Novelista é homenageada por ação antidrogas

BRASÍLIA e RIO. A novelista Glória Perez será homenageada amanhã, no Rio, pela Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas (Abrad), por causa da abordagem do problema da dependência química que vem fazendo em “O clone”. A homenagem ocorrerá no encerramento de um seminário para profissionais que trabalham com ações preventivas do uso de álcool e outras drogas. A discussão sobre a dependência química na novela da TV Globo também rendeu a Glória o prêmio Personalidade do Ano 2002, concedido pelo Conselho Estadual Antidrogas (Cead/RJ).

O secretário nacional Antidrogas, general Paulo Roberto Uchôa, afirma que a novela trata de forma realista o problema da dependência química. Ele diz estar convicto de que “O clone” servirá como estímulos para pais e filhos conversarem sobre o assunto e está tão satisfeito com as discussões apresentadas na novela que até mandou uma mensagem cumprimentando Glória por seu trabalho.

— Fiz questão de parabenizá-la. Com a cabeça privilegiada da Glória, a técnica e os bons atores, a Globo está prestando um enorme serviço ao país — disse o secretário.

Conversas de pai para filho ajudam a quebrar tabus

Segundo Uchôa, muitos pais ainda têm dificuldades de conversar abertamente com os filhos sobre o tema. Agora, com a novela, os pais podem falar sobre drogas sem se sentirem tão constrangidos.

Ele lembra ainda que “O clone” não se limita a dramatizar a degradação causada pelo vício e que, as cenas mais fortes, são sempre acompanhadas de informações. Antes de escrever a novela, Glória esteve na Secretaria Nacional Antidrogas, almoçou com o então titular da pasta, general Alberto Cardoso, e, a partir daí, fez uma longa pesquisa sobre o tema.

Especialistas do Cead/RJ também ajudaram Glória a traçar o perfil dos personagens que se envolvem com drogas na novela. O resultado foi considerado tão positivo que a entidade concedeu à novelista o título de Personalidade do Ano. O presidente do conselho, Gérson Barbosa Hallais, conta que a equipe já está sendo treinada para atender a demanda que começa a crescer em decorrência do debate provocado por “O clone”.

— A novela está fazendo com que as pessoas percebam o que no comportamento de um jovem pode ser indicativo de que ele está usando drogas. Também usa o enfoque certo, ao mostrar que a dependência química pode afetar pessoas de todas as idades — diz ele.

Para o secretário especial de Prevenção à Dependência Química da Prefeitura do Rio, Francisco Duran Borjas, a novela mostra que o uso de drogas não é apenas uma questão de saúde pública.

— Em “O clone” fica claro que a dependência química é um problema de saúde pública. Com isso, a novela mostra que a questão tem que ser encarada pela família e não pode ser encarada como uma coisa escondida. É uma doença e os dependentes precisam de ajuda — afirma Borjas.

Especialista sugere que Glória amplie a discussão

Denise Gandolfi, uma das coordenadoras do Programa de Redução de Danos do Ministério da Saúde, lembra ainda que a novela ajuda a derrubar preconceitos que tentam relacionar o vício à fraqueza de caráter ou à classe social. Denise sugere que Glória amplie a discussão e explore a relação entre o uso de drogas e a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.
Fonte: O Globo