Drogas: Ainda um tema tabu

“Há quatro anos, estávamos no sítio, quando ligaram de Campinas que Lílian estava em coma alcoólico. Foi um choque. Nem sabia que minha filha bebia. Entendi como uma coisa da idade. O problema é que ela foi ficando agressiva. Mas ela sempre foi geniosa! Depois minha filha fez amizade com um hippies, que fumavam maconha. A situação foi ficando mais tensa. Perguntei se ela usava drogas, e ela negou. Só tive certeza quando peguei um cigarro de maconha na gaveta de seu quarto. Ela nos pegou descalços. O assunto era um tabu para nós e eu achava que problemas com drogas só aconteciam com os outros”.

Na maioria dos casos os familiares se sentem culpados e perdidos. Não querem enxergar a real situação, arrumam desculpas para não terem que enfrentar o problema, para não precisarem se desinstalar: mudar atitudes, mudar comportamentos, observar mais, informar-se, dialogar mais, enfim agir.

Embora não queiramos admitir, todos nós conhecemos os sinais que um jovem emite, quando está usando substâncias tóxicas, bebidas alcoólicas, enfim drogas. O jovem mostra-se hora inquieto, hora deprimido, muda seu comportamento, passa pouquíssimo tempo com os pais, evita refeições prolongadas com a família, isola-se no quarto (é o escapismo do jovem). Revoltado sempre, agressivo às vezes, na escola provavelmente decresce, não se interessa, perde o poder de concentração. Freqüenta bares e rodadas de bebidas em churrascadas, na maioria das vezes em chácaras isoladas. Têm sono de dia, à noite sai e volta de madrugada.

Os jovens brasileiros estão usando drogas cada vez mais cedo. Segundo os especialistas, a iniciação hoje ocorre entre os 12 e 13 anos. O primeiro passo nessa direção pode ocorrer aos 11 anos, idade em que eles começam a provar bebidas alcoólicas, muitas vezes com o consentimento dos pais. Embora o uso de drogas não tenha o tom de contestação dos anos 60, ainda é visto como um comportamento adulto. Eles se sentem transgredindo, correndo riscos, virando gente.

Além de experimentar muito cedo, os adolescentes também estão consumindo mais. Entre 1993 e 1997, quadruplicou o número de jovens que fumavam maconha mais de seis vezes por mês. É o que aponta estudos do CEBRID, realizados com 15 mil estudantes de 1º e 2º graus em dez capitais. Segundo Dr. Içami Tiba, médico e psicólogo especialista em adolescentes, “o adolescente tem menos defesas biológicas, seu organismo ainda está em formação. Quanto mais cedo começam a usar, maior é o risco de dependência”.
Muitos pais, ao se depararem com um caso de drogas em casa, chegam aos consultórios com a idéia de que o melhor é internar o filho. Mas os especialistas dizem que internação é um recurso extremo e estudos científicos mostram que 85% dos casos são tratados sem necessidade de internação, e com menos riscos de recaída.

O Programa de Amor Exigente está apto para orientar os pais e tentar recuperar os já envolvidos pelas drogas, além de empenhar-se na prevenção, que hoje é prioritária. Mantém reuniões semanais e desenvolve seminários em diferentes locais e cidades brasileiras. As pessoas podem comparecer espontaneamente. Ninguém fica obrigado a voltar nas próximas semanas ou assumir algum cargo. Todos são tratados com respeito e ficam muito a vontade. Os pais que quiserem colocar suas preocupações, são orientados pelo grupo, de acordo com os princípios de Amor Exigente, que não prega medidas extremas, mas incentiva usar o bom senso, equilibrando emoção e razão, amor e exigência. 
Fonte: Vera L. Lorenzetti Gelás – Coordenadora de Amor Exigente – Marilia-SP