Prevenir é o melhor caminho

Uma panfletagem marcou, há dois anos, o início da recuperação de B., de 24 anos, dependente químico de drogas. ‘A importância do trabalho de prevenção é total. Foi através de um panfleto que tive informações e acesso ao tratamento. Assim que cheguei ao Conselho Estadual Antidrogas (Cead) fui atendido por uma psicóloga que me encaminhou para internação’, conta B., que continua em tratamento ambulatorial. Animado com a causa, B. estará trabalhando como voluntário na campanha que o Cead inicia hoje nas praias do Rio.
Por quatro domingos consecutivos serão montados estandes na orla. Neles serão prestados esclarecimentos e distribuídos folhetos sob o sol do fim do verão. Os agentes estarão hoje na Barra, na altura do Barramares. Dia 24 o estande estará montado na Praia de Copacabana, em frente à Rua Bolívar. Dia 3 será a vez de Niterói, na Praia de Icaraí, próximo à Rua Miguel de Frias. O projeto se encerra no dia 10, em Ipanema, em pleno Posto 9, tradicional reduto de consumo de maconha.

Atendimento – Acreditando na prevenção como arma poderosa contra o uso de drogas, os governos estadual e municipal promovem freqüentemente ações de conscientização. ‘Essas campanhas surtem efeito, porque a partir delas surgem pessoas que procuram atendimento ambulatorial no Cead. Dependendo do caso, encaminhamos o usuário às clínicas de tratamento mantidas pelo Estado’, explica a presidente do conselho, Érika Asfora.

Ao longo do ano, o Cead promove palestras em escolas, comunidades carentes e empresas. ‘Em 2001 atingimos mais de 13 mil pessoas que se transformaram em agentes multiplicadores’, explica Érika. Mensalmente o conselho organiza um curso sobre dependência química para 100 educadores. Nos dias 4, 5 e 6 de março, será realizado na Universidade Cândido Mendes o Segundo Fórum Estadual Anti-drogas. O encontro vai apresentar os avanços na área de prevenção e traçar novas propostas de atuação. O futebol, grande paixão nacional, é aliado nessa luta. Para estar junto ao numeroso público em dias de jogos, o Cead promove campanhas educativas em pleno Maracanã. ‘Fizemos esse trabalho ano passado e vamos repetir. Já estamos organizando a agenda de acordo com a tabela de jogos para este ano’, adiantou Érika.

Se o esporte mais popular do país contribui com o trabalho do Estado, o xadrez, exatamente por ser considerado um esporte elitista, é aliado da prefeitura. O projeto ‘Xeque Mate nas Drogas’, da Secretaria Especial de Prevenção à Dependência Química (SEPDQ), espera aprovação e parcerias para implementar o xadrez em comunidades carentes. O intuito é ampliar nas crianças e jovens a capacidade de estabelecer estratégias na solução dos problemas do jogo, transferindo, depois, essa habilidade para enfrentar os desafios da vida.

Demanda – O coronel Francisco Duran, que trabalhou por 22 anos na repressão, hoje confessa que não há solução para o problema das drogas sem a prevenção. ‘A droga é uma mercadoria que está disponível. Se reduzirmos o número de consumidores, diminuiremos a demanda e, conseqüentemente, as vendas e o tráfico’, diz Duran, que está à frente da SEPDQ. Com um orçamento de R$ 2,3 milhões para este ano – parte ainda subordinada a aprovação de projetos -, a secretaria promove exclusivamente ações preventivas no município do Rio. Todos os anos é realizado o concurso de textos teatrais ‘Tirando a droga de cena’ para alunos do ensino fundamental da rede municipal.

A SEPDQ contribui com a capacitação de professores, guardas municipais, taxistas, agentes de saúde e outros multiplicadores. De março a outubro, 352 professores de escolas municipais estarão assistindo palestras. A previsão é que, até o fim do governo Cesar Maia, as 1.029 escolas do município tenham sido visitadas. Também em março, a secretaria começa a distribuir nas comunidades carentes folhetos explicativos sobre os malefícios da maconha. ‘Droga não é uma questão de polícia, é de saúde pública’, afirma o secretário Duran.

Fonte: Jornal do Brasil – Cidade