Problemas em casa levam jovens a consumir drogas

O representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein, afirmou hoje, durante o “Seminário Violência nas Escolas”, que o consumo e o tráfico de drogas nos colégios é um forte indutor da violência. Segundo dados apresentados por ele, a incidência de consumo e de tráfico, ocasionais ou constantes, atinge 32% e 21,7% das escolas do país, respectivamente. Entre as causas que levam os jovens ao consumo de drogas, os problemas em casa disparam na frente, seguidos de questões sociais. “A presença constante de traficantes nos arredores das escolas e a própria abordagem deles facilitam o acesso dos jovens às drogas”, disse.

A pesquisadora e Consultora do Banco Mundial, Miriam Abromovay, lembrou que embora nas situações de violência no ambiente escolar as armas de fogo não sejam predominantes, os percentuais de alunos que apontam seu uso são bastante elevados. Mais da metade dos estudantes da rede pública que sabem onde e de quem comprar armas (55%) também acham fácil obtê-las perto da escola. Desses, 30% dizem que essas armas são utilizadas nas ocorrências violentas na escola.

Werthein também questionou a questão da falta de preparo e de equilíbrio emocional do professor e do profissional de ensino. “Não é justo que o aluno continue sendo penalizado, tendo que esperar o professor ser devidamente capacitado ou qualificado. O mínimo que se exige, dentro de uma escola, é respeito”, completou. Para ele não basta esclarecer o professor, é preciso garantir que o educador não fique a vontade para executar perseguições. “Já presenciei inúmeros crimes de professores contra alunos, que nunca foram punidos, enquanto os alunos são suspensos e expulsos por qualquer falta disciplinar”, completou.

“Mesmo que o professor tenha muitos alunos, ele precisa esforçar-se para pensar em cada um, conhecê-lo e compreender suas dificuldades, para ajudá-lo. Se o profissional estiver tão sobrecarregado a ponto de não conseguir distinguir um aluno do outro, entendemos que o problema é do sistema, que trata seres humanos como objetos ou máquinas”, destacou a pesquisadora Mirin.

Werthein terminou dizendo que a questão da violência não é discutida na sociedade e nem dentro das escolas. “O assunto é tabu e tem provocado a evasão de milhares de alunos. Gostaria que essa fosse a primeira de uma série de reuniões que permitam o aprofundamento deste tema tão grave. A expectativa é que a Comissão de Educação consiga encaminhar dispositivos para reduzir a impunidade dos educadores que agridem o aluno com desprezo e arrogância, infringindo o Estatuto da Criança e do Adolescente”, concluiu.
Fonte:Agência Brasil