Países definem estratégias contra narcotráfico

BRASÍLIA – Os representantes das polícias de oito países – Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Suriname e Guiana Francesa – decidiram ontem, em Tabatinga (AM), dividir a coordenação das atividades de combate ao narcotráfico na região amazônica e pedir auxílio de profissionais de Estados Unidos, Holanda e Espanha para evitar a invasão da heroína e do ecstasy. O Brasil ficará responsável por coordenar a repressão ao ecstasy, enquanto a Colômbia vai encabeçar a Operação Plataforma, contra a heroína, e o Peru, a Operação Seis Fronteiras, destinada a conter o comércio ilegal de produtos químicos usados no preparo de drogas.

De todas essas drogas, a que mais tem despertado preocupação ultimamente é a heroína, que passou a ser uma alternativa rentável de negócio no continente, a partir dos ataques norte-americanos ao Afeganistão, onde estão a maiores plantações de papoula – planta usada no preparo de ópio e heroína – do mundo. Com a guerra, os produtores, anteriormente protegidos pelo regime talibã, passaram a enfrentar dificuldades para escoar a droga, abrindo o mercado para os traficantes colombianos.

Mais forte e mais cara do que a cocaína, a heroína já começou a invadir o Brasil. De acordo com o coordenador-geral de Prevenção e Repressão a Entorpecentes da PF, delegado Getúlio Bezerra, três apreensões já foram feitas neste ano em São Paulo, Manaus e Boa Vista. Os 38 quilos recolhidos desde o ano passado seguiam para outros países, mas o fato preocupa as autoridades.

Em 2000, por exemplo, não havia ocorrido nenhuma apreensão. “Vamos focar o ecstasy e a heroína: são ameaças novas”, afirmou ontem Getúlio Bezerra, depois da reunião na fronteira do Brasil com a Colômbia. Segundo ele, o plano de ação apresentado pela PF para o combate ao ectasy (Operação Aquarius) enfatiza o controle dos aeroportos e a capacitação das polícias sul-americanas. “Vamos trocar informações, experiências e buscar localizar algumas redes de distribuição para desmontá-las”, anunciou o delegado. A PF deverá ainda organizar no Brasil treinamentos internacionais, cujos resultados serão posteriormente repassados às polícias estaduais.

Paraná – Agentes da Receita Federal em Foz do Iguaçu descobriram, na madrugada de ontem, 215 quilos de maconha atrás do radiador de um ônibus de turismo, que devia ir para o Rio Grande do Sul. O fato ocorreu no posto de pesagem de Santa Terezinha, na BR-277. Policiais disseram que havia quatro pessoas no ônibus, mas três fugiram. (Colaborou Evandro Fadel)
Fonte: O Estado de S. Paulo