Tráfico de drogas cresce na fronteira afegã com Tajiquistão

As tropas sob comando russo que vigiam a fronteira do Tajiquistão com o Afeganistão alertaram sobre um notável aumento do tráfico de droga procedente do território afegão nos últimos meses. O serviço de imprensa da guarda das fronteiras russas informou hoje na capital tajique que, em janeiro, foram apreendidos 120 Kg de drogas, 94 deles de heroína. No mês passado foram 80 Kg de narcóticos confiscados, 55 deles de heroína.

Esse relevante aumento, advertido desde outubro, se deve, segundo apontaram fontes militares em Dushanbe, à saída do mercado das cargas de ópio e heroína armazenadas durante os meses de campanha antiterrorista internacional no norte do Afeganistão. Neste mês de janeiro, os guardas russos tiveram que responder com tiros, em três ocasiões, às tentativas de grupos de narcotraficantes de violar a fronteira por onde levam suas cargas em lombos de animais ou em sacos carregados pelos próprios contrabandistas.

Depois, a droga é transportada em veículos 4X4 em organizadas caravanas pelas máfias centro-asiáticas e russas com destino à Rússia e Ocidente. O Tajiquistão está se tornando a primeira rota utilizada pelos narcotraficantes afegãos para abastecer os mercados de drogas da Europa, segundo denunciou recentemente o Serviço Federal de Fronteiras russo.

Apesar da derrota do regime Talibã, que no passado fez do tráfico de ópio e heroína sua principal fonte de financiamento, os principais centros de produção dessas drogas continuam funcionando no norte do Afeganistão. No ano passado, foram confiscadas 5,4 toneladas de drogas, 2,4 delas de heroína, na fronteira tajique-afegã, segundo os dados do serviço de policiamento das fronteiras.

Cerca de 95 por cento das drogas apreendidas na fronteira tajique-afegã estava sendo levado ao Tajiquistão das províncias afegãs de Kunduz e Tajar, em cujas capitais se encontram os principais centros de produção de ópio e seus derivados. Outras rotas partem de Feizabad, capital da província afegã de Badajshan, de onde a droga viaja pelo leste tajique até Quirguízia, a cidade de Osh, mercado centro-asiático do ópio.

Fonte: Terra – Mundo