Conscientizar

A constatação do Ibope, em abril, de que 19% das pessoas consultadas conheciam alguém que deixou de usar drogas graças à campanha que fala de usuários financiando a criminalidade é um inédito motivo para otimismo nessa área. E a tendência é confirmada pelo Conselho Estadual Antidrogas, que de 1.200 dependentes atendidos em abril passou a 1.500 em maio.

A importância destes dados está em que, por mais que seja necessário o combate ao narcotráfico, o realismo obriga a admitir que a repressão policial terá sempre poucas chances de sucesso enquanto houver um mercado amplo e ávido por drogas. Já uma queda significativa na demanda, se for confirmada e mantida, certamente terá efeitos concretos.

É certo que o consumo de drogas estimula a criminalidade também porque os viciados por vezes se envolvem em crimes para conseguir dinheiro para alimentar seu vício. Isso, é claro, só pode ser evitado proporcionando a todos os dependentes a possibilidade de terapia, e não tratando-os de antemão como criminosos.

Mas a verdade é que os que usam a droga como recreação são a grande maioria. Segundo pesquisa do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, por exemplo, para cada 10 dependentes de maconha há 70 que a usam ocasionalmente. Estes precisam estar cônscios de que seu dinheiro é usado para a compra de armas, para a corrupção de policiais e sobretudo para a sustentação de um poder que cria um clima de insegurança em toda a cidade e mantém a comunidade das favelas em estado permanente de sujeição, quando não de terror.

Fonte: O Globo – Opinião