“Czar”antidrogas defende maior ação militar

O “czar”do programa antidrogas da Casa Branca, John Walters, disse ontem que é favorável à ampliação do envolvimento militar americano na Colômbia, mas afirmou que isso depende do Congresso.

“A responsabilidade final sobre o que e como fazer depende do Congresso”, afirmou ele, durante um debate sobre a relação entre o terrorismo e o narcotráfico.

Segundo ele, o “Congresso não tem uma visão única”sobre a possibilidade de mudar o atual Plano Colômbia e ampliar a participação americana ao combate contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). “Os EUA precisam ter um consenso sobre esse assunto.”

As declarações de Walters foram em resposta a John Thompson, general americano aposentado que queria saber por que os EUA não liberam aos colombianos todos os dados de satélite e outras informações sobre movimentos das Farc.

“Se os terroristas colombianos lucram com o tráfico de drogas e matam autoridades que tentam combater o narcotráfico, por que não ajudamos os colombianos a combater sua guerrilha?”Walters respondeu: “A questão básica é: o Congresso quer”?

Especialista em educação, Walters foi indicado em dezembro de 2001 pelo presidente George W. Bush para chefiar o escritório da Casa Branca responsável pelo combate às drogas. Ele substituiu no cargo o general Barry McCafrey, que coordenou o escritório durante o governo de Bill Clinton.

Sob as regras do Plano Colômbia, aprovado pelo Congresso em 2000, os EUA já gastaram US$ 1,1 bilhão em armas e em programas de assistência militar contra o narcotráfico.

No entanto a lei proibiu que recursos e informações de inteligência sejam desviados para o combate às Farc e aos outros grupos rebeldes e paramilitares no país. A Casa Branca sustenta que não há uma fronteira clara entre o tráfico e o terrorismo na Colômbia. Desde 11 de setembro, o governo tem consultado senadores e deputados sobre a possibilidade de alterar os princípios básicos do plano. O Congresso encontra-se dividido sobre o tema.

Embora tenha deixado claro a disposição da Casa Branca em aprofundar a ajuda à Colômbia, Walters ressalvou, no entanto, que não há consenso dentro do próprio Executivo sobre a forma e o momento de mudar o Plano Colômbia.

Segundo ele, há dúvidas sobre se esta seria ou não a hora adequada para tirar o foco da guerra contra a rede terrorista Al-Quaeda. “Além disso, temos de ter muito cuidado para mudar a relação de parceiros que temos com a Colômbia, que é um país democrático e tem soberania para decidir que tipo de ajuda precisa.”

No entanto Walters repetiu lema do governo no segundo o qual “a democracia está sob pressão na região andina porque o dinheiro gerado pela produção e o tráfico de narcóticos está disponível para grupos antidemocráticos e bem armados.”

A Casa Branca decidiu ontem manter a Colômbia na lista de países que colaboram com os EUA no combate à produção e ao tráfico de drogas. Com isso, Bush abriu as portas para a manutenção ou até a ampliação do Plano Colômbia. A Casa Branca divulgou o relatório anual de países que, embora sejam grandes produtores ou sirvam de corredor para o tráfico de drogas, têm governos que se empenham em combatê-las.

Esses países ganham um “certificado”do governo americano. Isso permite que continuem recebendo ajuda de órgãos como o Tesouro dos EUA e de organismos multilaterais, como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial. Os únicos três países reprovados foram o Afeganistão (que ganhou um perdão), o Haiti e Mianmar. O Brasil, considerado um grande “corredor”, foi aprovado.

Outro relatório que deveria ter sido divulgado ontem, o de respeito aos direitos humanos no mundo, foi adiado. O Departamento de Estado informou que o adiamento ocorreu porque o texto “ainda está sendo revisto”. No entanto a Folha apurou que a divulgação foi adiada porque seu texto trazia críticas pesadas à incapacidade do presidente colombiano Andrés Pastrana de punir assassinos e torturadores.

Algumas autoridades avaliaram que essas críticas poderiam inviabilizar os planos da Casa Branca de ampliar o envolvimento militar americano na Colômbia. A concessão de recursos do Plano Colômbia está vinculada à punição de responsáveis pela violação de direitos humanos no país.
Fonte: Bol