Pesquisa sobre jovens e drogas

Uma pesquisa pode ajudar a entender porque alguns jovens experimentam drogas, mas não se tornam viciados e porque outros, se recusam a provar, apesar do acesso fácil. 

O estudo feito pelo Centro Brasileiro de Informações sobre drogas psicotrópicas é inédito no país. 

Luciana conta que experimentou maconha na adolescência influenciada pelo rapaz que namorava na época. A necessidade de ser aceito pelo grupo é um dos motivos que empurram muitos jovens para as drogas, dizem os especialistas. Outros dois fatores importantes são: a busca de novas emoções e a simples curiosidade. 

Para a promotora de eventos, no entanto, a experiência não deixou boas recordações. “Você fica se questionando. Parece que estou perdendo a identidade. Não gosto de perder o controle. É uma sensação nada agradável”, disse. 

Segundo uma pesquisadora, o medo de perder o controle da situação está entre os motivos que salvam muita gente das drogas. “Os principais são o medo da dependência, medo de perder o controle do comportamento, da própria vida e algumas questões relacionadas à religião e à família”. 

Entre os jovens entrevistados, 24% disseram que não quiseram provar por medo de perder o controle da situação; 26% atribuíram à questões morais ou religiosas; 26% por influência dos pais e 24% apontaram motivos diversos. 

Entre os que usaram e abandonaram, 52% achavam os efeitos desagradáveis ou abaixo do esperado; 32% tiveram medo da dependência e 16% pensaram nos pais. 

É onde se enquadram duas irmãs. Elas contam que na escola, nos bares e até no trabalho, as drogas sempre estiveram por perto, mas as duas preferiram dizer não. 

A pesquisadora diz que o estudo indica um novo caminho. Em vez de desqualificar os usuários, os pais devem ressaltar a importância dos filhos terem nas mãos o controle do próprio futuro. Uma filosofia que já está por trás das novas campanhas campanhas anti-drogas. 

Uma outra pesquisa feita pelo Instituto de Psiquiatria da USP e divulgada hoje revelou que quanto maior o uso de droga maior o comportamento sexual de risco entre os adolescentes. 

O estudo mostrou também que 53% dos 700 alunos de escolas públicas de São Paulo, ouvidos nos últimos quatro anos, já usaram droga, pelo menos uma vez na vida; 46% dos adolescentes experimentaram maconha; 28%, inalantes; 17%, alucinógenos e 14,5%, cocaína. 
Fonte: Jornal Hoje