Maconha altera química cerebral de embriões, revela estudo

Embriões de ratos expostos à ação da maconha ainda no útero desenvolvem problemas de memória e superatividade, além de terem a química cerebral alterada permanentemente, segundo estudo realizado na Itália.

A pesquisa, desenvolvida na Universidade La Sapienza, em Roma, sugere que a alteração cerebral nos ratos possa explicar a razão pela qual crianças cujas mães fumaram maconha durante a gravidez sofrem distúrbios de aprendizado durante a vida.

Em artigo publicado na revista “Nature”, o bioquímico italiano Vincenzo Cuomo explica que as cobaias receberam pequenas doses diárias do narcótico nas duas últimas semanas da gravidez, que dura aproximadamente 21 dias.

A equipe de Cuomo analisou o cérebro dos ratos recém-nascidos 40 dias depois e descobriu que eles possuíam níveis mais baixos de glutamato, substância química de facilita a comunicação de células nervosas.

As células da região do hipocampo –área do cérebro relacionada ao aprendizado e à memória– também apresentaram atividade abaixo do normal. Em estudos com seres humanos cujos pais fumaram durante a gravidez, a mesma região do cérebro se mostra debilitada.

Depois de apurar os resultados, Cuomo alerta: “As mulheres devem evitar o uso de maconha durante a gravidez e o período de amamentação”.

Para Laura Murphy, que estuda derivados da maconha na Escola de Medicina de Springfield, nos Estados Unidos, a ingestão de maconha durante a gravidez aumenta as chances de “alterações permanentes no desenvolvimento cerebral do feto”.

Segundo o Serviço Nacional de Informação sobre Teratologia do Reino Unido, a maconha é a droga ilegal mais utilizada pelas mulheres em idade reprodutiva.

Fonte: Folha Online