Bebida estimula uso de drogas ilegais

Sem ter outros dados tão abrangentes, os especialistas têm lançado mão da comparação do consumo de drogas lícitas e ilícitas da própria pesquisa para atestar a perversidade e gravidade do consumo e dependência do álcool. Enquanto os adolescentes de 12 a 17 anos declaram dependência a essa substância de 5,2%, os que declaram em relação à maconha ficam em 0,6%. Quando analisados a dependência ao álcool, considerando-se o sexo, verifica-se que quase 7% dos dependentes dessa substância são do sexo masculino e apenas 3,5 do sexo feminino.

Quando se fala de maconha, os do sexo masculino são 0,9% e mulheres, 0,4%. O integrante do Conselho Estadual de Entorpecentes de Minas, psiquiatra Aloísio Andrade, analisando os dados, observa que se já é elevado o consumo a partir dos 12 anos até os 17, na faixa etária seguinte, de 18 a 24 anos, o número praticamente triplica, pulando para 20%, o consumo entre os do sexo masculino.

Na análise da pesquisa, há consenso entre Madruga e Andrade. Os dois psiquiatras atestam que a importância de se desenvolverem campanhas de prevenção ao uso de álcool. Eles explicam que a substância funciona como um encorajador, abrindo as portas para contato com as drogas ilícitas, sendo que, em Minas, já foi verificado aumento no consumo de cocaína. Por sua vez, Aloísio Andrade explica que o álcool age sobre o córtex, onde está a memória adquirida, anestesiando os mecanismos de proteção. “Isso é o mesmo que dizer que se diminui a crítica, diminui o grilo e cresce a coragem”, atesta. Na mesma linha, Madruga dispara: “Nariz de bêbado não tem dono”. Entretanto, combater o uso de dependência às drogas consideradas lícitas parece a todos um desafio ainda maior. “O consumo de álcool e tabaco, por exemplo, é uma questão cultural e alterar esse quadro pode levar mais tempo”, ressalta Aloísio Andrade
Fonte: Estado de Minas