Estudo mostra que metade dos jovens brasileiros ingere álcool

Pesquisa indica que quase a metade dos adolescentes brasileiros (48,3%) ingere bebidas alcoólicas, com índice de dependência chegando a 5,2%. Resultado assusta especialistas, que alertam para a necessidade de revisão das campanhas de prevenção às drogas

(Maria Clara Prates/ EM)

Resultados preliminares de uma pesquisa nacional 1º Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil -, feito pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas e a Secretaria Nacional Antidrogas, envolvendo 8.559 pessoas das 107 maiores cidades do País, com mais de 200 mil habitantes, revelam dados preocupantes e a necessidade de rever o eixo orientador das campanhas de prevenção ao uso de drogas. O dado que tem mais preocupado especialistas da área é o grande número de adolescentes (48,3%), dos 12 aos 17 anos, que admitiram usar álcool, em todo o País. O índice de dependência atinge o patamar de 5,2% da população, ou seja, cerca de 387 mil jovens na mesma faixa etária.

Especialistas do Conselho Estadual de Entorpecentes de Minas Gerais estão alarmados com o elevado índice de dependentes em álcool, que em toda região Sudeste chega a 9,2% da população e é a porta aberta para o perigoso terreno das drogas ilícitas. A pesquisa foi realizada em 2001 e só agora foi concluído o levantamento preliminar, revelando que a região Sudeste é a que mais consome álcool em todo o País (71,5%) e a segunda colocada em consumo de cocaína e crack. Uma realidade que atinge, em sua grande maioria, justamente a população na faixa mais produtiva, de 18 a 34 anos.

Em Minas, além da capital, o levantamento foi realizado em outras nove cidades -Betim, Contagem, Governador Valadares, Ipatinga, Juiz de Fora, Montes Claros, Ribeirão das Neves, Uberaba e Uberlândia. Entretanto, segundo o coordenador da pesquisa no Estado, psiquiatra Arnaldo Madruga, no próximo mês, serão consolidados os dados em cada um dos municípios, possibilitando um conhecimento ainda maior do quadro brasileiro. Madruga explica que esse é o primeiro trabalho realizado sem a preocupação com grupos determinados e, por isso, está de fato mais próximo da realidade. “É uma radiografia do problema”, explica.
Fonte: Estado de Minas