Falta de controle marítimo e terrestre facilita rede de tráfico

O Timor Leste pode se tornar uma base para as redes de tráfico ilegal de imigrantes, por falta de condições para controlar as fronteiras, alertou hoje, terça-feira, em Bali, o responsável de Política Exterior do Timor, José Ramos Horta.

O diretor da Administração Transitória da ONU para o Timor Leste (Untaet), o brasileiro Sergio Vieira de Mello, e o ministro indonésio de Assuntos Exteriores, Hasan Wirayuda, concordaram também em reforçar a cooperação entre ambos países em matéria judicial.

Horta destacou que seu país conta unicamente com dois navios patrulha doados por Portugal para controlar suas costas, enquanto que as fronteiras em terra ainda não foram delimitadas.

Representantes dos governos do Timor Leste, da Indonésia e da Austrália se reuniram hoje, terça-feira, em Bali para solucionar problemas comuns e se concentraram na questão de delimitar as coordenadas da nascente nação asiática.

O problema do contrabando de pessoas ilgeais afeta os três países, cujos ministros de Exteriores participarão a partir de amanhã, quarta-feira, da Conferência Regional sobre o Tráfico Ilegal de Imigrantes e Crime Transnacional, que será realizado na localidade balinesa de Denpasar, e na qual participam 25 países.

Essa reunião internacional tem como objetivo conseguir soluções concretas em matéria de cooperação policial, troca de informação, alfândega, controle de vistos e sistemas judiciais, entre outros.

O diálogo entre Timor Leste, Indonésia e Austrália serviu para aproximar suas posições, para acertar que esse contato se repita anualmente e para estabelecer um fórum comum permanente, depois que o Timor Leste consiguir a independência completa, em 20 de maio.

A Austrália anunciou hoje uma ajuda de 30 milhões de dólares (34,5 milhões de euros) para que os timorenses e indonésios que se viram deslocados durante a violenta transição do Timor Leste possam voltar para casa.

Cerca de 17 milhões de dólares serão destinados a mais de milhão de indonésios deslocados e o resto irá para os entre 60.000 e 80.000 timorenses que vivem em centros de refugiados na Indonésia.

O Timor Leste e a Indonésia assinaram também dois protocolos: um que estabelece relações de postagem e outro que faz um serviço de transporte terrestre que comunicará Oecussi, rodeado pelo mar e limítrofe com território indonésio, com o resto do país.

Especialistas da Indonésia e do Timor Oriental iniciarão uma investigação conjunta para determinar as fronteiras terrestres comuns e os limites marítimos.

A Indonésia ocupou o Timor Leste de 1975 até 1999, quando essa antiga colônia portuguesa votou pela independência em um plebiscito organizado pela ONU e que desencadeou uma violenta repressão por parte dos perdedores.
Fonte: Último Segundo