Benefícios da Suspensão do Fumo na Saúde

Pessoas que fumam durante 10 anos ou mais têm índices substancialmente mais altos de morte, doença e incapacidade que os não-fumantes. No entanto, muitos efeitos adversos relacionados com o fumo são reversíveis. Embora os riscos para o sistema respiratório em particular continuem a ameaçar o ex-fumante durante anos, os riscos de certos sistemas orgânicos diminuem conforme a duração da abstinência. Embora o maior benefício da cessação do tabagismo seja obtido na juventude, parar de fumar na meia-idade evita muitos riscos excessivos, de modo que 15 anos depois de deixar de fumar o risco de morte dos ex-fumantes não é maior que o risco daqueles que nunca fumaram. 

Sistema Respiratório
A função pulmonar melhora aproximadamente 5% em alguns meses depois da cessação do tabagismo; com a manutenção da abstinência, o ritmo de declínio da função pulmonar é mais lento e o risco de DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) diminui. Do mesmo modo, a cessação do tabagismo diminui o risco de câncer de pulmão, a gravidade e a progressão de alterações histológicas pré-malignas e o risco de novas neoplasias. A cessação do tabagismo também melhora os índices de sobrevida em pacientes com câncer. A magnitude da diminuição do risco de câncer aumenta com a duração da abstinência: depois de 10 anos, o risco diminui de 30 a 50%. 

Sistema Cardiovascular
O risco excessivo de doença arterial coronariana cai para a metade em um ano após a cessação do tabagismo e depois de 15 anos é equivalente ao dos não-fumantes. Do mesmo modo, relatou-se que o risco excessivo de acidente vascular cerebral torna-se igual ao dos não-fumantes em 5 a 15 anos depois da cessação do tabagismo, embora essa alegação tenha sido contestada por um estudo mais recente sugerindo que o alto risco permanece durante pelo menos 20 anos depois da cessação do tabagismo. Em pacientes com doença vascular periférica, o prognóstico melhora consideravelmente com a cessação do tabagismo. 

Sistema Gastrointestinal
Em geral, os pacientes com doença de Crohn que param de fumar durante pelo menos um ano têm evolução mais benigna da doença – semelhante à dos não-fumantes. Em um estudo prospectivo de grupos com duração de 12 a 18 meses, o índice de exacerbação da doença de Cronh entre os que continuaram a fumar (46%) foi o dobro daqueles que pararam de fumar (23%). De modo semelhante, o índice de recidiva de úlcera duodenal foi menor nos ex-fumantes (24%) do que naqueles que continuaram a fumar (25%) durante o tratamento de manutenção com ranitidina. 
Diminuições nítidas nos índices de mortalidade por câncer colorretal foram observadas nos ex-fumantes em comparação com aqueles que continuaram a fumar, embora os índices mais baixos ocorram nos indivíduos que nunca fumaram. 

Reprodução e Crescimento
Sugeriu-se que o fumo diminui a fecundidade e mulheres com dificuldade para engravidar são aconselhadas a parar de fumar. Além disso, a cessação do tabagismo na gravidez é considerada o método mais eficaz para diminuir as más evoluções na gravidez, como retardo de crescimento fetal, parto prematuro e mortalidade perinatal.

Outros Sistemas
O risco de câncer oral e esofagiano cai para a metade em 5 anos depois da cessação do tabagismo, embora permaneça alto em comparação com os não-fumantes. De modo semelhante, o risco de câncer pancreático diminui depois da cessação do tabagismo, embora apenas parcialmente. O risco de câncer de bexiga cai para a metade em poucos anos após a cessação do tabagismo; no entanto, permanece alto por alto por décadas.