Brasil: maior exportador de produtos de refino de cocaína para Colômbia

SÃO PAULO. Além de estar entre os 20 países com o maior índice de apreensão de cocaína, o Brasil encabeça o ranking dos que mais exportam para a Colômbia — considerada o maior produtor mundial de cocaína — produtos químicos que auxiliam no refino da droga, como solvente e éter.

A conclusão consta do Relatório Anual da Junta Internacional de Controle às Drogas, organismo ligado à Organizações das Nações Unidas (ONU), que detectou ainda que só 1% do dinheiro gasto por consumidores de cocaína chega às mãos de camponeses que cultivam a matéria-prima (folha de coca e papoula). O resto fica concentrado nas organizações de narcotraficantes.

Os negócios relacionados ao narcotráfico renderam em 2001 — última coleta de dados da Junta — pouco mais de US$ 3,7 bilhões. Cerca de 70% do total foram parar exclusivamente nas mãos de traficantes. O relatório tomou como base as informações oficiais repassadas por secretarias ligadas ao combate às drogas de diversos governos. Não há no documento, entretanto, qualquer observação sobre um polêmico pronunciamento feito no ano passado pelo governo dos Estados Unidos dando conta de que o Brasil está em segundo lugar no ranking dos que mais consomem cocaína no mundo. Nesse caso, os brasileiros perderiam apenas para os próprios americanos.

O governo contesta a informação, já que, segundo fontes oficiais, não há até hoje um padrão internacional de consumo per capita da droga. Sabe-se apenas que, ao comparar o consumo de cidadão por cidadão, o Brasil perderia até para a Espanha quanto aos índices de consumo.

Diretor da ONU pede mais repressão nas fronteiras

O diretor do escritório antidroga da ONU em São Paulo, Giovanni Quaglia, disse ontem que há preocupação em dobro com o Brasil no que diz respeito ao combate às drogas:

— Além do problema do consumo, o Brasil é um dos principais exportadores de produtos químicos que auxiliam no refino. Por isso, é preciso que novas medidas de repressão sejam adotadas, principalmente nas fronteiras.

O poderio dos traficantes, segundo Quaglia, é um dos fatores de desestabilização política e econômica de alguns países. Perguntado se o tráfico do Rio de Janeiro seria exemplo de que o estado teria se desestruturado e perdido espaço para os traficantes, Quaglia preferiu a diplomacia.

— Esse é um problema que se repete em todas as grandes cidades do mundo. No caso do Rio, o problema é que o centro de tráfico está muito próximo da cidade — disse.

O relatório traz ainda a informação de que o consumo de drogas sintéticas, como o ecstasy, por exemplo, aumenta em todo o mundo.

— Esse tipo de droga é muito difícil de controlar porque pode ser produzida a baixo custo (em laboratórios caseiros) e com bastante facilidade em qualquer parte do mundo, desde que os narcotraficantes consigam obter as substâncias químicas necessárias — disse Quaglia.

A droga é basicamente consumida por jovens entre 18 e 24 anos e em clubes noturnos, afirmou ele.
Fonte: O Globo