Na mira do Denarc, 62 escolas e faculdades

Terceira edição da Operação Escola Segura vai combater o tráfico de drogas nas imediações das instituições de ensino. A região com maior problemas é a zona leste, seguida da zona sul

Policiais do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) estabeleceram 62 escolas e faculdades da Grande São Paulo como alvo para a terceira Operação Escola Segura de combate ao tráfico de drogas. Os pontos, considerados em situação de prioridade, foram atualizados após a segunda ação do projeto, realizada no último mês, registrar a prisão de 58 traficantes que agiam nas instituições de ensino.

Mais uma vez a região de São Mateus (zona leste) concentrou o maior número de escolas problemáticas, seguida de Santo Amaro (zona sul). O mapeamento avaliou o comércio de entorpecentes nos colégios e faculdades das redes pública e privada e se baseou em informações adquiridas por meio de denúncias registradas pelo setor de inteligência do departamento.

De acordo com o delegado Ivaney Cayres de Souza, diretor do Denarc, “o sucesso das duas primeiras operações despertou um sentimento de confiança na população, fazendo crescer a quantidade de denunciantes”.

Somente no mês de agosto, o Denarc recebeu 55 solicitações para que a polícia averiguasse o tráfico em centros de educação. O número é três vezes maior se comparado aos telefonemas registrados no mês de julho.

“A novidade para essa terceira operação é a inclusão de escolas e faculdades situadas fora da capital. Isso só foi possível porque passamos a receber denúncias dessas regiões”, destacou Souza.

No início do programa Escola Segura, o Denarc chegou a mapear 163 instituições consideradas problemáticas. No mês de junho, durante a primeira operação, os policiais do departamento efetuaram 43 flagrantes e prenderam 54 traficantes que passavam drogas para os estudantes.

Projeto prevê ação sobre usuário de drogas

Além dos traficantes, a polícia deve em breve entrar no encalço dos usuários que carregam o entorpecente para o interior das salas de aulas.

“É um projeto de prevenção e educação, que pretende recuperar eventuais consumidores e evitar que outros se tornem dependentes”, diz Souza.

Dados do Denarc apontam que no ano passado 26 mil pessoas foram detidas por uso de drogas no interior de colégios. Desse total, 80% disseram ter recebido a droga das mãos de amigos, vizinhos, colegas ou parentes.

O mesmo percentual afirmou ter se envolvido com drogas por curiosidade.

“Isso prova que falta informação para esses jovens”, aponta Souza. No ano passado, o Denarc atendeu e encaminhou para entidades de recuperação mais de dois mil usuários de drogas.
LUIZ GUEDES JR. Jornal da Tarde