Drogas: crianças também viciam

As crianças também podem se tornar dependentes de drogas. E não são apenas meninos e meninas de rua, vistos a qualquer hora do dia cheirando cola de sapateiro ou outros inalantes, que estão vulneráveis ao problema. Crianças de classe média e alta podem começar no vício sem que os pais percebam.
É o que afirma a psicóloga Maria Heloísa Bernardo, do Centro de Tratamento Bezerra de Menezes, que alerta para o uso de substâncias químicas na infância, principalmente álcool e remédios. “A partir de 11 ou 12 anos, já vemos vários casos. Geralmente, é preciso tratar a família também, pois o problema não é só da criança”, disse.

Maria Heloísa afirmou que a maioria das famílias comete o chamado erro pedagógico. “Os pais agem de forma equivocada, achando que estão certos. Ter bebidas ao alcance da criança e beber freqüentemente na frente delas pode causar um efeito negativo.”

A maneira de lidar com o álcool ou medicamentos é o que pode levar a criança a ter uma idéia errada das drogas. “A pessoa fica nervosa ou estressada no trabalho, chega em casa e toma uma dose para relaxar. Ou então, recorre a calmantes e outros medicamentos. A criança absorve a seguinte mensagem: quando eu tiver um problema, posso beber ou usar medicamentos para resolver”, disse a psicológa.

Alguns sinais podem ajudar os pais a perceber se a criança ou o adolescente está envolvido com drogas. Falta de motivação, atrasos e queda do rendimento escolar, perda de memória e de concentração, agressividade, apatia, desaparecimento de objetos ou dinheiro, mudança repentina de hábitos, olhos vermelhos e odores diferentes.

Doença fatal – Segundo Maria Heloísa, a dependência química é uma das doenças mais democráticas que existem. “Infelizmente, encontramos dependentes de todas as faixas etárias, níveis sociais e econômicos e de ambos os sexos.”

A dependência é uma doença primária, crônica, progressiva e fatal. “É preciso entender que se a pessoa tem predisposição para a dependência, ela irá se viciar em alguma substância. Pode ser álcool, medicamentos, cocaína ou outros. Dependência não é falha de caráter ou fraqueza da pessoa”, disse a especialista.

A psicológa explicou que, de acordo com a personalidade de cada um e de seus gostos pessoais, é feita a escolha da droga. “Se a pessoa é muito agitada, vai preferir a cocaína, por exemplo. Alguém mais calmo vai se identificar com a maconha ou o álcool”, disse
Fonte: Diário do Grande ABC