Menos emprego, mais tráfico

Um estudo sobre o desemprego e o tráfico de drogas na Grande São Paulo, preparado pela Ouvidoria da Polícia, revelou que, quando a taxa de desempregados é grande, aumentam as ocorrências de tráfico. No primeiro trimestre de 2002 em comparação com o mesmo período de 2001, o tráfico aumentou em 20,14% e o desemprego cresceu em 7,14%, Segundo o ouvidor Fermino Fecchio, “se houve mais registros de ocorrências sobre o tráfico, indicando que a polícia também pode ter pressionado mais os criminosos, isso causa um aumento da estrutura do comércio de drogas.”

O estudo realizado em conjunto com a Fundação do Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) mostra que para manter o aumento da estrutura do comércio da droga, o traficante precisa de mais gente como olheiro, passador, contato, e mais dinheiro para financiá-lo. “E são outros crimes como o seqüestro, que fazem esse papel”, afirma o documento do Seade e da Ouvidoria.

Segundo a Ouvidoria, quando aumentou o número de crimes de extorsão mediante seqüestro no Estado, a polícia justificou que o rigor no combate às quadrilhas de roubo a bancos fez os criminosos migrarem para outros delitos.

Numa pesquisa sobre a relação entre a população jovem e a criminalidade, o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo também observou os efeitos da situação econômica sobre o tráfioco. “A pesquisa mostrou que o dificil momento atual tem levado o jovem de melhor formação a competir por empregos de menor qualificação.Já o jovem sem formação, geralmente da periferia, acaba desempregado e, muitas vezes, vai para o tráfico”, afirmou o ouvidor.

O estudo aborda ainda dados do desemprego e do tráfico, na Grande São Paulo, entre o primeiro trimestre de 2000 e o mesmo período de 2001. Houve queda dos desempregados em 5,8% e as ocorrências de tráfico cairam em 5%.
Fonte: Jornal da Tarde