Um tubo de aço recheado com maconha

Uma denúncia anônima feita pelo telefone levou os policiais da 2.ª Delegacia do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) à apreensão de cerca de uma tonelada e meia de maconha de uma quadrilha que estava sendo investigada há seis meses. A droga, apreendida na tarde de anteontem em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, estava escondida dentro de dois grandes cilindros de aço, usados em construções como trituradores de pedras.

“Um policial jamais encontraria essa droga durante uma revista de rotina, pois teriam de trabalhar com uma serra para ver o interior dos tubos de metal”, afirmou o escrivão Adilson Freitas. Para ele, os integrantes da quadrilha são profissionais, pois normalmente as drogas são escondidas em fundos falsos feitos nos veículos.

Dos cinco criminosos capturados pela polícia em um posto de gasolina na entrada da cidade, somente o ajudante geral, desempregado, Marcelo Aparecido Carvalho, de 33 anos, tem passagem pela polícia por receptação. O mecânico – e chefe da quadrilha – José Lisboa, de 43 anos, garantiu que o caminhão estava parado no posto porque ele não encontrou as pessoas que tinham pedido o entorpecente. Para a polícia, ele estava no posto esperando um braço mecânico para levar a droga para um sítio.

O motorista e proprietário do veículo, Edivaldo Serino Guarinelli, de 34 anos, disse que não sabia que estava carregando maconha.

“Essa foi a segunda vez que presto serviço para Lisboa. Jamais imaginaria que eu estava carregando drogas e contribuindo com o tráfico”, disse Guarinelli. Segundo Lisboa, o motorista não está envolvido com o tráfico.

“Não sabia que era droga. Tinha até nota fiscal”

O motorista cobrou R$ 800 para transportar os tubos de Pontaporã, no Mato Grosso do Sul, até a Rodovia Raposo Tavares. “Liguei para Lisboa sem saber de nada. O material tinha até nota fiscal. Só no posto, quando vi a polícia, é que fiquei sabendo o quê eu estava levando.”

No primeiro serviço que prestou a Lisboa, Guarinelli havia carregado três cilindros. Lisboa contou que teve a idéa de transportar a droga dentro dos tubos e garantiu que foi a primeira vez que vendeu e transportou esse material. “Comprei a maconha por R$ 20 o quilo, para revender por R$ 170.” Segundo o delegado responsável, Fábio Dalmás, os criminosos podem pegar de três a 15 anos de prisão.

Fonte: Jornal da Tarde – Geral