Jovem é detido por tráfico na Tijuca

A detenção de um menor, anteontem à noite, no Morro do Turano, na Tijuca, com quase um quilo de maconha, revela uma situação que vem ocorrendo com freqüência: o tráfico de drogas entre jovens de classe média.

Morador do bairro, o rapaz, de 17 anos, contou ao promotor Márcio Mothé, da 2 Vara da Infância e da Juventude, que subira o morro, alvo de uma guerra entre quadrilhas rivais de traficantes, para comprar a droga e dividi-la com nove colegas. Segundo o menor, cada um deu R$ 30 para a compra da droga.

— Não tinha idéia de que havia uma guerra lá — disse.

A maconha seria consumida pelo grupo até a Semana Santa, quando os jovens viajariam para Sana, distrito de Macaé. O rapaz contou que entre os colegas do bairro consumir maconha é normal:

— Conheço muitas pessoas e a maioria fuma maconha.

Menor já fora detido há pouco mais de três meses

Ele revelou ter experimentado maconha pela primeira vez aos 15 anos durante uma festa no playground de um prédio do bairro.

— Eu já tinha bebido e tinha várias pessoas fumando maconha no playground. Experimentei e até hoje não consegui largar — contou o rapaz.

Ele admite que o rendimento escolar foi afetado:

— Era um aluno que tirava nota 8. Agora, só tiro nota 6.

A família sentiu a primeira decepção há pouco mais de três meses, quando ele foi detido com uma “trouxinha”. Levado para o Juizado da Infância e da Adolescência, foi orientado a procurar ajuda. Chegou a fazê-lo, junto com o pai, no Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad) da Uerj. Voltaria ontem, mas, como foi apanhado novamente, não poderá conversar com a psicóloga. Agora, terá que aguardar julgamento até 45 dias, no Instituto Padre Severino.

Se condenado, poderá cumprir medida sócio-educativa de até três anos no Educandário Santo Expedito, em Bangu, palco de uma rebelião ocorrida na terça-feira passada.

Para Mothé, a disseminação do uso de drogas entre jovens está diretamente ligada a falhas dos pais na guarda dos filhos. Por isso, ele encaminhou à Justiça representação contra o pai do adolescente, que pode ter de pagar multa de até 40 salários-mínimos ( R$ 7.200):

— O menor é reincidente e o pai é o responsável legal.

Ele diz que pode, ainda, encaminhar à Justiça outra representação, desta vez criminal, contra o pai do rapaz por abandono moral e intelectual. Se condenado no processo, o pai do adolescente pode pegar de um a quatro anos de prisão. Para o promotor, a mesma classe média que cobra o combate à violência falha ao colaborar com o tráfico, comprando drogas:

— Se você permite que um filho compre drogas você também está colaborando para que a violência se espalhe.
Fonte: O Globo