e baralho. Os jovens e as crianças preferem os espaços com áreas de esporte e playgrounds.

“Como faltam espaços para lazer nos bairros, a Prefeitura deveria equipar as praças, instalando playgrounds para as crianças, por exemplo”, disse a dona de casa Maria Rosa Santos, que diariamente leva o filho para brincar na praça Lauro Gomes, no Centro de São Bernardo.

Na região existem 1,7 mil praças. Santo André é a cidade com a maior quantidade de praças, 500. São Bernardo vem em segundo lugar, com 438. Empatadas na terceira posição estão São Caetano e Mauá, com 70. Depois vem Ribeirão Pires, com 14, e Diadema, com dez. Por último, Rio Grande da Serra, com apenas cinco.

Todas as prefeituras da região reconhecem a importância das praças como área de lazer e afirmaram ter projetos de revitalização de praças e construção de novas. As administrações reconhecem que a atividade de lazer é uma saída para o combate da criminalidade.

Segurança – Porém, a praça que durante o dia serve de área de lazer, à noite vira ponto de marginalidade. Usuários de drogas e assaltantes se reúnem nos espaços verdes – quase sempre mal-iluminados e com arborização densa. A falta de policiamento nas praças facilita a ação dessas pessoas e amedronta os vizinhos.

“É bom ter uma praça para lazer no bairro, mas não é bom ter uma praça em frente de casa”, disse a dona de casa, Irene Cordeiro, que mora em frente à praça Elis Regina, no Jardim Ana Maria, em Santo André, e convive com marginais à sua porta. “Não adianta a Prefeitura construir praça sem tomar conta à noite.”

Mas as prefeituras se esquivam do problema e alegam que a segurança nessas áreas não é de responsabilidade municipal, mas sim de competência da polícia. Elas argumentam que é possível apenas amenizar o problema com instalação de grades de ferro ao redor das áreas, cujo portão permanece fechado no período noturno. Mas são poucas as que possuem as grades. Duas delas são a praça dos Meninos, no bairro Rudge Ramos, em São Bernardo, e a outra a praça Di Thieni, na região central de São Caetano. As praças da região são patrulhadas pelas Guardas Municipais, mas apenas durante o dia e nas regiões centrais das cidades

Fonte: Diário do Grande ABC – Setecidades