Drogas: o que você sempre quis saber

As perguntas abaixo foram selecionadas entre muitas que chegam rotineiramente aos grupos de Amor Exigente e a técnicos que trabalham com recuperação. E foram respondidas pelos técnicos da Comunidade terapêutica Bezerra de Menezes.

1. De que forma posso saber se meu filho está consumindo drogas? Que sinais e mudanças podem ser observados?
Há alguns sinais gerais que podem indicar o uso de qualquer droga. Mas eles devem ser analisados obviamente dentro de um contexto mais amplo da vida do jovem e segundo a dinâmica e cultura próprias de sua família. Observe, por exemplo, alterações bruscas no comportamento comum, com queda no rendimento escolar ou profissional ou abandono destas atividades, geralmente acompanhamento de inquietação e irritabilidade. Verifique se há ainda alterações visíveis no ciclo do sono, como muita sonolência ou insônia. Falta de motivação para atividades do dia-a-dia, atitudes furtivas e impulsivas e humor depressivo também são indicadores potenciais. Uso de óculos escuros, mesmo sem excesso de luz, e de camisas de mangas longas, mesmo no calor: presença de comprimidos, embalagens de "xaropes", "colírios", canudos rígidos, isqueiros e objetos estranhos ou incomuns no ambiente; e o desaparecimento de objetos de valor são atitudes que merecem seu alerta. Mas atenção: diante de qualquer suspeita de consumo de drogas, o melhor a fazer é chamar o filho para uma conversa franca, ponderosa e amiga. Ele certamente estará precisando de compreensão, apoio e ajuda.

2. Ouve-se muito falar em drogas fortes e leves. Na avaliação de leigos, as leves seriam drogas cujo consumo não provoca estragos significativos na vida dos usuários. As pesadas seriam aquelas que podem levar o usuário até a morte. Como classificar as drogas com relação ao seu impacto no organismo?
A compreensão atual sobre a natureza da adição química, aliada á nova classificação para as drogas, que provocam dependência são extremamente importantes à medida que derrubam o conceito antigo de drogas leves e drogas pesadas. Atualmente, reconhece-se que um indivíduo predisposto, ao consumir uma substância psicoativa, em ambiental favorável, tende a desenvolver a doença.

3. Normalmente, quem consome drogas consideradas leves, como a maconha, acha caretas aqueles que a condenam. Dizem que o uso moderado da droga estimula a criatividade e libera a ousadia. Como convencê-los a parar com o consumo se só enxergam benefícios?
Na última década foram desenvolvidos estudos conclusivos sobre a maconha, comprovando as seríssimas consequências de seu abuso no organismo, principalmente no organismo em desenvolvimento do jovem. A maconha produz efeitos perversos no sistema nervoso central, nos pulmões, no coração e vasos sanguíneos e no sistema imunológico. Interfere na sexualidade e fertilidade, danificando irreversivelmente os mecanismos de reprodução humana, com prejuízos para a produção de espermatozóides. A droga, que já foi considerada recreativa, provoca alterações no peso e nas funções dos órgãos reprodutivos femininos, afetando a produção dos hormônios que controlam o desenvolvimento fetal. O melhor modo de combater o mito da "inocuidade" da maconha entre os jovens é oferecer informações técnicas, atualizadas e, principalmente, desprovidas de preconceitos e julgamento de valor. O mais recomendável é que se procure o apoio de profissionais especializados que possuem didática apropriada para alcançar esta população. Geralmente, a informação bem fundamentada recebe ótima aceitação por parte do jovem. Este conhecimento necessita também ser transmitido às pessoas que exercem influência sobre a opinião pública, para que possam posicionar mais conscientemente sobre as políticas de liberação do uso de drogas.

4. Há casos de indivíduos que consomem cocaína, uma droga de alto poder viciante, e conseguem cessar o consumo sem ter chegado à dependência. Como explicar tal fato?
Pesquisas recentes informam que a cocaína é a droga que mais gera compulsão. A fissura inicial é intensa, fornece imediatamente energia adrenal, confiança e euforia, estimula instantaneamente o centro de recompensa e do prazer. Portanto, com forte poder de reforço ao uso, quer o indivíduo seja dependente ou não. A resposta provável a esta pergunta, no atual estágio do conhecimento na área, é que estas pessoas não possuem predisposição à dependência, ou seja, os seus organismos não estão pré-sensibilizados para a droga.

Colaboração do Amor Exigente de Marília