“Drogas tornam a família indefesa”

A professora Luzia Fátima Lippi dá aulas de psicologia na PUC e é especializada em casos de violência familiar. Para ela, o uso de drogas é o principal motivador de casos como o dos Rusig. “São problemas que extrapolam a esfera privada”, diz. “E as autoridades devem estudar.”

JT – Casos de violência entre membros de uma mesma família, como o dos Rusig, podem ser analisados como um problema público, de governo? Ou são casos isolados, particulares?

Luzia Fátima Lippi – Claro. São problemas que extrapolam a esfera privada.

Grande parte desses crimes familiares tem o uso da droga, que é um problema público, no centro da questão. E a droga torna a família indefesa. Em muitos casos, a família sozinha não consegue solucionar o vício de um filho.

E isso mesmo em famílias de classe média, como o caso dos Rusig?

É. O jovem de classe média usuário de drogas geralmente envolve mais a família no problema do que um jovem de classe baixa. Um adolescente que mora na favela, e não tem como pagar as drogas para seu consumo, passa a trabalhar para o tráfico – fazendo aviãozinho (entregas e tráfico no pequeno varejo), prestando serviço de olheiro (vigiando bocas de fumo), etc. O jovem de classe média busca o dinheiro em casa, muitas vezes roubando objetos, pedindo dinheiro aos pais.

Um filho usuário de drogas desestrutura toda a família?

Não desestrutura, mas torna a família indefesa. Eu não sei qual era a relação desse menino, o Brenno, com seu pai. Mas os tiros dentro de casa é um sintoma de que o pai já não sabia como resolver o problema do filho. É sintoma de um desespero, fruto do desamparo, da falta de ajuda para solucionar a questão.

Então a família precisaria de um acompanhamento?

É. Eu acho que falta políticas públicas para isso. Mas ainda não há soluções prontas. De qualquer forma, é um problema que as autoridades devem estudar.

E é um grande desafio, que engloba perguntas como: “por que uma pessoa, geralmente um jovem, busca as drogas?”, “como mostrar uma outra perspectiva a esse jovem?” São questões que estão ligadas à falta de futuro, às dificuldades para se arrumar o primeiro emprego, a fatos culturais, etc.
Fonte: Jornal da Tarde