Operação inédita combate tráfico

PF e FAB lançaram ofensiva, utilizando equipamentos de alta tecnologia
EDSON LUIZ
Enviado especial

SERRA DO ACARI – A Polícia Federal e a Força Aérea Brasileira (FAB) iniciaram uma verdadeira operação de guerra, inédita, na fronteira do Pará com a Guiana e Suriname, utilizando aviões de caça para bombardear pistas clandestinas usadas pelo narcotráfico que abastece o Rio e São Paulo.

A ação, que deve representar um duro golpe no tráfico dos dois Estados, se desenvolve a 1 quilômetro da zona de litígio disputada por guianenses e surinameses, para onde estão se deslocando laboratórios de refino de cocaína, antes instalados na Colômbia.

Desde terça-feira, seis caças AMX da FAB – do mesmo tipo usado por forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Kosovo, há três anos – estão lançando bombas de cerca de 460 quilos nas pistas, localizadas por satélite. O avião R99A, que faz parte do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), com radar a bordo, faz a coordenação das ações e controla o tráfego aéreo.

A operação, batizada de Guisu – união das siglas de Guiana e Suriname – está sendo conduzida pela PF, com ajuda de diversos helicópteros e um avião Hércules, que faz o abastecimento dos bombardeios em pleno vôo. Segundo o Comando da Aeronáutica e o Ministério da Justiça, pelo menos 190 homens da FAB e da PF estão envolvidos. “Sempre trabalhamos em conjunto com a FAB, mas esta operação é diferente. Enquanto gastamos 15 dias para dinamitar uma pista, os caças estão fazendo isso em poucos minutos”, afirma o superintendente da PF no Pará, Geraldo Araújo.

Apoio – A região é considerada pelas autoridades como o principal ponto de apoio para abastecimento de aviões usados no transporte da droga para o Brasil e para outros países. Segundo o coordenador da operação, delegado Mauro Spósito, os traficantes passaram a usar a fronteira brasileira com o Suriname e Guiana como rota, de-pois da investida norte-americana contra o narcotráfico e a guerrilha na Colômbia.

Spósito afirma que, apesar das atividades dos Estados Unidos, o narcotráfico e a guerrilha continuam trocando cocaína por armas vindas do Paraguai.

A rota identificada pela PF mostra que o armamento segue para a região do Rio Orinoco, de onde a droga sai para a área de litígio, na Serra do Acari.

“Dali, parte vai para a Europa e para os Estados Unidos, enquanto outra parte desce para o Brasil, via Paraguai. Essa rota, criada recentemente, diminui pela metade a distância anterior, que era de 3.100 quilômetros”, explica Spósito, relatando que foram encontradas 8 novas pistas no País e outras 16 na zona de litígio.”Foi um dos golpes mais certeiros que demos no narcotráfico”, acredita o coordenador.

A ação faz parte de uma estratégia da PF para diminuir a entrada e o transporte da cocaína no País. Há quase um mês, cerca de 280 aviões foram lacrados em Itaituba, interior do Pará, sob suspeita de serem usados pelo narcotráfico. A operação, que abrange área de 200 mil quilômetros quadrados, foi planejada secretamente pela PF, Aeronáutica e governos da Guiana e do Suriname, que também se unirão ao Brasil na próxima etapa, cuja data está sendo mantida em sigilo.
Fonte:O Estado de S. Paulo