Em mais da metade dos casos, há consumo de drogas por perto

Histórias de violência nas escolas são registradas em números que preocupam os especialistas em educação. Pesquisa divulgada pelo Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo) mostra que, embora tenha diminuído a porcentagem de escolas que sofreram algum tipo de violência, entre as instituições afetadas os principais tipos de agressão a pessoas e ao patrimônio aumentaram em 2001, em comparação com 2000. Além disso, em mais da metade dos casos de violência, havia envolvimento com drogas. (Veja o quadro ao lado).

O presidente da Udemo, Roberto Augusto Torres Leme, informou que o objetivo do estudo é obter diagnósticos para sugerir soluções e levar os resultados a órgãos como o Ministério Público Estadual e Secretarias de Estado da Educação e da Segurança Pública.

A pesquisa é feita todos os anos, desde 1995, por meio de questionários enviados às escolas e respondidos por diretores. Leme queixa-se de que o governo do Estado “procura de todas as formas desqualificar a pesquisa, como se quisesse esconder a poeira embaixo do tapete, mas os fatos estão aí e eles são reais”.

A Secretaria de Estado da Educação divulgou nota na qual afirma que o estudo da Udemo “se trata de uma enquete e não de uma pesquisa com critérios científicos de levantamento de amostragem de acordo com o perfil de toda a rede de Ensino do Estado de São Paulo”.

No entanto, a secretaria reconhece que “o fato de ser uma enquete, e não uma pesquisa, não lhe tira o mérito de retratar os fatos apontados nessas escolas que responderam (ao questionário)”.

Alarmes – A Secretaria da Educação, enfatizando que São Paulo é o maior Estado com porcentagem de crianças nas escolas, informa que desenvolve programas com o objetivo de apoiar jovens e afastá-los da violência e das drogas.

Em 2001, a secretaria ofereceu a todas as escolas da rede a instalação de câmeras de vídeo e alarmes. Segundo a Assessoria de Imprensada secretaria, “quase 2 mil solicitaram esses equipamentos, que começaram a ser instalados em março”.

Desde quarta-feira a reportagem do Estado manteve contato com a Secretaria da Segurança Pública. Na quinta, a Assessoria de Imprensa informou que a pesquisa só seria comentada depois que a pasta recebessem o estudo oficialmente. Sobre números de escolas que recebem policiamento, não houve retorno da assessoria. (C.A.)

Fonte: Estado de S.Paulo – Cidade