Governo quer mapear fronteiras para evitar tráfico

BRASÍLIA – O governo brasileiro quer fazer um mapeamento das fronteiras para tentar identificar as rotas de entrada no País de drogas e armas. Esse levantamento será feito com base em dados colhidos nas áreas de inteligência da Polícia Federal (PF) e do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, que estão intensificando as reuniões e a troca de informações, por determinação do governo federal.

Mas tanto a PF quanto as Forças Armadas reconhecem as dificuldades de promover essa identificação, principalmente nas áreas de fronteira amazônica, que somam mais de 15 mil quilômetros, grande parte de floresta.

Uma medida, porém, é considerada fundamental pelos dois setores para que a estratégia dê certo: a regulamentação da lei do abate. Hoje, os pilotos da Força Aérea são submetidos a cenas pitorescas quando interceptam conversas de traficantes nos rádios, posicionam-se ao lado desse aviões, determinam que pousem e eles fazem gestos obscenos ou simplesmente dão adeus e vão embora deixando a Força Aérea sem poder fazer nada.

Algumas medidas estão sendo adotadas pelo governo para permitir o mapeamento das fronteiras. Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou ao Ministério da Defesa que autorizou o repasse dos R$ 140 milhões necessários para que a Força Aérea possa voar, dando prosseguimento ao controle do tráfego aéreo. O presidente já autorizou também a contratação de mais policiais federais que poderão atuar também nas áreas de fronteira.

Das 72 unidades do Exército distribuídas pelo País, em alguma poucas a PF mantém homens para executar trabalho conjunto com as tropas. Justamente por falta de recursos, são raros os quartéis onde a PF está presente.

Paralelamente a isso, a Aeronáutica está completando a instalação de radares na Amazônia, que serão ligados aos centros regionais de vigilância do Sivam.

Do total de 25 radares restam 4; e 3 deles, de Guajará-Mirim (RO), Cruzeiro do Sul (AC) e Porto Esperidião (MT), estão em fase de instalação. O de Eirunepé (AM) ainda está sendo montado. Depois da instalação do Sivam, houve uma redução em dois terços do número de vôos clandestinos na região. Por isso, o governo tem dado prioridade ao cumprimento desse cronograma.

O trabalho de cerceamento ao narcotráfico, advertem os militares, tem de ser feito também e principalmente nos pontos de consumo, com ações policiais enérgicas, em grandes centros consumidores como Rio e São Paulo, sufocando o consumo. Eles consideram “ilusão” achar que é possível fechar fronteiras para evitar a entrada da droga, ainda mais em um país de dimensões continentais como o Brasil.
Fonte: O Estado de S. Paulo