EUA testam vacina para viciados em cocaína

Um laboratório americano acaba de iniciar testes de uma vacina para ajudar no tratamento de viciados em cocaína.

Os primeiros testes sugerem que a vacina, chamada TA-CD, é capaz de diminuir a absorção das moléculas da cocaína pelo cérebro.

O medicamento também pode reduzir a euforia experimentada pelo usuários de cocaína quando estão sob efeito da droga.

A cocaína é uma das drogas mais usadas nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha e pode causar problemas cardíacos e respiratórios, além de afetar o sistema nervoso.

Permeável

A droga afeta o cérebro porque suas moléculas são tão pequenas que conseguem transpor uma barreira de células que normalmente impede que substâncias potencialmente tóxicas atinjam seus delicados tecidos.

A vacina ajuda o corpo a produzir anticorpos que “grudam” nas moléculas da cocaína, impedindo que elas sejam absorvidas pelo cérebro.

Isso significa que, mesmo que um paciente utilize a droga depois de tomar a vacina, seus efeitos serão muito mais suaves.

O laboratório Xenova, que está desenvolvendo a vacina, realizou com sucesso testes de segurança e de eficiência do medicamento.

Depois de observar um grupo de pacientes, os pesquisadores da empresa concluíram que, para diminuir os efeitos de euforia causados pela cocaína, são suficientes quatro doses da vacina durante 12 semanas.

Mesmo alguns meses depois de receber a vacina, os pacientes apresentavam os anticorpos.

“A TA-CD se mostrou promissora até o momento”, afirmou David Oxlade, diretor da Xenova.

“Há uma necessidade real para uma terapia eficiente que ajude os usuários habituais de cocaína a superar seus problemas de abuso de drogas e vício”, disse ele.

Dúvidas

Aidan Gray, coordenador nacional da Coca, grupo de apoio a usuários de cocaína e crack da Grã-Bretanha, disse à BBC que, se a vacina realmente funcionar, ela será uma arma muito útil.

“As únicas dúvidas são por quanto tempo os efeitos duram e qual será o seu preço”, afirmou.

“Será que os pacientes vão precisar tomar a vacina periodicamente pelo resto da vida?”, questionou.

A empresa não respondeu à pergunta.

Até hoje, não há terapias 100% eficientes para ajudar os médicos na recuperação de viciados.

Quando ficam em abstinência da cocaína, os pacientes sofrem de forte depressão e de ansiedade.

Mesmo em programas de tratamento prolongados, cerca de metade dos pacientes voltam a usar a droga.

O laboratório também está desenvolvendo uma vacina com os mesmos princípios para o tratamento do tabagismo, mas os testes ainda estão em fase inicial

Fonte: Folha Online – Ciência Online