Nova-iorquinos usam mais drogas desde 11 de setembro

Uma pesquisa da Academia de Medicina de Nova York concluiu que o consumo de maconha, álcool e cigarro cresceu na cidade depois dos ataques de 11 de setembro.

Segundo o estudo, publicado no American Journal of Epidemiology, o consumo dessas substâncias se intensificou entre cinco e oito semanas depois dos atentados.

Cerca de 25% dos mil entrevistados afirmaram que estão bebendo mais desde então. Uma em cada dez pessoas questionadas na pesquisa disse que está fumando mais e 3,2% relataram que aumentaram o consumo de maconha.

“Esse estudo vai nos ajudar a planejar tratamentos anti-drogas mais eficientes e a montar novas estratégias de prevenção para indivíduos que lidam com sérias situações de estresse”, afirmou Glen Hanson, do Instituto Nacional contra Abuso de Drogas dos Estados Unidos .

Estatísticas

Cerca de 22% dos entrevistados disseram que fumavam na semana anterior a 11 de setembro. No mesmo período 59,1% consumiram bebidas alcóolicas e 4,4% fizeram uso de maconha.

Depois do dia dos ataques, o número de fumantes aumentou para 23,4%, o de consumidores de álcool foi para 64,4% e o de usuários de maconha foi de 5,7%.

Entre os fumantes, cerca de 10% disseram que consumiram pelo menos um maço de cigarros a mais por semana.

Dos que aumentaram o consumo de álcool, mais de 20% afirmaram ter bebido pelo menos uma dose extra por dia.

Os pesquisadores descobriram que as pessoas que relataram maior consumo de drogas têm mais tendência a sofrer de depressão e da chamada desordem de estresse pós-traumático.

Os que admitiram estar bebendo mais têm maior propensão à depressão, somente.

Aleatórios

Os entrevistados foram escolhidos através de telefonemas feitos aleatoriamente pela equipe de cientistas.

David Vlahov, um dos pesquisadores, disse à BBC que o consumo de álcool, cigarro e drogas aumentou mais entre os moradores de áreas próximas ao local onde ficavam as torres do World Trade Center.

“Apesar disso, descobrimos que o nível de estresse psicológico aconteceu em toda a cidade”, afirmou ele.

Segundo Vlahov, as pessoas podem ter passado a consumir mais substâncias viciantes como uma maneira de lidar com a tragédia. “Mas o uso prolongado pode ser um sinal de que elas têm problemas mais profundos em seu modo de encarar as adversidades”, afirmou.

“O cigarro é particularmente viciante e as autoridades de saúde pública têm que começar a pensar em programas para dar assistência a pessoas que querem parar de fumar”, disse Vlahov.

Fonte: Folha Online – Mundo Online